Google+ Badge

domingo, 31 de dezembro de 2017

A coroa e os coroas

“Coroa de honra são as cãs, quando, elas estão no caminho da justiça.” Prov 16;31
Notemos que, cabelos brancos em si não merecem honra nenhuma; apenas, se, o seu “coroado” estiver no caminho da justiça. Ruy Barbosa desenvolveu de outro modo: “Não te impressiones com os cabelos brancos, pois, os canalhas também envelhecem.”

Deveríamos, com o curso do tempo e as lições da vida nos tornar sábios na maturidade; entretanto, nem sempre é assim. Diz-se que o brasileiro tende a deixar tudo para última hora; em se tratando de documentos, tarifas, inscrições, pagamentos; o que, na maioria dos casos se verifica, dadas as longas filas ao expirarem prazos para essas vicissitudes.

Contudo, aprender o apreço pela justiça, e decidir andar em seus caminhos é algo mais denso que quitar certo compromisso financeiro ou, similar; na verdade é um caminho, um jeito de andar, na estrada da vida, que se aprende e preserva, malgrado, as oposições do mundo, ou, se deixa levar pelo caminho largo do comodismo conveniente, da frouxidão moral, da morte espiritual.

Não dá para aprender amar à justiça na última hora. Toda ênfase que se der à Graça de Deus ficará muito aquém da grandeza dela; todavia, essa não é um fator excludente no que tange à justiça, antes, foi a Justiça de Deus fazendo o pecado encontrar seu salário, a morte que proveu a Graça Inefável de Cristo; tomando nossas culpas para suprir nossa inadimplência da qual jamais poderíamos sair por nossos parcos meios; “Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas, nenhum deles de modo algum pode remir seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele, pois, a redenção da sua alma é caríssima...” Sal 49;6 a 8

Desse modo, os que se arrependem recebem a vida de graça, para que regenerados pelo Espírito aprendam andar em justiça.

A justiça não é um alvo a se chegar, antes, um efeito colateral, um jeito de ser e andar daqueles que chegaram a Deus em Cristo. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais, Deus preparou para que andássemos nelas.” Ef 3;10

Moisés rogou que Deus propiciasse ao longo da caminhada uma estatura que pudesse ser reputada sabedoria; “Ensina-nos a contar nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.” Sal 90;12

Mediante o mais sábio dos homens, Salomão, Deus preceituou que, as boas escolhas podemos e, devemos desde cedo; “Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias; cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento.” Ecl 12;1

Aí sim, se, inda jovens desejarmos esse caminho, que aos olhos Divinos sejamos reputados justos, então, a prática da justiça nos será algo normal, e, mesmo quando o tempo branquear nossos cabelos, ainda seremos frutíferos nas mãos de Deus. “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos, para anunciar que o Senhor é reto. Ele é a minha Rocha; Nele não há injustiça.” Sal 92;12 a 15

Um dos frutos de nosso andar em justiça será “anunciar que O Senhor é reto... Nele não há injustiça.” Pois, se assim não for, digo, se passarmos nosso tempo alienados do Senhor, resilientes ao ensino e, eventual correção, seremos apenas velhos um dia, e nossos cabelos brancos, invés de credenciais de experiência, sabedoria, serão uma desonra, dado que até uma criança pode se nos avantajar; “Melhor é a criança pobre e sábia do que o rei velho e insensato, que não se deixa mais admoestar. Porque um sai do cárcere para reinar; enquanto outro, que nasceu em seu reino, torna-se pobre.” Ecl 4;13 e 14

Notemos que esses fazem caminho inverso, um perde o que já tinha; um reino, enquanto, o que não tinha nada acaba herdando aquilo que seria do outro. Se, isso lembra as sagas de Saul e Davi, por exemplo, só corrobora que o ensino é mesmo veraz. Aquele perdeu o reino por teimoso, rebelde, esse herdou, graças a sua comunhão com Deus.

Saul terminou suicidando-se para não morrer pela mão do inimigo, enquanto, Davi passou a coroa ao seu filho Salomão, que, depois escreveu a sentença em apreço.

Na verdade todo que aquele que exortado a abraçar a Justiça Divina como modo de vida se aliena do Criador, no fundo, é suicida, pois, sua escolha atenta contra a própria vida.

