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sexta-feira, 31 de março de 2017

O gado da preguiça

“Se, estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve redobrar a força; mas, a sabedoria é excelente para dirigir.” Ecles 10;10

Não precisamos muito esforço, para, encontrando a sabedoria em antítese ao “ferro embotado”, concluirmos que, “afiar o corte” equivale, a usarmos a inteligência, nos prepararmos para isso, pelo menos.

Infelizmente, a maioria da nossa população foi doutrinada, não iluminada, de modo que fosse capaz de pensar. Vige em nosso meio um reducionismo imbecil, dual, mentiroso, onde, ou sou uma coisa, ou, o oposto; como se, duas opções, apenas, abarcassem todo universo, da política, filosofia, ética, civilidade, espiritualidade, moral, etc.

Assim, ou sou dos “movimentos populares” o que quer que signifique isso, ou, sou das elites dominantes. Mortadela, ou, coxinha. Se, denuncio um erro do Lula, Dilma, presto alguém me acena com outro do Aécio, FHC, como se, isso, fosse o “meu erro”, me fizesse ilegítimo denunciante de falcatruas, francamente.

Ou, abraço ideias estatizantes e protecionistas das esquerdas, ou, sou adepto do “capitalismo selvagem”. Se, ouso divergir dos “neons” canhotos, não o faço por meus neurônios, antes, porque fui “manipulado pela Globo, Veja, Isto É”, e outros veículos, da, ”mídia golpista”. Desse modo, ou o bicho se deixa marcar a ferro em brasa, e berra o que eles querem ouvir, ou, é um mentecapto. Puta que pariu, posso pensar por mim mesmo, dá licença? Faço fogo com minha lenha; mesmo que insignificante em meu alcance, sou parte da “mídia alternativa” que se tornaram as redes sociais, simples assim.

Claro que, mesmo entre as tais, está cheio de manipuladores, gente contratada com metal sujo para disseminar nuances da “revolução Gramsciana” cooptando idiotas úteis, tantos, quantos, possíveis.

Minha saga pessoal foi mui dura, conheci desemprego, fome, morei de favor; hoje, melhorei, graças a Deus; casa própria, meio de transporte, utilitário para laborar, um trabalho, enfim. 

Isso, ao longo de vários governos, para os quais, nada devo, antes, paguei caríssimos impostos sem a devida contrapartida em serviços. Ademais, um Governo não gera empregos, é mentira! 

Quando uma obra pública sai do chão, como os desperdícios monumentais para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, uma vez que, os fins foram fúteis, os gastos imensos, a corrupção, colossal, os postos de trabalho gerados durante a fermentação do tal chorume, fizeram mais mal ao país, que bem, posta a devida equalização entre custos e benefícios.

Muito do assustador desemprego que grassa, deriva daquele festival de empregos artificiais, que, não eram fruto de hígido desenvolvimento, antes, de interesses mesquinhos escudados na omissão e temperado com as paixões populares.

Assim, não desejo um governo que gere empregos, antes, outro, que desonere a inciativa privada, incentive os livres empreendedores, pois, esses, sim, geram postos de trabalho, riquezas ao país. 

É Balela ideologizada isso de que, para os pobres melhorarem os ricos precisam repartir dos seus bens. Tratam a coisa como um jogo de cartas onde cinco pessoas assentam-se à mesa com mil reais cada uma. Uns precisam perder para outros ganharem. Em economia não é assim. Se gera riqueza a partir do trabalho, e se, a faz crescer, mediante administração competente, onde, os pobres podem ter ganhos dignos, sem precisarem favores dos ricos, como é, aliás, nos países desenvolvidos.

Não quero favores governamentais, apenas, probidade, competência. Sou meritocrata, isto é: defendo que cada um receba segundo merecer por seus esforços, sem dar colo a vagabundos omissos. Salvos casos de extrema necessidade, onde só algum assistencialismo pode amenizar, no mais, peito n’água, cada um faça por si.

Seguido aparece certo “desempregado” em meu trabalho, sempre pelas dez da manhã, com uma latinha de cerveja à mão, tatuado da cabeça aos pés entra sem convite e vai se apresentando: E “Aee meeu? Trampando? Se tivé uma boquinha tamo no pedaço”... Você que está lendo agora, contrataria um bosta assim? Eu, não, mesmo que tenha vaga.

Desse tipo são, muitos “excluídos” que gostariam de receber favores oficiais, graças à ojeriza que têm de colocar mãos no trabalho. Falando nisso, alguém sabe dizer por que o MST ficou o tempo todo sem terras, se, seu partido esteve no Governo por treze anos? Parece que trabalhar dá muito trabalho, além disso, as verbas oficiais faziam a coisa, desnecessária.

Urge que despertemos para o que está em jogo, e nos cientifiquemos de vez, que somos empregadores dos políticos, não, torcedores. E, qualquer um deles, de qualquer sigla, que malversar o erário, nos rouba. Sem essa que rouba, mas, faz; um cacete!! Quem rouba faz dano, é indigno de confiança e fica muito bem, na cadeia.

Pena que nossas mentes é que estejam presas sob a ferrugem das paixões omissas... cantamos “vida de gado”, ruminando nossa estupidez...

quinta-feira, 30 de março de 2017

O indivíduo e a massa

“Não seguirás a multidão para fazeres o mal; numa demanda não falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito. Nem, ao pobre favorecerás na sua demanda.” X 23;2 e 3

Na contramão da marcha da humanidade, dos discursos diluentes que sempre absolvem ao indivíduo, repartem as culpas sobre classes, sociedade, raças, etc. A Bíblia insiste em chamar à responsabilidade, o indivíduo. Errar na multidão pode ser, eventualmente, indolor, embora, seja mera fuga. Alguém disse: “Se nos estados puramente emocionais da massa, o eu, não sente a solidão, não é porque se comunique com um tu; antes, porque perde-se. Sua consciência e individualidade são abolidas.”

Consciência, eis o problema! Invés da facilidade de projetar alhures meus lapsos, insiste em apontar para mim. Faz lembrar certa gaiatice que circula por aí: “Cansei de fugir de mim, pois, onde eu ia, eu tava.”

Na verdade, embora usemos a expressão fugir de mim, no fundo, fugimos das responsabilidades que nos pesam, e, em última análise, de Deus. Como Adão, ouvimos a voz Dele no jardim e nos escondemos.

Pilatos tentou usar o “argumento” da massa contra O Senhor: “...A tua nação, os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?” Jo 18;35 O Senhor individualizou a responsabilidade dizendo: “... todo aquele que é da verdade ouve minha voz...” v 37

Os demais, escutam em suas consciências as justas demandas Divinas por uma adequação da vida aos santos padrões, mas, como escolheram servir à mentira, apenas escutam, não ouvem. Toda vez que carecemos culpados substitutos patenteamos nossa fuga.

Paulo escrevendo aos romanos, a metrópole da época, caldeirão cultural, mescla de usos e costumes, colocou todos no mesmo barco, civilizados e bárbaros, judeus e gentios; pôs o dedo na ferida: “...cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” Rom 14;12

Embora, a igreja seja um coletivo que tende a crescer, cristianismo vero nada tem a ver com ativismo; aliás, essas passeatas estilo, “Marcha pra Jesus” podem ser ótimos esconderijos para hipócritas que recusam a caminhar, com, após, Jesus. Essas coisas se revelam inócuas espiritualmente, pois, incham nosso orgulho religioso, se fazem fogueiras de vaidades onde ardem as preferências de cada um, e, a alegria efêmera de ser dos tais é um péssimo substituto pra alegria genuína de ver mais uma alma salvar-se.

Porém, temos o outro lado da moeda. Se, no aspecto “negativo” não adianta fugir, diluir, me esconder, O Espírito Santo vai me desalojar e rasgar minhas vestes; se, eu O receber, permitir que habite em mim e me regenere, nada valem divisas denominacionais, usos, costumes, desse ou daquele, discrepâncias doutrinárias, críticas, acusações, nada poderá abalar minha confiança no Salvador, sequer a morte será ameaça suficiente para que neguemos a fé.

Não que um salvo se torne individualista, antes, por se fazer um, em Espírito com os demais membros do Corpo de Cristo, não se abala mais com as idiossincrasias desse ou daquele que tentam sistematizar o que lhe não pertence, às conveniências de seu próprio umbigo. Paulo perguntou: “Quem és tu que julgas servo alheio”? Deus o recebeu, ensinou a andar assim, como anda; é assunto do Eterno, não, teu.

Para uns, tais vaidades não podemos; para outros, determinado dia é sagrado; outros, ainda, a Soberania Divina é maculada se afirmarmos que temos escolhas, etc. tudo poeira vã; nada abala o testemunho do Espírito Santo numa consciência dócil à Sua voz, inda que, rebelde aos moveres de certas multidões.

Somos mera partícula na Obra de Deus, contudo, nos trata como se, algo inteiro, único, indivisível. Daí, aliás, a palavra, indivíduo. Todos sabemos que vemos meras aparências, enquanto, Deus sonda corações, entretanto, não raro, nos portamos como se também víssemos por dentro. A sugestão de que seríamos como Deus, sabemos, veio da oposição. E não podemos edificar com O Santo, usando ferramentas do profano.