“O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã.” Leonardo da Vinci

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Amor, esse mal entendido

“Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor...” Ef 3;17

Paulo disse que orava pelos efésios para que fossem fortalecidos para Cristo neles habitar. Por que precisamos disso para Cristo habitar em nós? Porque carecemos despejar todos os dias, certo habitante que insiste em querer para si um trono que é Dele. O eu. Esse tem suas raízes no egoísmo, na indiferença, no excesso de amor próprio, na sugestão do capeta; “vocês sabem o bem e o mal”. Então, enquanto o “negue a si mesmo” não for alcançado não teremos lugar para Cristo. Seremos usurpadores.

Paulo usou duas figuras distintas para propósito semelhante; “arraigados e fundados...” Raízes são a base de uma planta; fundação, de uma construção qualquer. A ideia é que somos algo vivo espiritualmente, porém, em construção. Ouçamos Pedro: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” I Ped 2;5

Na parábola dos dois fundamentos o homem prudente careceu cavar fundo para chegar à Rocha. O alvo do apóstolo era o amor; primeiro, fundados em amor, pra depois, “...compreender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, altura, profundidade; conhecer o amor de Cristo...” VS 18 e 19

Normalmente as pessoas têm uma ideia simplista do amor; equacionam a mero sentimentalismo. Eu amo fulano, portanto desejo tudo de bom para ele. “Assim sim” como diria o Chaves. O Salvador resumiu toda a Lei em dois mandamentos: Amar a Deus sobre tudo e ao próximo como a si mesmo. Como podemos amar algo ou alguém sem conhecer?

Então, o “cavar fundo” no que tange ao nosso amor por Ele começa em desejarmos a Verdade, e, conhecer mais e mais a Fonte do amor; Deus.

O bendito do salmo primeiro, “Tem seu prazer na Lei do Senhor e na Sua Lei medita dia e noite.”

Porém, a maioria dos crentes, de preguiça de conhecer a Palavra assemelha-se a filhotes de águias no ninho esperando comida. O que ela caçar, rato, serpente, lagarto, estarão sôfregos de bico aberto esperando. Invés de receber o Pão do Céu direto do Senhor recebem cobras e lagartos de aves de rapina; são como outros que, “Foram destruídos por falta de conhecimento.”


A natureza ruma às paixões, mesmo que, essas conflitem com o querer Divino. Invés de buscarem à Verdade as pessoas buscam o cômodo, conveniente. Isso as faz “politicamente corretas”, espiritualmente insanas; presas em potencial do inimigo; seus embustes, e seu representante-mor, o anticristo; “esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, sinais e prodígios de mentira, com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.” II Tess 2;9 e 10


Óbvio que conhecer a Deus não basta; precisamos obedecer. Isso nos levará fatalmente ao amor pelos nossos semelhantes. “Se não amamos nossos iguais aos quais vemos, como amaremos a Deus O qual não vemos”?

O amor Divino choca nosso intelecto, “excede todo entendimento”, pois, nossa ideia de amor é meio mercantil; uma espécie de troca; “amo a quem me ama, sou bom para quem é bom comigo, bateu levou, que Deus te dê em dobro o que me desejares”; etc.

“Deus prova Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós sendo nós ainda pecadores”; noutras palavras, adversários.

Portanto, em nossa escavação precisamos remover também o entulho da vingança, inveja, indiferença, sentimento faccioso... “Amai vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam; orai pelos que vos maltratam e perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons; a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicano o mesmo? Se, saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito vosso Pai que está nos céus.” Mat 5;44 a 48

Entretanto, o fato de Deus nos amar não é licença para pecar; “Eu repreendo e castigo todos que amo;” diz O Senhor. Renega paternidade dos que se mostram avessos à disciplina: “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há que o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, não, filhos.” Heb 12;7 e 8


As pessoas não encontram a Deus, pois, buscam coisas; mas, as que O busca encontram; e, de lambuja, o Pai amoroso nos dá todas as coisas que necessitamos.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Deus é para todas as horas

“... consideraste a minha aflição; conheceste minha alma nas angústias.” Sal 31;7

Há “amigos” chegados nas horas alegres, festivas; porém, distantes, nas angustiosas. Da sua relação com Deus Davi versou: “Conheceste minha alma nas angústias”. Na verdade, o próprio Senhor, invés de um culto hipócrita pleno de sacrifícios e vazio de sentido sugeriu: “invoca-me no dia da angústia; te livrarei e me glorificarás.” Sal 50;15

É fácil estarmos receptivos em momentos de angústia; todo ministro que já passou por isso sabe que não há momento em que suas palavras soem mais aceitáveis, desejáveis, que durante um culto fúnebre, por exemplo, onde a presença sombria da morte ensejou angústias várias entre os parentes de quem se foi.