Os filósofos gregos desprezavam à multidão; achavam-na ignorante, só um monstro sem cabeça, apto para destruir, inepto para edificar. Embora esse monstro logre seus trunfos nos meandros políticos, nas coisas espirituais não vale nada.

Aliás, o barulho que faz abafa a vos da razão, como fizeram os algozes de Estêvão. “As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina entre os tolos. Melhor é a sabedoria que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.” Ecl 9;17 e 18


Enfim, uma vez mais, os feitos do indivíduo, em apreço, mesmo, para destruir. Esse mafioso disfarçado que sai por aí cheio de razões gritando palavras de ordem para mudar o mundo...ou, silenciar os reclames de Deus “inside” na resiliente escolha de não se deixar transformar, mesmo que, para receber a bênção da vida.

segunda-feira, 27 de março de 2017

O amor em apreço

“Muitas águas não podem apagar este amor, nem, rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente, desprezariam.” Cant 8;7

Isso de se colocar filosoficamente o amor, como mais valioso de todos os bens, é recorrente em nossa cultura; tema de tantas canções, poemas... entretanto, embora se diga que a vida imita a arte, muitas vezes, o que a arte emoldura como um quadro de raro valor, nem sempre, a vida aprecia devidamente a beleza de tal obra.

Por ser uma “isca” infalível na pesca de afeições, a palavra amor tem sido mercadejada, usada a torto e a direito por quem, sequer conhece sua essência. Nas novelas que o vulgo assiste, que duram pouco mais de meio ano, os protagonistas amam e desamam três ou quatro vezes, como se, a duração do vero amor fosse como a vida das borboletas, efêmera, breve.

Infelizmente, na maioria dos casos, quando alguém diz a outrem, “Eu te amo”, no fundo, o que está dizendo é: Me amo, e quero tal presente para mim. Faz da pessoa “amada” objeto de seu prazer, assim, usa-a como coisa, a qual, descarta breve, ao descobrir outra “coisa” que passa a lhe interessar mais, atrair mais que aquela que, pelo convívio, certa rotina, já não tem os mesmos apelos que, antes. Desse modo, o “amor acaba” e bate suas asas.

Lembrei de passagem um fragmento do livro “O Banquete” de Platão, onde os filósofos fazem uma mesa redonda para definirem em palavras, esse deus, o amor. Um deles, não lembro o qual, faz distinção entre dois tipos de amor, um, terreno, natural, outro, urânio, celestial. Feito isso, diz, mais ou menos, o seguinte: “É mau aquele amante popular que ama o corpo mais que a alma, pois, funde-se a algo que é efêmero. Com efeito, uma vez finda a beleza do corpo que era o que ele amava, alça seu voo sem nenhum respeito às muitas palavras e promessa feitas. Por outro lado, bom é o amante celestial, pois, funde-se à alma que é eterna, assim, tal tipo de amor não sofre a ação do tempo."

Devia ter em mente algo assim, Paulo, quando escreveu: “O amor jamais acaba...” Infelizmente, separações acontecem por razões que não cabe enumerar aqui, mas, são, ou, deveriam ser, exceções, não regra como se verifica em muitos casos. Pessoas famosas como Chico Anísio, Fábio Júnior, Ronaldo, chegam a uma dezena de matrimônios, sem falar em Gretchen, que está em seu décimo sétimo casamento. Como vemos, o “amor” acabou muitas vezes.

Ora, o que tem prazo de validade é a paixão, esse truque que O Eterno implantou em nós, como precursor do amor, para que formemos famílias, geremos filhos, perpetuemos a espécie. Como João Batista, vem na frente, prepara o caminho, mas, vindo “O Messias” o amor, fala: “Convém que ele cresça, e eu diminua.” Claro que é delicioso estar apaixonado, mas, isso dura certo tempo, dentro qual, devemos aprender a amar deveras, a pessoa por quem nos apaixonamos, com suas qualidades e defeitos. A paixão, essa torrente furiosa põe as qualidades em placas de neon, os defeitos sob opacas vidraças, mas, todas as pessoas são normais, imperfeitas, e, saindo pouco a pouco, de cena a paixão, o amor que é mais sábio e equilibrado, consegue andar lado a lado com quem escolheu, sendo como é.

Não é essa coisa pueril que, “quem ama não vê defeitos”; vê, mas, não os potencializa, antes, entende, supera e busca crescer junto, ciente que, também é imperfeito. Sentimento fortuito, é a paixão; amor é uma escolha, uma decisão moral, que, muitas vezes labuta com certos sentires adversos, decepções, mas, pelo prazer de seu delicioso fruto, suporta certas ervas daninhas, que pacientemente erradica.

O Senhor falou que Sua volta se daria num cenário como o atual, onde as pessoas “Casavam e davam-se em casamento” alheias a Ele. Sempre se fez isso, casar, mas, nunca de forma tão fútil e efêmera como agora. A coisa se tornou como determinados brinquedos do parque, onde, a pessoa experimenta uma vez, se não gostar tenta em outro. Sai da montanha russa para o barco pirata, desse para a roda gigante, etc.

Se, o amor a Cristo demanda a renúncia de si mesmo pela Vontade Dele, o amor conjugal tem muito disso também. A renúncia do nosso “direito” de querer as coisas do nosso jeito, em atenção ao anseio de quem amamos. Como será se ela ( ele ) agir assim também? O Amor jamais acaba. Se achamos, que o amor é mesmo, o mais precioso dos bens, está na hora de o tratarmos como tal; pararmos de usar diamantes na funda, amarmos deveras.

domingo, 26 de março de 2017

Nossa teórica salvação

“Porque em esperança fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência esperamos.” Rom 8;24 e 25

O fato de que nossa salvação, agora, é só em esperança, não significa que não seja real, tampouco, por ser invisível, se faz fictícia. Certo é que, as coisas não visíveis recebem testemunho de outras, palpáveis. “...suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto, seu eterno poder, quanto, sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas...” Rom 1;20

Desse modo, nossa fé invisível, e nossa esperança, igualmente abstrata, devem ser palpáveis no teatro das ações. “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mat 5;16

Tanto podemos testificar da fé, mediante modo vida, pelas coisas que fazemos, quanto, pelas que não fazemos. Todavia, em nosso contexto de liberdade plena, facilidades até, não somos testados no aspecto mais valioso. Se, estamos em terreno movediço, cercados de toda sorte de enganos, heresias, e, estamos, isso coloca à prova, no máximo, nosso discernimento, escolhas, nunca, a abnegação por Cristo, nossa coragem de sofrer por Ele.

Tudo o que devemos resistir, ora, deriva de ensinos errôneos, ora, dos apelos aos prazeres malsãos. Entretanto, noutro tempo, e, no presente, mas, noutro contexto cultural, pessoas valorosas abriram, e abrem mão de suas vidas por Cristo; ontem, ante outros perseguidores, hoje, nas mãos dos algozes do Estado Islâmico, sobretudo.

Os cristãos hebreus tinham começado bem, aberto mão de coisas pelo Senhor, mas, estavam desistindo, esmorecendo. Aí, se lhes disse: “Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições... com alegria permitistes o roubo dos vossos bens... Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” Heb 10;32, 34 e 36

Adiante, se lhes evocou o testemunho dos “Heróis da Fé”, cujas vidas deram, pelo que criam, para os despertar a uma realidade mais alta que mera submissão terrena dos salvos. “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.” Cap 12;4

Essa é nossa situação; dos cristãos que gozam liberdade de culto; as maiores “tribulações” que conhecemos são críticas, zombarias, escárnios de certas minorias que nos desprezam. Como seria, se, enfim, nosso sangue fosse requerido na arena da salvação? Será que essas fermentadas pesquisas que apontam vertiginoso crescimento de “evangélicos” seguiriam sinalizando tal upgrade?

Uma coisa é um soldado treinar durante duas décadas, com munição de artifício em combates imaginários. Outra, se ver, de repente, numa trincheira alvejada por inimigos, ao redor da qual, colegas caem feridos e morrem. Necessariamente atingirá outro nível de percepção das coisas, valores, em meio a uma realidade para a qual se presumia preparado, mas, a verá mais dolorosa do que supunha.

Se, de uma hora para outra, O Eterno permitir que sejamos perseguidos para a morte, então, veremos o que é maciço, e o que é oco. Em horas extremas, pouco importa se alguém é arminiano, ou, calvinista; se, pentecostal, ou, tradicional; se guarda sábado, ou não; se preza usos e costumes, ou, é liberal... Em momentos vitais, todas essas frescuras periféricas deixarão de opinar, restará apenas a luta pelo que interessa deveras, a vida. Nos momentos de extrema prova, caracteres vêm a lume, e, cada um mostrará, enfim, do que é feita sua alma. A tribulação vai separar touros e terneiros, mostrar quem tem butiás no bolso, como se diz, cá no sul.

Infelizmente, as facilidades geram dificuldades. Digo, nos tornam pueris, superficiais, incapazes de mensurar bem, o valor das coisas. Quando Moisés pleiteou a libertação de seu povo o Faraó lhes disse: “Estais ociosos, por isso devaneiam com liberdade”. Era uma grande injustiça com gente que trabalhava em regime de escravidão.