Deus amoroso não se importa com esse oportunismo de nossa parte, desde que, feridos por Sua Palavra nos deixemos transformar. Porém, na maioria dos casos nossos moveres de alma são eventuais, apenas um refúgio contra os ventos da angústia; quando o tempo melhora pioramos.

O Eterno queixou-se de algo assim feito pela nação de Israel; “Te conheci no deserto, na terra muito seca.” Os 13;5 No deserto, lugar de angústias se deixaram encontrar. Passado aquele contexto e inseridos na fartura desprezaram ao Senhor. “Depois, se fartaram em proporção do seu pasto, estando fartos, ensoberbeceu-se seu coração; por isso esqueceram de mim.” V 6

Contra Judá e Efraim queixou-se de uma volubilidade semelhante ao orvalho da manhã que some tão logo o sol chega. “Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque vossa benignidade é como a nuvem da manhã, como orvalho da madrugada, que cedo passa.” Os 6;4

Foi precisamente naquele contexto, de desaprovação Divina à indiferença de um povo ingrato que falou: “Meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; como te esqueceste da lei do teu Deus, também me esquecerei de teus filhos.” Cap 4;6 e,“Porque eu quero misericórdia, não, sacrifício; e conhecimento de Deus, mais que holocaustos.” 6;6

Associou a ignorância espiritual ao desprezo pela Palavra; “... esquecestes da Lei do Teu Deus...” Igualzinho em gênero, número e grau ao que acontece atualmente.

Uma geração de obreiros mercenários, pilantras que usa as angústias humanas para seu proselitismo barato; Deus seria dos desempregados, pobres, miseráveis, frustrados emocionalmente; com essa canção atraem suas presas; porém, invés de fomentarem o conhecimento do Santo mediante ensino saudável mantêm as pessoas cativas na ignorância, ensinando a mercância blasfema de trocar $acrifício$ por socorro.

Um dos mais perniciosos enganos do maligno disseminado pelos seus, transfigurados, é subentender que alguém possa ser “esperto” perante Deus a ponto de manipulá-lO. Isto é, lograr Seus favores em horas avessas, e desprezá-lO sem consequência, depois.

Ouçamos o Próprio Senhor: “porque clamei e recusastes; estendi minha mão e não houve quem desse atenção; antes, rejeitastes o meu conselho e não quisestes minha repreensão; também de minha parte rirei na vossa perdição, zombarei, vindo o vosso temor.” Prov 1;24 a 26

Aí sim, chegar a uma hora de angústia tendo Deus indiferente ao nosso clamor fará a angústia infinitamente maior.

Deus É Amor. Portanto, mesmo que vamos a Ele depois de desperdiçarmos tudo e termos acabado entre os porcos como o pródigo, nos recebe em festa, se, O buscarmos arrependidos. Porém, Ele também É Justiça; se O profanarmos deliberadamente invés de um Pai amoroso encontraremos um Juiz Terrível. “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Heb 10;31

Nossos estados emocionais não têm necessariamente ligação com o status espiritual; posso estar em paz com Deus e sofrer imensamente, como Jó; ou, viver alheio e gozar fartura, como os citados no Salmo 73.

Emoções, sentimentos não são aferidores da medida do nosso relacionamento com Deus; antes, nossa vida transformada pelo conhecimento Dele na Face de Cristo, Sua Palavra.

Como disse John Kennedy, “O telhado se conserta em dias de tempo bom.” Devemos consertar nosso relacionamento agora; não, esperarmos ser acossados pelo aguilhão da dor. Se, já somos paciência; vamos a Ele como estamos Ele sonda corações; vê os motivos.

Em suma, se a Integridade e o Amor Divinos fazem com que Ele nos conheça mesmo em momentos de angústia, tenhamos um mínimo de correspondência, amando-O, reconhecendo-O e sendo-lhE grato, até nas horas de bonança.