Contudo, ouvindo as orações de certos ministros festivos, que “Não aceitam” isso, ou aquilo, e resolvem “determinando” aquilo outro, temo que uma hora O Santo lhes diga, como o Faraó: Estais ociosos, as facilidades que lhes dei os tem feito presunçosos, profanos. Enviarei o vento das perseguições, para separar o joio do trigo.

Infelizmente, muitos grupos de “cristãos” portam-se como certos “movimentos sociais” boicotando, reivindicando, atazanando a paz alheia, como se, essas coisas, que são eficazes em domínios humanos, fossem também, no Reino de Deus.

O fato é que a perseguição virá em caráter global, no reino do Anticristo. Os que sentem-se valentões entre artifícios de festim, terão, enfim, palco para demonstrarem sua bravura. 

O presunçoso mede-se pela sombra ao sol da manhã; Deus enche de coragem, apenas, os que se esvaziam de si.

sábado, 25 de março de 2017

A Dracma e a luz

“Qual mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa, busca com diligência até achar?” Luc 15;8

Lucas registra em sequência três parábolas do Salvador: A ovelha perdida, a dracma perdida, e o Filho perdido, chamado, pródigo. Em comum, três perdas, porém, cada uma com suas peculiaridades.

Ovelha perde-se pelas asperezas do caminho, fragilidade do bicho; dracma, por desleixo da dona de casa, sujeira acumulada; o pródigo, pela independência, arroubos insubmissos da juventude.

A dona da casa da minha salvação é minha própria alma, que, por descuidar de sua mordomia, acostumar com sujeira, acaba se perdendo em ambiente impensável, pois, diverso dos predestinacionistas, somos exortados à perseverança na fé, para certeza de salvação, não herdamos sem participação. Ainda que, seja graça, daí, totalmente alheia ao mérito, vinculada apenas aos Méritos do Salvador, deriva da Soberania Divina, que, possamos escolher entre vida e morte, bênção e maldição.

Deixemos a ovelha, por ora, cotejemos a dracma com o Pródigo. Esse, malgrado sua rebeldia que o instigava a viver à sua maneira, tinha certos pruridos, que o enviaram para longe, para evitar constranger aos seus, se, vissem sua dissolução. A Dracma, contudo, tipifica o hipócrita, que, mesmo estando desviado, no coração, seu anelo pelo aplauso humano é tal, que não se furta à encenação, buscando parecer com um salvo, sabendo, no fundo, que não é.

Estar perdido, espiritualmente, sempre é trágico, quaisquer que sejam as circunstâncias; entretanto, vivendo no ambiente dos salvos, é uma patologia espiritual difícil de entender, explicar.

Quem tem uma consciência viva no Espírito, “varre a casa” todos os dias, e confessando as culpas cotidianas, abandonando-as paulatinamente, vai sendo limpo, a santificação. Na celebração da Ceia do Senhor, somos exortados a uma “varrição” solene, cerimonial antes de agirmos como membros. “Examine o homem a si mesmo, assim, coma do pão; pois, quem come indignamente, o faz para própria perdição, não discernindo O Corpo do Senhor.”

Se, adotamos o erro como modo de vida, de maneira tal, que, nem o exame de consciência diário, nem o cerimonial nos acusam mais, então, malgrado, toda nossa aparência espiritual, estamos mortos, perdidos, dentro da casa.

Uma coisa que o “Novo Nascimento” propicia, necessariamente, é a revitalização da consciência, antes, morta, cauterizada pelo pecado. Falando do Advento do Espírito, O Senhor disse que Ele nos convenceria do pecado, da justiça e do juízo. Ora, esse tríplice convencimento se dá em nossas consciências, que, antes dormiam na rede confortável da impureza, mas, uma vez despertas, cientes do que está em jogo, anseiam ser purificadas, coisa que só O Sangue de Cristo, consegue. “...o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo.” Heb 9;14

Embora sejamos atores comuns no teatro da vida, dentro de nosso ser há um combate espiritual, primeiro, no âmbito do entendimento da Vontade do Pai, depois, na disposição de cada um, ajudado pelo Espírito, passar a agir como pode, como, filho de Deus. “A todos que O receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus.” Jo 1;12

O inimigo atua para escurecer mentes; “...o deus deste século cegou entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” II Cor 4;4 Porém, O Espírito Santo reage em nós, fazendo discernir a Vontade Divina, e instando para que escolhamos obedecê-la; “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus; levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10;4 e 5

Aqui cai por terra a ideia vulgar que liberdade seja o direito de fazer o que queremos. Não. A libertação propiciada por Cristo nos dá a possibilidade de fazer o que devemos. A diferença é que, antes Dele, nem que eu quisesse agradar a Deus, poderia, pois, estava morto em delitos e pecados. Agora, sou livre, à medida que, desfrutando vida espiritual, e, auxílio do Espírito Santo, posso obedecer, porém, não sou forçado a fazê-lo. Serão compulsórias apenas as consequências, escolhas são livres.

Como saberei, se, como a dracma, estou perdido dentro de casa? Basta fazer a prova da luz. Tens ainda coisas a esconder? Ousas a exposição, mesmo com algumas falhas? “Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas, quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que, suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” Jo 3;20 e 21

quarta-feira, 22 de março de 2017

De volta pra casa

“Fez Deus as feras da terra conforme sua espécie, gado conforme sua espécie, todo réptil da terra conforme sua espécie; e viu Deus que era bom. Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança;...” Gên 1;25 e 26

Vemos o divórcio entre criacionistas e evolucionistas. A Bíblia insiste em ser categórica na exposição da Criação. Invés de apresentar a natureza evoluindo; a põe como obra acabada, “presa” ao determinismo biológico, onde, cada ser criado está fadado reproduzir-se, não, evoluir.

A sentença, “conforme sua espécie” limita-os ao que são, invés de se transformarem. Afinal, como foram criados, “Viu Deus que era bom.”

Entretanto, do ser humano foi dito: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança...” Diferente dos demais seres, acabados em si, o homem foi feito “espelho” para reflexo de Deus.

Nos soa normal, natural, vermos as demais espécies da criação, comportando-se segundo suas características próprias. Estranharíamos se fosse de outro modo. Como seria se de repente os porcos voassem? Aves se comportarem como roedores, peixes saíssem da água, etc.? Seria mui estranho, impensável, uma vez que, exibiriam qualidades alheias à espécie.

Entretanto, o homem, após a queda que o privou da comunhão com Deus, tem agido completamente alheio ao propósito original, e, pior, nem se dá conta, na maioria das vezes, que está fora do lugar.

Muitos engenhos da tecnologia podem ser adaptados para funcionarem em coisas diversas do propósito primeiro, para o qual foram criados. Porém, tais adaptações serão meras “gambiarras” de funcionamento inferior, durabilidade, também.

De igual modo, o homem, despido da Imagem Divina, ainda “funciona” por breve tempo, porém, com escala de valores muito inferior; o produto do seu agir muito aquém das possibilidades do “Modelo Original” forjado pelo Criador.

Embora, a morte espiritual não equivalha à não existência, para Deus, a perfeição que criara à Sua Imagem, deixou de existir desde a queda. Ao longo do tempo, os melhores homens que viveram, ainda foram distantes de beleza espiritual e moral legada pelo Senhor. Quando viu alguns de nobre caráter, como Samuel, Jó, por exemplo, O Criador poderia pensar: Parece um pouco, com o filho que criei, mas, está longe de exibir a face do Pai.

A nostalgia Divina em ver o filho amado na pureza que formou, durou uns quatro milênios, até que, Ele mesmo, que criara com Suas Mãos e soprara O Espírito, serviu-se do molde de barro que seguiu reproduzindo conforme a espécie, soprou outra vez Seu Espírito, para regeneração da vida perdida, e ao ver o resultado da Nova Criação, matou, enfim, a saudade. “Sendo Jesus batizado, saiu logo da água, eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E, uma voz dos céus dizia: Este é O Meu Filho Amado, em quem me comprazo.” Mat 3;16 e 17

Foi como se dissesse: Os melhores homens que viveram até agora, são meros simulacros do que criei; arremedos pobres que não fazem jus à Minha Obra; Esse sim, é Meu Filho. Paulo O chamou de Segundo Adão, atentando ao Seu aspecto funcional, não, O querendo reduzir a mera criatura, pois, disse: “Porque, assim como todos morrem em Adão, também, todos serão vivificados em Cristo.” I Cor 15;22

Esse “todos” porém, é condicional, todos que O receberem como Senhor. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que, todo aquele que nele crê não pereça, mas, tenha a vida eterna.”Jo 3;16

Assim, a “nova criação” precisa se dar com cada um, individualmente, pois, foi a vontade humana que separou Adão do Criador; a mesma vontade, é desafiada agora, a escolher O Salvador como Senhor, não mais certa cobra profeta, para, mediante novo nascimento, recebermos junto, novo espírito, e por ele, sermos transformados paulatinamente, à Imagem que O Senhor deseja. “...aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Jo 3;3

Na Cruz de Cristo é desfeita a gambiarra do inimigo, e cada um que se converte volta a funcionar pouco a pouco, segundo o “Manual do Fabricante”.

Óbvio que, pelo hábito, estamos treinados nas coisas do mundo, e precisamos reaprender as de Deus, mortificando nossa natureza, para vivermos em Espírito, e refletirmos outra vez, o Caráter do Criador. “...apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rom 12; 1 e 2

Quem faz isso, não evolui, mas, como o pródigo, sai do lixo e retorna ao Pai.

terça-feira, 21 de março de 2017

A ameaçadora verdade

“Muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas, tudo quanto disse, deste, era verdade.” Jo 10;41

Se tivermos que escolher entre o milagreiro e o verdadeiro, o último perderá extraviado, infelizmente. Mesmo a Bíblia alertando contra os “Prodígios da mentira” fartos nos últimos dias, as pessoas tendem a render-se ao sobrenatural, mentiroso, invés da hígida verdade, natural.

No fundo, um sintoma de nosso doentio comodismo. Afinal, o milagre seria um esforço “de Deus” para aparecer ante nós; verdade, requereria um desnudar nosso, para que aparecêssemos como somos; cientes de nossa feiura espiritual, não queremos.

Nos meandros da política, sobretudo, a mentira tem sido mais pujante. Determinado delator assume que doou por interesses escusos, alguns milhões a certa agremiação; presto, um dirigente da mesma publica uma nota onde afirma que tudo o que o partido recebeu foi estritamente dentro da Lei, devidamente declarado. Concomitante, aquele e os demais partidos esforçam-se em conjunto, pela anistia do caixa dois, o que é uma confissão coletiva, de que, todos são mentirosos.

O Fato de parecer, eventualmente, que a verdade nos prejudica, ou, que dela não carecemos, nos leva a avaliarmos como de pouca, ou, nenhuma importância, mas, é vital.

Suponhamos que, alguém esteja preso graças a uma acusação infundada; embora certos indícios pareçam apontar um crime relacionado ao tal, ele é inocente. Está preso de forma indevida, malgrado, não possa demonstrar. O que daria alguém assim, pela luz da verdade? Agora, a verdade seria devidamente aquilatada, pois, ao obrar livramento, salvação, perceberiam, enfim, o quão medicinal, é.

Ao considerarmos a vida meramente no teatro do humano, o verossímil basta; digo, parecermos verdadeiros soa suficiente. Entretanto, mesmo ao optarem pelo milagreiro em detrimento do verdadeiro, como afirmei acima, até dessa forma doentia, antropocêntrica, demonstram crer na existência de Deus. Isso não equivale, infelizmente, a crer em Sua Palavra, obedecer.

Num cenário de mentiras, enganos, a verdade soa como intrusa, a “Kriptonita” do espaço que pode matar ao “Super-homem”. Tanto é assim, que O Salvador denunciou: “A condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz; não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas, quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” Jo 3;19 a 21

A ética utilitarista a serviço da vida ímpia. Amaram mais as trevas porque suas obras eram más. Ou seja: Amaram a si mesmo, ao comodismo de se manterem no escuro. A insistência de Cristo em acender a Luz, O fez indesejável, pois, o que Ele é, necessariamente revela o que somos. Da samaritana revelou sua promiscuidade; ela disse: “Vejo que és profeta.”

Assim, a verdade incomoda, pois, ao recebermos a mesma, vasculha nossas casas, expõe trastes que tínhamos escondidos. Porém, como um médico que nos toma o pulso, ausculta, examina demais sintomas, diagnostica nosso mal, prescreve a cura.

Cada vez que deparamos com um feixe dessa luz, somos desafiados a uma escolha simples entre o conforto de morrermos como estamos, e o confronto de mudarmos para sermos salvos. Infelizmente, a imensa maioria de nossa geração padece a “Síndrome de Estocolmo”, onde, os sequestrados desenvolvem simpatia pelo sequestrador. Os que estão aprisionados pela mentira, defendem-na, malgrado, essa seja obreira de seu cárcere, e no final, condenará à morte.

É fácil até, citarmos o clássico: “A verdade vos libertará”; mas, o vos, foi dito pelo Senhor. Devemos dizer, antes, “nos libertará”. Pois, se não reconhecermos nossa prisão em seus domínios, nunca apelaremos ao Senhor que liberta.

Por fim, os que preferem prodígios invés da verdade, os terão em fartura, como o juízo dos que pediram carne desprezando ao Maná. Recusam sistematicamente a verdade, aliada de Deus, receberão então, o enviado do pai da mentira. “Esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, sinais e prodígios de mentira, com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.” II Tess 2;9 e 10

A mais de dois milênios a Verdade tem sido pregada, a custo de sangue, mortes, perseguições; chegará a hora, breve vem, que a Santa Paciência Divina esgotará, e dará aos homens o produto de suas escolhas.

Afinal, se, traz certo desconforto à natureza, o advento da verdade, uma vez que rasga-nos as vestes. Mas, aos convertidos que a confessam, O Eterno reveste de Cristo. Os que se contentam com engano, infelizmente associam sua sorte à do enganador, pois, “...de fora ficarão os mentirosos...”

domingo, 19 de março de 2017

O segundo batismo

“Vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo.” I Tess 1;6

O concurso de tribulação e gozo é natural, sendo a Palavra de Deus, o que é; Espada do Espírito, e, atuando num cenário adverso.

Necessariamente, a pregação idônea será desafiadora, ameaçadora, dependendo do ponto de vista. Aos pecadores perdidos, sua mensagem será um desafio à mudança, da morte para a vida, das trevas para a luz; no aspecto espiritual, ameaça de resgate, pelo Reino dos Céus, de bens usurpados, agora, presos em mãos indignas.

A reação das forças opostas, ensejará tribulação, pois, não entregarão fácil, suas presas; os ditosos que, ouvindo a Palavra se renderem, sendo libertos, conhecerão gozo espiritual único, um refrigério pelo perdão como recebeu o pródigo, uma paz que, só a conversão propicia.

A Parábola do Semeador registra o concurso das “aves dos céus” que comem a semente; (espíritos malignos que cegam a compreensão) das “pedras” que impedem o crescimento da planta; (ignorância quanto ao custo da salvação, a cruz ) dos espinhos; ( uma fé imperfeita que invés de se entregar totalmente ao Salvador, acrescenta cuidados humanos, temporais ) por fim, a boa terra, que produz com fartura; os que ouvem, creem e obedecem.

Infelizmente, graças a ministros mercenários, a Palavra da Vida tem sido equacionada a coisas, com quais, não têm relação; facilidades tecnológicas que trazem tudo instantâneo, nos acostumaram a uma velocidade que não se verifica na vereda da salvação; a ênfase no fato que Deus é bom, tem levado muitos a buscar essa bondade no tempo, não, no modo, que cuida dos que ama. Aí, prometem coisas, aprazam, sete sextas-feiras, doze cultos, disso ou daquilo, e, o “fiel”, cumprindo tais agendas, terá feito sua parte; desde então, a contrapartida se torna uma “dívida” de Deus.

Ora, o livramento é bem, imediato, o gozo da salvação, a libertação dos poderes espirituais da maldade que aprisionam; ouvindo alguém, e crendo na Palavra, a bênção se verifica na hora, mediante o gozo espiritual que propicia.

Entretanto, o Governo do Eterno não é como governos humanos, onde, leis são imperfeitas, muitas vezes, casuísticas, e podem ser mudadas a toque de caixa, como nas atuais manifestações contra a reforma da previdência, por exemplo. Cidadania Celeste, posição dos convertidos, insere num Reino, não, numa república; quem Governa é O Rei dos Reis, Senhor do Universo, pleno de bondade e sabedoria. Suas leis não precisam ser emendadas, tampouco, cede ao casuísmo do tempo, pois, mesmo esse, obedece ao Nosso Rei, que é Pai da Eternidade.

Após a bênção da salvação, temos um “segundo batismo” tão mal entendido, sobretudo, no meio pentecostal. Esses, não todos, é certo, equacionam o batismo com fogo, como se fosse o mesmo do Espírito Santo. Não. João Batista os apresentou como coisas distintas, quando disse que, O Messias batizaria com O Espírito Santo, e, com fogo.

O primeiro é um revestimento espiritual que nos capacita a agirmos, agora, como filhos de Deus. “A todos que O receberam, deu-lhes ( O Espírito Santo ) o poder de serem feitos filhos de Deus.” Jo 1;12 O segundo, com fogo, é o concurso das aflições, seja pela ação das “aves dos céus” que não desistem, seja, pelos maus hábitos da nossa natureza caída, que estava treinada na larga avenida dos pecados, e agora, precisa aprender a senda estreita da santificação.