O Amor do Pai, posto que disponível a todos os arrependidos não é tão inclusivo assim, antes, seletivo; “Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem seu prazer na Lei do Senhor, e na sua Lei medita de dia e de noite.” Sal 1;1 e 2

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Aproveite Seu Tempo

“Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra.” Mário Lago

Esse dia em que nos encontramos com nosso tempo, também conhecido como morte tem sido o assombro de uns e o ilusório refúgio de outros.

A Bíblia apresenta-nos como seres finitos em nosso tempo terreno, porém, com aspirações eternas na alma; “Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.” Ecl 3;11

Essa limitação de possibilidades mercê da ação do tempo e um anseio ilimitado em nossas almas deveria ser um fator a nos impulsionar em direção ao que pode prover isso, Deus.

Paulo apresenta-nos num limite de tempo e espaço cujo fim é o retorno ao Criador. “De um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tateando o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;” Atos 17;26 e 27

Mas, os homens ímpios correm contra o tempo; em suas máximas apregoam: “Curta a vida porque a vida é curta”. Seu “curtir” é o disfarce da enfermidade psíquica que a Palavra de Deus chama de medo da morte. “Como os filhos participam da carne e do sangue, também ele (Cristo) participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.” Heb 1;14 e 15

Agora temos um novo escopo do “curtir”; servidão. Sim, se observarmos tais “curtidores”, saem desabalados pelo trânsito em dias de feriados, com pressa de chegar aos seus lugares de festa; muitos jamais chegam. Ironicamente o medo da morte os faz encontrá-la antes do tempo. E, o que esses que chegam e “aproveitam” chamam assim, amiúde se resume a bebedices, promiscuidade quando não, consumo de drogas.

Claro que isso não é regra; há os que calejados pela maturidade fazem melhores escolhas; embora, esses sejam minoria. Quando logra isso de nos livrar das inclinações tolas da juventude, o tempo, em parte conseguiu nossa atenção; malgrado, muitos envelheçam verdes, pois, maturidade demanda algo mais que o curso do tempo.

Quantos devaneios já permearam a literatura, o cinema, em busca da Fonte da Eterna Juventude! Parece ser um anseio universal. De modo que é lícito concluir que, o que Deus propõe todos querem; porém, a maioria discorda dos termos do Criador. Vida eterna sim; mas, em Cristo, com cruz? Aí não.

Eventualmente cito quando oportuno o incidente da mensagem inútil, que vivi. Meu sobrinho e eu tínhamos apenas uma chave de casa; quando saíamos deixávamos sempre em um lugar pré-determinado para que o outro pudesse entrar. Certo dia, cheguei, ele tinha saído; fui ao lugar de sempre achei a chave e abri a porta. Deparei com um bilhete no chão que ele enfiara por debaixo da porta; “Tio a chave está...” Fiquei rindo sozinho com um tolo. Eu nunca poderia ver o bilhete sem antes ter acesso à chave, pois, estava do lado de dentro; depois disso não precisava mais.

Desse modo, há muitos do outro lado que, como o rico da parábola com Lázaro sabem a gravidade, a seriedade da coisa, mas, agora a informação já não lhes serve mais, tornou-se inútil. Precisamos acesso à chave antes de abrirmos a porta da eternidade.

Em se tratando da eternidade com Deus, “Eu Sou a Porta” disse Cristo. A chave, O Evangelho. Muitos interpretam de modo errado a afirmação de ter Ele dado as Chaves do Reino a Pedro, como se esse fosse um porteiro celeste, ou, chefe dos apóstolos. Não. Coube-lhe a honra de ser o primeiro pregador do Evangelho, o que abriu a porta da salvação para muitos. Depois dele, qualquer pregador idôneo também tem a chave.