O próprio Senhor usou essa figura: “Vim lançar fogo na terra; que mais quero, se está aceso? Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, antes, dissensão; porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, o filho contra o pai; a mãe contra a filha, a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, a nora contra a sogra.” Luc 12; 49, 51, 52 e 53

Conversão não é upgrade, é mudança radical, de um senhor a Outro, da maligno ao Santo. Necessariamente, pois, dado o contexto em que ocorre, enseja o concurso de tribulações e gozo. Esse gozo espiritual é tão superior ao natural, que das perseguições e oposições faz combustível para ser inda mais ousado no Senhor, como foi Paulo, após ter sido açoitado em Filipos. “...depois de termos antes padecido, sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate.” I Tess 2;2
Mesmo assim, vale muito à pena, como ensinou o mesmo Paulo: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” Rom 8;18

segunda-feira, 13 de março de 2017

O censo e os insensatos

“... pelo número dos nomes dos de vinte anos para cima, todos os que podiam sair à guerra, foram contados deles, da tribo de Judá, setenta e quatro mil e seiscentos.” Núm 1;26 e 27

Números, o Livro dos censos de Israel, e uma nuance de como era contado o povo. Apenas, homens, de vinte anos para cima, que poderiam ir para guerra. Não se trata de menosprezo às mulheres, adolescentes, ou, crianças, mas, de uma postura prática em relação ao contexto de então.

Em caso de ameaça externa, deveriam saber, com qual montante contavam, para, a partir daí, planejarem sua estratégia. Jesus mencionou isso, de passagem; “Qual é o rei que, indo à guerra pelejar contra outro, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se, com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, pede condições de paz.” Luc 14;31 e 32

Entretanto, O Salvador usou esse incidente como símile de algo novo que propunha; Como um rei dos antigos calculava seu exército e do inimigo, antes de dar um passo decisivo, deveriam, os candidatos a discípulos, medirem os custos e benefícios, antes da ousada empresa. “Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.” V 33

O “exército inimigo” a carne, vem sempre com um pelotão de elite de maus desejos, aos quais, está habituada; nossas fraquezas prediletas são nossos “boinas verdes”, duros de matar.

O Salvador nos garante a vitória se, entregarmos a Ele o comando e usarmos na peleja, Sua arma poderosa, a cruz. Nela, cada mau instinto deve ser mortificado, pois, quando A Palavra diz que não devemos lutar contra carne e sangue, refere-se à perseverança do salvo, que já deu o passo em direção a Cristo, e será atacado por forças espirituais opostas; contudo, essas, têm no combate, sua “cabeça de ponte” em linguagem militar, o ponto de acesso, nas más inclinações de nossa natureza.

Agora, não há distinção de idade, nem, sexo; todo convertido é combatente nas fileiras de Jesus. “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” Gál 3;27 e 28

Sermos Um em Cristo seria nossa vitória. Contudo, muitas vezes nos desgarramos do Senhor, acossados por anseios naturais inda não crucificados, invés de priorizarmos as coisas de cima, o “Tesouro no Céu,” como Ele ensinou, ainda nos pesam os cuidados dessa vida como prioritários. Na parábola do Semeador o Senhor ilustrou essa postura como a semente que caíra entre espinhos; não frutificara com perfeição.

Paulo, por sua vez, também usou uma metáfora marcial para exortar-nos a uma postura que agrade Nosso Senhor: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. Se alguém milita, não é coroado se não militar legitimamente.” II Tim 2;3 a 5

Infelizmente, grande parte da dita igreja atual, ensina recrutas a calcularem os despojos, os lucros, não os riscos do embate. Se a coisa não se der nos termos do Senhor será ilegítima, portanto, nula, qualquer pretensa vitória.

O Senhor não se impressiona com multidão, barulho, ativismo e tolices afins. No dia da invasão midianita chamou a Gideão, esse, tocou as trombetas e reuniu mais de 32 mil soldados. O Eterno os testou em dois quesitos: Coragem e prudência; restaram apenas trezentos. Com esses, Ele deu a vitória.

Não é diferente a coisa em nossos dias. As trombetas do “gospelismo” moderno, uma vez tocadas, aglomeram multidões. Temos vistosas “Marchas pra Jesus”, Carnaval gospel, Funk gospel, prosperidade material, idolatria de ministros e artistas etc. Mas, teste-se os tais, na coragem de tomar a cruz, na prudência de obedecer a Palavra, e outra vez, O Senhor terá que contar com mui poucos.

Se, nos censos pretéritos apenas os aptos a irem para a guerra contavam, ainda é assim. O Exército de Deus não tem pelotão de elite; é todo de elite. Gente corajosa e prudente que marcha após o Poderoso General, rumo à Nova Jerusalém.

E, por um lado, a salvação é de graça, acessível a “toda criatura”, por outro, não existe bolsa indulgência, bolsa resgate, etc. para gente omissa, preguiçosa espiritual a devanear que, uma vez que Cristo tomou a cruz por nós, está tudo feito. Não. Está feito o que não poderíamos, nem merecíamos; o que podemos, devemos, senão, o Censo do Céu, nos deixará de fora da conta.

domingo, 12 de março de 2017

Digitais da fé

“Quando o Senhor edificar a Sião, aparecerá na sua glória.” Sal 102;16

O aparente conflito entre fé e vista se estabelece quando, incorremos nalguma confusão contextual. Quando a Palavra diz que, “não andamos por vista, mas, por fé”, equivale a afirmarmos: Mesmo que as circunstâncias apontem em rumo diverso do que creio, não me deixarei dissuadir por elas.

Isso não significa que coisas visíveis não valham nada; apenas, como diz o adágio, aparências enganam, por outro lado, “Quem crer não será confundido”. Se, a fé, em parte despreza à vista, seu produto salta aos olhos, uma vez que, mudando o ser, necessariamente muda o agir; esse, se dá no plano visível. “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mat 5;16

Infelizmente, a faculdade que deveria ser aio para conduzir muitos à salvação, a visão, tem obrado em sentido oposto, dado sofrer a febre da vontade. Vendo pessoas de pretérito sujo, congregando entre os salvos vivendo nova vida, muitos depreciam apontando para trás, como se, para ser salvo alguém devesse ter alguma credencial a mais, que, estar perdido.

Ora, ser tirado da lama e vertido em adorador é ensino bíblico, deveria saltar aos olhos ensejar emulação salvadora, invés de crítica barata, superficial. Ouçamos Davi: “Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs meus pés sobre uma rocha, firmou meus passos. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos, verão, temerão, e confiarão no Senhor.” Sal 40;2 e 3

À mudança da lama para a Rocha, deveriam aprender a confiar no Senhor, mas, a vontade costume ver o que quer, aí, é ela que engana, não, a aparência.

Quando perguntado sobre tempos, sinais, da Sua Vinda, a primeira coisa que O Salvador disse foi: “Vede que ninguém vos engane.” E, nada mais enganável que a visão, filão que faz a fortuna dos ilusionistas profissionais.

O fato de mecanismos de vídeo terem se tornado acessíveis, comuns, tem nos tornado também, superficiais, pueris, incapazes de uma análise crítica da vida, das escolhas. Um texto como esse demandaria de cinco a sete minutos de leitura, dependendo do ritmo de cada um, ora, isso é uma “eternidade”. Daria para rir, apreciar ou depreciar umas dezenas de vídeos, invés de perder tempo numa introspecção assim, tão carrancuda.

Os cérebros que usam todo o potencial que conhecem, inda são limitados; que dizer dos que “navegam” como se, comendo peixe; onde, fazem das reflexões, espinhos, e das tolices, alimento? Não é de se admirar que a presente geração cultue como ídolos uma leva de imbecis tatuados, cujo talento é saber apertar botões, e sua “poesia” traz pérolas tipo: “Meu p.. te ama”.

Reflexão é paladar adquirido, não nasce fortuita, requer certo esforço. Esse “positivismo” filosófico, onde, nos interessa apenas, o “como”, não, o porquê, tem nos tornado destros em cultura inútil, e alienados da Fonte da Vida, Deus.

Sua Palavra tem sido ignorada, e perfeição da Sua Obra, desviada, tributada ao acaso. Invés da inverossímil Teoria da Evolução, a natureza grita louvores ao Criador, mas, além de cegos, estamos surdos. “Porque, suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto, seu eterno poder, quanto, sua divindade, se entendem, claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes, em seus discursos se desvaneceram, seu coração insensato se obscureceu.” Rom 1;20 e 21

Assim, se a fé não anda por vista, o que está visível corrobora a revelação, na qual, ela se firma. De Moisés se diz que deixou o Egito, “Firme como quem vê o invisível”. Isso é confiança irrestrita no Senhor, que, tendo criado tudo que vemos, bem pode criar algo novo, se quiser, em atenção aos que Nele confiam, como fez no deserto, aliás, fazendo cair Maná.

O que vejo convence minha lógica, e, se me firmo nisso, apenas, anulo Deus e Suas possibilidades, nego a fé. Isso foi a queda. O homem em si, alienado de Deus. A fé dá um pé na bunda de si, o intruso, “Negue a si mesmo” e recoloca O Senhor no Trono.

Fazer isso requer uma cruz, na qual, as más inclinações devem ser pregadas todo dia. Pois, pecar não é paladar adquirido; após a queda, é nossa inclinação natural.