Como não sabemos quando será nosso encontro com o tempo, como disse o poeta, todo homem prudente deveria receber a mensagem de salvação com um sentido de urgência; “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes sua voz, Não endureçais vossos corações, como na provocação.” Heb 3;15 “...não recebais a graça de Deus em vão; ... Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação; eis aqui, agora, o tempo aceitável, eis aqui, agora, o dia da salvação. II Cor 6;1 e 2
Ou isso, ou, corremos o risco de reprisarmos um lamento de Jeremias: “Passou a sega, findou o verão, e não estamos salvos.” Jr 8;20

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A Unidade e o Mosaico Ecumênico

“Mas, um só, o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.” I Cor 12;11

“Essas coisas” em apreço era a diversidade de dons distribuídos aos salvos, procedentes do mesmo Espírito. Assim, se as características do desempenho espiritual são múltiplas, o objetivo é ímpar; a Glória de Deus.

O mundo canta em prosa e verso loas à diversidade como se fosse uma coisa boa em si; não é. Depende do seu conteúdo. Se, a diversidade é funcional, cultural, mas, o alvo ímpar, então esse é o espectro Bíblico. Múltiplas formas e dons para o cumprimento da Vontade de Deus.

No entanto, se a diversidade for de credos, doutrinas, valores, aí, deixaremos a submissão ao Único, e tomaremos como diretriz a sugestão do traíra; “Vós mesmos sabereis o bem e o mal.” Sim essa diversidade deixa de ser de meios, e passa a ser, de fins. Invés de muitas formas de exaltarmos ao Único Deus, muitos deuses, cada um endeusando suas opiniões, preferências. Isso é blasfemo.

Não poucos confundem unidade com união. Ora, basta lembrarmos os primeiros passos na matemática para sabermos o que ambas são. A unidade é única, ímpar; união, diversa, plural. 

Se, cultural, intelectual, e funcionalmente podemos ser, e somos diferentes, os fundamentos doutrinários, a base de nossa fé deve ser a mesma, se, somos de fato, servos de Cristo. “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus, Pai de todos, o qual é sobre todos, por todos e em todos vós. Mas, a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.” Ef 4;4 a 7

Quando diz que Deus é Pai de todos está falando todos os convertidos, pois, “quem não nascer de novo não pode ver O Reino de Deus.” Aos mentirosos e hipócritas O Senhor disse: “Vós tendes por pai ao diabo...” Aí, os que recusam rever rumos quando deparam com uma mensagem que os desafia presto se escondem atrás do biombo favorito: “Deus é um só.” Certo. Mas, também a fé Bíblica é uma só e quem não a segue conforme revelada, mas, prefere anexar dogmas espúrios ou tradições, deixa a devida obediência ao Único Deus e passa a decidir por si mesmo, ou, seus gurus favoritos as noções de bem e de mal.

Assim, é lícita a multiplicidade de denominações, Batistas, Metodistas, Presbiterianos, Assembleianos, Menonitas, etc. com suas diferenças administrativas e até rituais; todos têm o mesmo Senhor, o mesmo Espírito, a mesma fé, fazem parte do mesmo corpo; a Igreja de Cristo. E, se assim não for, há razões para duvidar da salvação.

Para tais, a unidade necessária está preservada, e a diversidade possível não é um fator de dissenso. O Senhor escreveu a sete igrejas diferentes no Apocalipse e não desafiou nenhuma a ser como a outra, senão, a corrigir eventuais erros doutrinários ou, comportamentais.

No entanto, a união que o mundo busca através de seu proponente maior, (Francisco) é o ecumenismo; uma só religião mundial com seu vasto mosaico de deuses e credos todos sob o governo romano. Fala bem dos de Alá, dos animistas, dos hinduístas, budistas, etc. todos estariam certos, “buscando a Deus”; será?

Eis a diferença entre Cristo e as religiões! Essas são homens inventando rituais para buscarem a Deus do seu jeito; O Salvador é Deus buscando o que se havia perdido e ensinando o Único Caminho possível para se chegar a Ele: “Ninguém vem ao Pai senão, por mim”, disse. A diversidade doutrinária sugere que todas as religiões são boas, todos os caminhos levam a Deus. Pode ser; mas, como salvo, só Um; Cristo.

O mundo sempre foi cheio de religiões, porém, se o alvo do Evangelho fosse a mera união de credos opostos, qual sentido de o pregarmos ainda? O “Evangelho” do mundo prega a tolerância com o diferente, “inclusão”; o de Cristo chama os errados de espírito ao arrependimento, mudança, conversão, enfim, à cruz.

Os que isso defendem, a união, acham que a igreja deve ser um sucesso de público; os que preservam a sã Doutrina sabem que será um fracasso nesse quesito; “Muitos são convidados, poucos os escolhidos.” Todavia, esses poucos que negam-se e se santificam, cada um deles, para Deus vale mais que o mundo perdido.

Uma coisa é tolerância em questões de convívio; devemos sê-lo para com todos. Porém aquiescência em se tratando de ensinos nocivos não é o que O Senhor espera de nós. Ele nos chamou para vivermos e apregoarmos uma mensagem de vida; não, para sermos cúmplices de assassinato.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Todos iguais; só que não

“Eles foram rebeldes, contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo; Ele mesmo pelejou contra eles.” Is 63;10

O Espírito Santo não era conhecido no Velho Testamento; Isaías O Apresenta como Condutor de Israel que foi entristecido por sua rebeldia e tornou-se adversário.

Após Cristo, Ele, que fora prometido foi derramado sobre os arrependidos que herdaram a ditosa condição de salvos.
Foi Ele que concebeu o corpo para O Salvador; “... Sacrifício e oferta não quiseste, mas, corpo me preparaste;” Heb 10;5

Se, há um Espírito de Natal autêntico esse É O Espírito Santo. Todavia, Sua pessoa combina com as ações humanas atribuídas a Ele?

As comemorações natalinas podem ser vistas por dois aspectos; horizontal e vertical. No interpessoal, que mal há darmos presentes, enfeitarmos casas e praças e desejarmos coisas boas a todos? Nenhum. Somos ensinados a orar até pelos inimigos; logo, fazer o bem é lícito o tempo todo.

Porém, no aspecto vertical, do relacionamento com Deus, será que bebedices e comilanças agradam ao Santo? Temo que não; “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas, justiça, paz e alegria no Espírito Santo.” Rom 14;17

Se, como vimos foi a rebeldia que entristeceu ao Espírito Santo, lícito é concluir que é seu oposto, a obediência que enseja Sua alegria. Mas, obediência ao quê? À Doutrina de Cristo. “...fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado...” Mat 28;19 e 20

As pessoas podem ser divididas em dois tipos; as que obedecem e as que não. Umas alegram, outras entristecem ao Espírito Santo. Para as primeiras todo o cenário natalino não é necessário; para as demais, não é suficiente. Noutra forma: Quem é de Deus não precisa disso; para quem não é não adianta.

Embora o ecumenismo, tolerância e inclusão, sejam palavras da moda, o cristianismo autêntico não é, nem coexiste com um hibridismo doutrinário, um jardim de aclimação de credos discrepantes; de outro modo: Seu fito é a preservação da unidade; não, a promoção da união.

A manutenção da pureza que lhe é peculiar requer ruptura com uma série de coisas, vejamos: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; que sociedade tem a justiça com a injustiça? Que comunhão tem, luz com trevas? Que concórdia há entre Cristo e Belial? Que parte tem o fiel com o infiel? Que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, entre eles andarei; serei o seu Deus e eles serão meu povo. Por isso saí do meio deles, apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis nada imundo e Eu vos receberei;” II Cor 6;14 a 17

O Natal como vemos é já um ensaio ecumênico, dado que, por “inofensivo” serve a todos. Até os praticantes de religiões afro enfeitam seus terreiros com luzes multicoloridas. Que mal tem? Nenhum, já disse. Mas, se serve para todos, que bem faz a nós que somos desafiados à separação do que O Pai abomina?

Tenho uns vizinhos que estão já há 24 horas poluindo o ar em volta com pornofunk e adjacências; com danças comidas e bebedices; está difícil de escrever, pensar, digo, ouvindo isso; mas, é seu “Espírito de Natal”.

A ditadura do politicamente correto tem sido outra ferramenta de massificação; mas, a mensagem de Cristo é para o indivíduo, não, para a massa. No incidente da conversão de Saulo, apenas ele ouviu a Voz de Cristo; ao seu entorno, ninguém mais. Precisamos a coragem de reagir quando O Senhor nos fala em particular, malgrado, as tendências fáceis da massa.

Às vezes aí está a “porta estreita” nos desafiando a deixarmos a perdição. Uma coisa que entendemos mal, ou, superficialmente é um preceito de Paulo que diz que devemos ter, “calçados os pés na preparação do Evangelho da Paz.”