Todavia, os que se arrependem, mudam, paulatinamente começam a conhecer o prazer de ser livres, a leveza de uma consciência em paz. Creram de ouvir, no que não viram. Porém, se fazem pacientes de uma transformação tal, que suas vidas se tornam, como a criação, eloquentes anunciantes do Criador.

sábado, 11 de março de 2017

Esperança e fé

“Mas, o justo viverá da fé...” Heb 10;38 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...” Heb 11;1

Embora, em muitos casos apareçam amalgamadas, fé e esperança são coisas distintas. Esperança são meus anseios fixos em algo; fé, minha confiança firme em Alguém. O “algo” eu decido esperar; O “Alguém” é sábio para escolher o melhor para mim, capaz de ir “além do que pedimos, ou, pensamos.” A esperança nem sempre se realiza, contudo, a “fé não costuma faiá” como diz numa canção.

Tanto são coisas distintas, que Paulo as apresenta assim: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor...” I Cor 13;13

Nem sempre são as promessas que ensejam a esperança, antes, nossa interpretação equivocada das mesmas, que nos leva a esperarmos o que não se cumprirá. Quando uma promessa diz que, “todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus;” pensamos logo no bem, a arte-final, Divina, não, no layout, nas vicissitudes adversas de sofrermos “todas as coisas.” Malgrado, chamados à eternidade, somos imediatistas.

Paulo deu uma palhinha de como incidem sobre os santos, todas as coisas: “Sei estar abatido, também, ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, quanto, ter fome; tanto a ter abundância, quanto, padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” Fp 4;12 e 13

Inda que a esperança fixe sua lupa em alvos sadios, é a fé, que empresta a têmpera necessária para suportarmos o processo do aperfeiçoamento, segundo Deus.

Na galeria dos “Heróis da fé” temos lapsos de esperança. Triunfaram eles, na fé, mas, nem sempre, o que esperavam, se cumpriu. “Todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.” Heb 11;39 e 40 Esperavam no seu tempo, a promessa, e descobriram que devem esperar por nós, para que alcancemos juntamente.

A imensa maioria do que se rotula fé, em nossos dias, é apenas esperança, quase sempre, malsã. A coisa gira em torno de conquistas efêmeras, chave disso, daquilo, facilidades ausentes na Palavra, cujo merecimento deriva de se escrever “amém” ou, compartilhar da mesma cobiça. A fé não depende da esperança, como mostrou Abraão: “O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que, tornou-se pai de muitas nações...” Rom 4;18
Contudo, a esperança é uma coisa boa, à medida que injeta certo ânimo em seu hospedeiro, e se revela firme, se, tal, apostar suas fichas estritamente no que foi prometido. “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos firme consolação, nós, que pomos nosso refúgio em reter a esperança proposta.” Heb 6;18

Notemos que o autor usa o termo, “reter”, que traz a ideia de ter de novo. Sim, nossas ilusões e precipitações tendem a aprazar o tempo em que nossas esperanças se cumprirão; falhando tal prazo, sempre há o risco de a esperança murchar, perder-se. Por isso, é preciso reter, cientes do que nos foi prometido, devemos estar certos, também, que o dia para cumprir a promessa cabe a Deus. Seus “Cheques” não atinam ao tempo dessa vida, meramente, antes, extrapolam a ela, dispõem da eternidade para o “pagamento.” “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Cor 15;19

Claro que essas coisas todas fazem sentido para salvos, os demais, inda não se apropriaram do básico, mediante a fé, a salvação. Embora a Palavra testifique que “não há um justo sequer”, os que receberam ao Senhor, pela Sua Justiça são reputados justos; além de perdoados herdam a Justiça do Salvador. Esses devem viver pela fé. “O justo viverá da fé.” Não é um adendo abstrato, um, algo mais, sofisticando a senda de alguém, antes, um modo de vida.

Essa fé seletiva, que crê em todas promessas e ignora os ensinos, exortações, advertências, não passa de enfermidade, esperança doentia que não se cumprirá. Quem negocia porções da Palavra da Vida, para ser socialmente aceito, politicamente correto, mostra sua fé no aplauso humano. Quem crê em Deus, deveras, espere, além do cumprimento das promessas, no fim, uma caminhada árdua, de rejeição, tentações, rótulos depreciativos como, radical, retrógrado, fundamentalista, etc.

Sendo o mundo tal qual é, inimigo de Deus, tanto quanto, mais nos identificarmos com nosso Pai, menos aceitação social teremos. A Luz de Deus incomoda olhos acostumados às trevas.

Enfim, não há necessidade de esperança e fé se divorciarem; basta que esperemos segundo a Palavra, na qual, a fé nos ensinou a crer. Pois, “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...”

sexta-feira, 10 de março de 2017

Brasília em Chamas

Houve um tempo, bem remoto, aliás, em que o Congresso Nacional dividia-se em duas partes; Situação e Oposição. Os primeiros, davam sustentação ao governo, enquanto, os demais, mantinham uma postura crítica. O número de partidos era razoável, nem perto da miscelânea atual. De acordo com as conveniências, cada sigla, alinhavam-se a um lado, ou, outro.

Hoje, dado o fisiologismo corrupto, temos tantos partidos, que, duvido que alguém, por em informado que seja, consiga dizer todos de memória. Pior, igualmente difusa é a ideia de lados opostos, pois, graças ao envolvimento de todos em malversações, invés de visões opostas sobre o melhor para o país, têm interesses comuns, atinentes ao melhor para eles. Em outras palavras, estão no mesmo barco, corrupção; temem a mesma onda, Lava-jato. Assim, associam-se lobos a chacais, no afã de legitimarem ao ilícito, cortarem as garras da Lei, para que esses oligarcas do lixo sigam impunes, a despeito do mal feito.

Quando o alvo das críticas era o PT, pois, estava no poder, eivado de corrupção, diziam que outros também estavam envolvidos; nunca duvidamos. Sempre disse que, não tinha bandidos de estimação, tipo: “Fulano é meu amigo; mexeu com ele, mexeu comigo.” Minha posição, quando mencionavam possíveis ilícitos de Aécio, FHC, etc. era de que, uma vez comprovada a culpa, pagassem por ela. Confesso que, de minha parte, a crítica ao PT era muito ácida, afinal, surgiram para ser dique, combater a corrupção, e se tornaram represa; apropriaram-se dela e ampliaram como “nunca antes na história deste país”.

Pois bem, através das delações premiadas o que está vindo à tona é que mui poucos escapam da roubalheira; além dos “confirmados”, Renan, Sarney, Jucá, Cunha, cúpula do PT inteira, Aécio estaria no mesmo barco, bem como, Serra e Alkmin. Meu discurso segue o mesmo; não tenho ladrões preferidos, abomino todos, que paguem pelo que fizeram.

Entretanto, dois homens que eu respeitava, Gilmar Mendes e FHC, em seus discursos têm se mostrado mais alinhados aos figurões de Lixópolis, que aos ditames da ética, probidade, justiça. Tentam atenuar ao famigerado Caixa Dois, dizendo ser apenas um erro, não, um crime. Afinal, argumentam, uma coisa seria usar dinheiro ilícito para comprar joias, iates, ou, outros bens; outra, usar isso como recursos de campanha para a reeleição. Cáspita!!! Se alguém me chutar o saco, tô nem aí se foi com tênis Nike ou Adidas, parto a cara do sujeito se eu puder!

Todo dinheiro ilícito que eles malversam é nosso. Do meu ponto de vista, acho que seria menos danoso, se, um pulha desses, tendo desviado um milhão, comprasse um iate para si, invés de comprar um canalha, ladrão e corrupto, para nós. Se o safardana está disposto a gastar uma fortuna para se manter no cargo, deve amar muito nosso país, ou, saber que será possível ressarcir os gastos com o “lucro” durante o mandato. Aposto minha vida na opção, “B”.

Pobre país, tão ruim de infra estrutura, estradas, educação, empregos, e tantas carências mais, que fariam necessariamente a pauta de um Congresso cívico, probo, com um mínimo de vergonha na cara. Entretanto, as muitas negociatas escusas que estão vindo à luz, têm posto aqueles a lutar por impunidade, malgrado, tenham sido eleitos para lutar por desenvolvimento.

Há muito a coisa deixou de ser partidária, ou, pontual. A corrupção é sistêmica, generalizada, e nenhum dos três poderes escapa. Não fosse a grande visibilidade mediante as mídias alternativas, e eles abafariam tudo num “acordão” noturno, e seriam “felizes para sempre”. De bom grado anistiarão a todos, se puderem, como tentaram deturpar as dez medidas, e o povo chutou o balde.

Imbecis amorais e imorais, poderão comemorar o nivelamento por baixo, com envolvimento de adversários em corrupção; um cidadão consciente vai comemorar quando todos forem presos, de qualquer sigla.

Todavia, é insano acreditar que vampiros doem sangue. Honestamente, não creio que, pelas vias institucionais se faça justiça, pois, isso demandaria que os insetos contratassem uma dedetizadora.

Dada a justa e tardia revolta popular contra essa sujeira toda, penso que, irremediavelmente rumamos a um regime de exceção, o qual, por pior que venha a ser, inda será infinitamente, menos danoso, que a roubalheira atual.

Faltam insumos morais em nossas famílias, sociedade; o caráter do cidadão comum é bem ruim, na média. Acho mui simplista a acusação de que não sabemos votar; isso equivale a supor que havia muitos probos que não foram eleitos, lamento, mas, não é bem assim.

O que não sabemos, mesmo, e escolher valores, princípios, e, em Brasília, nossa omissão eleva-se ao superlativo.

“Às vezes, quando considero as tremendas consequências advindas das pequenas coisas ... sou tentado a pensar ... não existem pequenas coisas” ( Bruce Barton )

segunda-feira, 6 de março de 2017

O Nome

“Nos seus dias Judá será salvo, Israel habitará seguro; este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O Senhor Justiça Nossa.” Jr23;6
“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, dará à luz um filho, e chamará seu nome Emanuel.” Is7;14 “Dará à luz um filho e chamarás seu nome, Jesus; porque ele salvará seu povo dos seus pecados.” Mat 1;21


Em atenção aos que pensam ser indispensável o conhecimento do Nome Próprio do Senhor, respeitosamente, os motivos de minha divergência. Como vimos, três nomes diferentes, todos referindo-se ao Senhor. Quem conhece as Escrituras sabe que há mais de uma dezena de nomes ainda, pelos quais, O Eterno é chamado. Senhor, Eterno, Criador, Santo, Altíssimo, Deus que Cura, Deus provedor, etc.

Se fosse tão cioso da grafia de determinado nome, não teria permitido o uso de tantos, que poderia ensejar confusão. Dizem, mestres do Hebraico, que Yeoshuá, tanto serve para Josué, quanto, Jesus, numa versão grega. Sim, Jesus Cristo é a tradução grega de Yeoshuá ha Mashiah; se fosse para o português, seria: Salvador Ungido. Para alguns, nomes não se traduz, em parte, isso é verdadeiro. Se, John Travolta vier morar no Brasil, não se tornará João. Contudo, Elias, Eliseu, Ezequiel, Jeremias, Isaías, Paulo, João, etc. todos foram vertidos para nosso idioma, pois, a ideia é facilitar, invés de dificultar.

Pela mesma razão, temos a Bíblia impressa em capítulos, versos numerados, diverso dos originais, para acesso rápido aos mesmos.

Seria irônico, injusto, até, tendo sido Deus que operou a confusão de línguas, condenar, por capricho, alguém, por um lapso linguístico apenas. Quem conhece O Senhor jamais pensaria isso do Santo.

Quando se refere ao Santo Nome do Senhor, atina à Sua Pessoa bendita, Seu Caráter Excelso, Sublime, não, a determinada grafia. Por exemplo, se alguém me chamasse de Lionel, mesmo estando errado, não me incomodaria; talvez, achasse engraçado; porém, se o mesmo saísse espalhando alhures, calúnias a meu respeito, isso despertaria minha ira, pois, estaria maculando meu nome. Somos zelosos da reputação, não, da grafia.

Igualmente Deus. O Salvador jamais mencionou a importância da escrita, sempre o fez, em relação ao caráter; Disse: “Porque me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que mando”? Chamá-lo Senhor não era errado, mas, deixar de agir como servos, sim. Paulo foi expresso quanto a isso. O Simples professar O Nome, requer de nós, separação do mal, obediência, para que, o não profanemos. “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus; qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” II Tim 2;19

Conheci gente que dizia inválido o batismo, “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”; afinal, argumentavam, “Filho” não é nome. Bem, Foi, justo, O Filho do Homem, que ordenou assim. Ver epílogo de Mateus.

Outros que em Atos, batismos eram apenas “Em nome de Jesus” portanto, deveríamos fazer assim. Ora, em Nome, equivale à “Na autoridade Dele, como Ele ordenou”; isso atina à razão, não, à forma.

Com o devido respeito, pois, há tantas falhas graves no espectro doutrinário da igreja moderna, tantos ladrões, mercenários, malversando à Palavra para ganhar dinheiro simplesmente, que, ignorar isso, e voltar nossa artilharia para coisas irrelevantes que nem Deus se importa, seria, “coar um mosquito e engolir um camelo.”

Não se entenda, contudo, que acho irrelevante O Nome do Senhor: antes, que Ele, jamais mencionou isso, que deveríamos escrever certo.

Em Apocalipse menciona um novo nome para os salvos, e também para si. “...Ao que vencer darei a comer do maná escondido, dar-lhe-ei uma pedra branca, na pedra, um novo nome escrito...” “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também, meu novo nome.” Apoc 3;12

Notemos que, os Nomes escritos nos Salvos, o serão, por Ele. Então, nenhum risco há, de que esteja errado, seremos telas, não, pincéis. 

Entretanto, enquanto estamos a caminho, as decisões são tomadas por nós; o risco não é errarmos letras, mas, profanarmos a Santidade Dele. “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” Heb 10;22

Cada dia que vamos à luta, o teatro da vida nos apresenta diversas cenas, onde, tanto podemos honrar, quanto, Profanar O Santo Nome; com nossas ações, mais, que, palavras. Façamos bonito, e honremos O Nome Excelso de nosso Amado!

domingo, 5 de março de 2017

Pais e filhos

“Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução, nem, são desobedientes.” Tt 1;6

Paulo aconselhando Tito sobre a escolha de ministros para as igrejas de Creta, buscando as qualidades do pai refletidas na criação dos filhos. Muito embora, cada ser humano seja um indivíduo arbitrário, único, por certo, qualidades, ou, defeitos dos pais se refletem na formação dos filhos.

O ensino, inegavelmente tem seu valor, porém, nada mais penetrante, mais eloquente, que o exemplo. Ninguém mais influenciável, permeável ao exemplo, que os filhos, dada a proximidade, o convívio. Assim, salvo, raras exceções, os caracteres dos filhos são reflexos dos pais.

Encenação, hipocrisia, podem até enganar ostentando teatralmente virtudes ausentes, em se tratando de pessoas de convívio esporádico, eventual; porém, numa relação full time, como, entre pais e filhos não é possível encenar.

O exemplo é um didata paralelo, um estímulo extra para motivar às boas escolhas, mas, por si só, não basta. Aí, entra a correção, a disciplina. Essa, contudo, perde eficácia desprovida do acessório do exemplo. Ou seja: Não pode um pai disciplinar um filho por cometer determinado erro que, ele também comete; desse modo, seu exemplo desautoriza a pretensa disciplina.

Não há registro que o sacerdote Eli fosse profano no exercício de sua ocupação; contudo, seus filhos eram, no tocante às coisas consagradas. Ele se fez relapso na disciplina, apenas repreendendo tenuemente, quando, deveria ter exercido sua autoridade de Pai. Mediante um profeta O Senhor disse que ele honrava a seus filhos, mais que a Si. “Por que pisastes o meu sacrifício e minha oferta de alimentos, que ordenei na minha morada, e honras a teus filhos mais do que a mim, para vos engordardes do principal de todas as ofertas do meu povo de Israel?” I Sam 2;29

Essa grave negligência paterna custou seu sacerdócio, e a vida de seus dois filhos, Hofni e Finéias. As promessas de bênçãos no tocante a nós são condicionais, dependem de nossa permanência no propósito Divino, senão, já era. “Portanto, diz o Senhor Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém, agora diz o Senhor: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém, os que me desprezam serão desprezados.” V 30

Os maus filhos não apenas denunciaram ao mau pai, eles fizeram mais: Puseram a perder o sacerdócio dele, as próprias vidas, e motivaram O Eterno a revogar uma promessa para toda a linhagem, por ter sido, O Santo, desonrado.

Desse modo, todo pai que, sabedor que Deus deseja ensino, disciplina, se omite para não “fazer mal” aos pequenos, no fundo, honra-os mais que a Deus.

Ora, a correção, a disciplina nunca é agradável no seu plantio, antes, fere uns e outros; mas, sempre é alegre o resultado de sua colheita. “Na verdade, toda a correção, no presente, não parece ser de gozo, senão, de tristeza, mas, depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” Heb 12;11

Isso é tão sério que, a Bíblia usa uma linguagem dura para definir os avessos à disciplina: “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há que o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, não, filhos.” Heb 12;7 e 8

Em nossos dias, O Estado, esse gigante corrupto e imoral, arvora-se onde não lhe cabe, querendo ingerir na relação de pais e filhos. Mediante agentes amorais, quiçá, imorais, cria mecanismos que visam tolher a salutar correção paterna, como, a famigerada “Lei da Palmada” onde, um pai pode ser preso se der uma palmada num filho rebelde. Ora, a Constituição, parâmetro das ações do Estado diz que é livre a opção religiosa de cada um; na minha, a Bíblia, diz que, um pai que ama, corrige, até com vara, se necessário. Portanto, uma lei inconstitucional, contraditória, que, não preciso cumprir.

Que o Estado lave-se de sua muita sujeira e corrupção, antes de pretender nos ensinar valores que desconhece. Criação de filhos, transmissão de princípios, valores, é tarefa dos pais, intransferível. E, como vimos no princípio, filhos dissolutos desqualificavam aos pais para o ministério espiritual.

Infelizmente, a maioria dos pais de nosso tempo não tem moral para cobrar postura decente dos seus filhos, pois, falta o tempero do exemplo. Aí, posam de modernos, liberais, para mascarar a própria vergonha de terem falhado no processo de formarem filhos corretos.