Preparação, não pregação; em nossos passos. Nosso andar diverso do mundo deve causar estranheza; uma hora, curiosos hão de querer saber a razão; aí, quando a preparação fez sua parte entra em cena a pregação. Como disse Pedro: “... estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” I Ped 3;15

A separação, pois, enseja certa curiosidade; a imitação faz supor falsa igualdade. Como dizia Aristóteles, “A pior forma de desigualdade é considerar iguais, coisas que são diferentes.”

No juízo isso estará patente; “Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não serve.” Mal 3;18

sábado, 23 de dezembro de 2017

Posso não comemorar o Natal?

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Edificais os sepulcros dos profetas, adornais os monumentos dos justos,e dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.” Mat 23;29 a 31

Religiosos edificavam sepulcros e adornavam monumentos dos “heróis da fé”; todavia, essa “piedade” oca era apenas um testemunho contra eles, que, sendo descendentes dos que mataram aos justos, cultuavam ainda a hipocrisia em lugar da justiça.

Há divisão entre evangélicos na questão de comemorar o Natal. A maioria o faz, nos mesmos moldes do mundo. Nem todas as coisas a Palavra de Deus aborda expressamente; algumas derivamos dos princípios que A Palavra ensina; por exemplo: Não há um texto que ordene obedecer aos sinais de transito; todavia, o princípio da obediência está expresso: “Obedecei às autoridades”.

Quando, uma prática não é mencionada, sequer seu princípio, resta o arbítrio de cada um, com uma ressalva: “... Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.” Rom 14;22 Isto é, o fato que aprovo algo não o faz lícito, necessariamente; bem pode me trazer condenação.

O que a Bíblia fala sobre comemorar o Natal? Nada. Não menciona, ordena, nem proíbe; sequer traz a data precisa, que, com certeza não foi em Dezembro.

Todavia, as comemorações que julgou relevantes Deus sempre ordenou. Assim, tínhamos as Primícias, Páscoa, Tabernáculos, Pentecostes... tudo expresso na Palavra. Se, o Natal deve ser comemorado pelos filhos de Deus, por que esse silêncio Bíblico?

Na verdade, Ele, Jesus, mandou que comemorássemos Sua Morte, não, Seu Nascimento; pois, foi ali, na Cruz, que Triunfou em Sua Missão. “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.” I Cor 11;26

Ontem deparei com um vídeo onde uma pregadora nos acusou, os que não comemoram o Natal de “coar um mosquito e engolir um camelo”, segundo ela, não comemoramos, mas, depois compramos roupas brancas para o culto da virada, quiçá, pulamos sete ondas para Iemanjá. A anta sem noção foi aplaudida por uma plateia igualmente sem noção. Quem disse que se recuso a comemorar uma festa mundana o faço em outra igualmente mundana? De onde tirou isso?

Mas, suponhamos que eu fosse um hipócrita assim, eu e muitos que não comemoram; ela basearia sua teologia em nossa hipocrisia invés da Palavra? Uma fora da casinha assim deveria ser internada, não aplaudida.

Disse que somos “A luz do Mundo” isso “explica” as luzes de Hong Kong nas fachadas; que o pinheirinho lembra que somos “como árvores plantadas junto às correntes das águas”; todas à volta estão secas, mas, nós estamos verdes. Aplausos de novo. Ora, o mundo é um deserto de sentido espiritual, de aversão a Deus, mas, segundo ela, fazendo igualzinho mostramos nossa diferença de árvore verde entre as secas??

Uma metáfora usa uma figura para realçar uma substância; “vós sois a Luz do mundo”; isto é, sois responsáveis por iluminar com vosso exemplo, não copiar as fajutas encenações mundanas; desenhando: “...resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras...” Mat 5;16 Tem a ver com nosso agir, obras, caráter.

Quem não sabe interpretar uma metáfora, uma alegoria, um símile, uma parábola, não está apto para interpretar Às Escrituras. Disse também O Senhor que somos “O Sal da Terra”; à “teologia” daquela senhora justifica-se o sal grosso que tantos macumbeiros “evangélicos” usam.


Assim como o sal era o elemento da conservação de alimentos num tempo em que não havia geladeiras, devem os salvos ser elementos de conservação da moral, dos bons costumes, da sã doutrina, não mais.