Como as sementes das plantas lá do Gênesis, estamos fadados a reproduzir, “Conforme a espécie.” Quem não gosta do som do eco, deve mudar o grito.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A Obra; as obras

...Que faremos para executar as obras de Deus? Jesus respondeu: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que Ele enviou.” Jo 6;28 e 29

Os interlocutores do Senhor se dispunham a um trabalho plural; “obras de Deus.” Entretanto, foi apresentado um desafio singular. “A Obra de Deus é Esta: Que creiais...” Isso deve ter facilitado as coisas, ou não?

Bem, tendemos a ser varejistas, onde O Criador é Atacadista. Digo, Ele trata primeiro coisas mais relevantes, num prisma geral; depois, as menores, no particular. Assim, quando João Batista apresentou O Messias, o fez, nesses termos: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” Notemos a singularidade uma vez mais; “O pecado”.

Uma série inumerável de pecados acontece a cada segundo num mundo tão autônomo, despido de valores como esse; contudo, o que estava em jogo na Cruz de Cristo, era o pecado da rebelião contra O Domínio de Deus; a independência sugerida pelo traíra. Qualquer que, ouvindo a Boa Nova se arrependa e confesse, deixa “O pecado”, da rebelião, embora, ainda cometa muitos pecados.

O convertido reconhece o Senhorio do Eterno, pois, mesmo estando inda refém, pelo hábito, dos pecados, o pecado da autonomia, já foi deixado. O abandono gradativo dos erros, o processo de santificação, é algo que, nos acompanha por toda a vida.

Do ponto de vista de Deus, a questão do pecado está resolvida; tanto que, ao vencer, O Salvador disse: “Está consumado!” Porém, no tocante a cada um de nós, toda vez que erramos o alvo, restam pendências espirituais, que mediante nosso Advogado, precisamos dirimir. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de toda a injustiça.” I Jo 1;9

Dito isso, a questão da Obra e das obras segue rumo paralelo. A Bíblia não chama uma boa obra do ímpio, de má; antes, de obra morta, uma vez que, assim está espiritualmente seu protagonista. 

Outro dia deparei com uma zombaria de ateus escarnecendo do que chamaram de “lógica cristã”, onde, um de vida torta, más obras, se converteu perto da morte e foi salvo; outro, de muitas boas obras, morreu e se perdeu “apenas” por ser ateu.
A ignorância prudente até posa de sábia, à sombra do silêncio; mas, quando perde a modéstia, se faz engajada nas suas trevas, invariavelmente cai no ridículo.

Sua ênfase era tal, que pareciam ter achado nosso “Tendão de Aquiles.” Ora, obras só contam depois “da Obra”; “que, creiais naquele que Deus enviou.” Esse passo, transporta da morte para vida, e, vivendo, devemos sim, praticar boas obras, como testemunho da regeneração, não, como meio de patentear pretensa justiça própria. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais, Deus preparou para que andássemos nelas.” Ef 2;8 a 10

A implicação da incredulidade é blasfema, pois, equivale a chamar Deus de mentiroso. Por isso, os incrédulos são vistos em companhia de outros não muito recomendáveis, vejamos: “Mas, quanto aos tímidos, incrédulos, abomináveis, homicidas, fornicadores, feiticeiros, idólatras e a todos os mentirosos, sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.” Apoc 21;8

Em Cristo, a Obra de Deus propõe um segundo nascimento, ou, novo nascimento, “da água, (Palavra) e do Espírito;" mas, os que recusam crer preservam a atual morte espiritual, e rumam à segunda morte, a separação eterna do Criador.

Se, o prisma é a lógica, e, a sentença pelo pecado, a morte, me soa cristalinamente lógico, que, enquanto o pecado não for tratado pela “Obra de Deus”, estejam necessariamente mortas, as melhores obras humanas. Após a conversão, até dar um copo d’água terá galardão.

Enquanto incrédulos recusam O Dom de Deus, recebem compulsoriamente Sua Justiça. “Porque o salário do pecado é a morte, mas, o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” Rom 6;23

Cornélio, o romano, tinha muitas obras boas, entretanto, não bastaram para que fosse salvo; Pedro foi enviado a ele, para que anunciasse Jesus. Ele creu; foi salvo.

É possível que um morto bem maquiado tenha melhor aparência que um maltrapilho, sujo. Porém, esse está vivo. Assim, o que crê, por ruim que seja seu pretérito, recebe o presente da vida; o incrédulo por boas que tenham sido suas ações, rejeitando “A Obra de Deus”, trai a si mesmo. O Túmulo de mármore ainda é um túmulo.

Ninguém eleva-se do solo puxando os próprios cabelos; “sem mim, - disse O Salvador - nada podeis fazer”.

quinta-feira, 2 de março de 2017

O trabalho e os cães arrependidos

O Espírito e a esposa dizem: Vem. Quem ouve, diga: Vem. Quem tem sede, venha; quem quiser, tome de graça da água da vida.” Apoc 22;17
Como vemos nesse, e, em muitos textos mais, Água da Vida, deve ser distribuída sem custo. Porém, muitas igrejas modernas parecem privadas da mesma; aí, substituem por um simulacro, para o qual, têm taxas extras para bombear de seu “volume morto”, das profundezas poluídas das suas barragens de cobiças; aí, passam a vender o que não possuem, a incautos que pagam pelo que não irão receber.

Não me refiro a obrigações elementares, que são bíblicas e necessárias para manutenção do trabalho, mas, à rapina desavergonhada dos mercadores, tão em voga nesses difíceis dias que vivemos. Mesmo o trabalho sendo uma bênção, a maioria das pessoas devaneia fugir dele, achar alguma forma, um “salto” que permita viver livre das garras desse “feitor” de progresso. Basta observar as filas nas lotéricas, para constatar que falo a verdade.

Assim, os mercenários góspeis, cientes dessa deformidade humana, a exploram, prometendo prosperidade mediante mandingas, ofertas “semente-de-fé”, campanha disso ou daquilo. A vulgar e doentia ideia de “semear” na “lavoura de Deus” para ceifar cem vezes mais. Mas, diria alguém, não é bíblico que ceifaremos conforme o plantio? É. Porém, o aferidor é a motivação com a qual foi semeada, em cima dessa, os “semeadores” ceifarão.

Ceifar diferente do plantio, foi equacionado por Paulo, com escarnecer do Criador; pois, determinou que cada semente reproduzisse conforme sua espécie. Assim, sentenciou: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo que o homem semear, isso, ceifará. Porque o que semeia na carne, da carne ceifará corrupção; mas, o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará vida eterna.” Gál 6;7 e 8

Quem, invés de buscar aperfeiçoamento, santificação, devaneia com matéria farta, malgrado os vícios da alma, ainda não tratados, semeia na carne, ou, no Espírito? Ora, os que nasceram de novo são instados a buscarem coisas de cima, ajuntarem tesouros no Céu; os que, seguem mortos carecem urgentemente, Água da Vida, para que passem a viver, como ensinou O Salvador. Senão, tanto faz serem prósperos ou não, dada sua indigência espiritual.

Óbvio que cada um só pode dar do que possui; e, a impressão que certos “ministros” nos passam é que, sequer, convertidos são, pois, tendo conhecido a Bendita Face do Senhor, não estariam mais mirando sôfregos para a efígie de César. Aos mortos, a tarefa de sepultar seus mortos, disse Jesus; aos salvos, a nobre missão de gerar novos salvos, via testemunho, pregação. Por isso, “Quem ouve, diga: Vem!” Ou seja, que já ouviu Ao Senhor, bebeu da Água da Vida, foi salvo, pode também ser partícipe da missão de anunciar a outros a Luz do Salvador.

Embora alguns defendam a tese do, “uma vez salvo sempre salvo” negando a possibilidade da queda de um vero convertido, a Bíblia afirma, expressamente, e, adjetiva aos tais, de cães arrependidos, vejamos: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas, vencidos, tornou-se o último estado pior que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi dado; deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao próprio vômito, a porca lavada ao espojadouro de lama.” II Ped 2;20 a 22

Prosperar mediante meios lícitos é a ordem natural. Sequer, busco a filosofia barata do, “Trabalhe fazendo o que gostas”, ou coisa assim. Uma ova! Eu trabalho fazendo o que não gosto, na maioria das vezes, o que “tem pra hoje” como se diz. Gosto é do fruto do trabalho, que me propicia viver honesto, certo conforto, quiçá, prosperidade. É assim que a banda toca. Quando O Eterno disse: “Do suor de teu rosto comerás teu pão”, não estava amaldiçoando ao homem com trabalho, que é uma bênção. Estava sim dizendo: “Como optastes por autonomia, independência, não sou mais responsável pela tua manutenção; mãos à obra, mete o peito n’água e faz por ti.”

Enfim, a Água da Vida ainda jorra em determinadas fontes, mas, a triste sensação que corrói o peito dos servos idôneos, é de que eles são uns inoportunos, com um balde de água limpa, ante uma plateia que tem sede de metais...

Todavia, se alguns ainda puderem sentir essa sede bendita, que impulsiona à vida, por esses, inda vale que trabalhemos. “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” Jo 4;14