Além disso, se, como disse Tiago, amizade com o mundo é inimizade contra Deus, e todo mundo comemora isso que chama de Natal, mas, no fundo é um festival hipócrita de, comes e bebes, qual minha parte nisso?

Imaginem um filho rebelde, desobediente, drogado, dissoluto, avesso aos pais o ano todo, que no dia dos pais ou, mães chega solícito com presentes; seus pais terão prazer nele? Assim vive a maioria do mundo, avessa Ao Senhor, Sua Vontade; até, combatendo aos servos do Senhor, mas, no Natal e na Sexta-feira Santa têm um surto de piedade.

Anuncio a Palavra do Santo o ano todo; cometo erros, falhas, peco; mas, não preciso de dois dias para fingir que me importo em agradá-lo.

Não acho que aplauso seja pecado, mas, não gosto que plateias aplaudam pregadores. Geralmente as pessoas aplaudem a si mesmas no que se identificam. Um mensageiro probo gera contrição, invés de identificação, pois, apresenta Deus a um povo que tende a alienar-se Dele.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Que o Pó Volte-se ao Ouro

“Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro ouro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!” Lam 4;2

Jeremias descrevendo um povo, antes, valioso; agora, vulgar, ordinário, comum. Valiam ouro; passaram a mero barro. Se, nos elementos naturais não se verifica essa alquimia, a transformação de um elemento em outro, no prisma moral, espiritual, ocorre com frequência.

Normalmente usamos outra figura quando queremos denunciar uma transformação radical; sobretudo, no aspecto positivo; dizemos: Fulano mudou da água pro vinho. No entanto, aquela fora uma mudança “pra baixo”; do ouro pro barro.

Embora os evolucionistas pleiteiem uma evolução contínua, estaríamos num processo que ignoramos onde vai chegar, a Bíblia apresenta a criação como obra acabada, em estágio de decrepitude. O homem como caído da posição original, “Imagem e Semelhança” de Deus, descendo célere a ladeira da degeneração.

Quando O Eterno mostrou num sonho a Nabucodonosor o esboço da saga humana desde então até o Reinado de Cristo, figurou com uma estátua que, começou com cabeça de ouro; desceu para prata, bronze, ferro e por fim, barro.

Da criação diz: “A Terra pranteia, murcha; o mundo enfraquece e murcha; enfraquecem os mais altos do povo da Terra. A Terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a Aliança Eterna. Por isso a maldição consome a terra;” Is 24;4 a 6

Diz mais: “sabemos que toda a criação geme; está juntamente com dores de parto até agora. Não só ela, mas, nós que temos as primícias do Espírito também gememos em nós mesmos, esperando a adoção; a saber, a redenção do nosso corpo.” Rom 8;22,23

Longe de combinar com um cenário evolutivo, o que vemos denuncia a degeneração; a causa não é nenhum super asteroide ou cometa colidindo com o planeta e ameaçando a vida; antes, os efeitos colaterais do pecado; “A Terra está contaminada por causa dos seus moradores.”

Mas, o que faz alguém áureo aos Olhos Divinos? Digo; precioso como ouro? A primeira decepção que causamos ao Pai foi duvidar de Sua Palavra; isso soou como se O chamássemos de indigno de confiança, mentiroso. O contraponto que Ele deseja a essa blasfêmia é a confiança irrestrita, fé; Pedro aquilata-a: “...vossa fé, muito mais preciosa que o ouro...” I Ped 1;7

Se, em nossa estrutura ainda somos o velho barro, mediante a fé, nos abrimos a Deus para que Sopre outra vez O Espírito, apagando as manchas pretéritas no Sangue de Cristo e dando nova vida.

Esse Dom Excelso é que nos faz valiosos ante Ele; dá-nos porque nos ama; depois, nos aprecia como valiosos pelo que Ele mesmo fez valer. “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz foi quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, não, nossa.” II Cor 4;6 e 7

Se, o “Tesouro” é o Espírito, o corpo mero vaso de barro, necessária se faz a conclusão que, degenerar alguém do ouro para o barro equivale a deixar de andar em espírito e passar a seguir os anseios da carne. Essa é a tendência do homem natural depois da queda; “Porque a inclinação da carne é morte; mas, a inclinação do Espírito vida e paz.” Rom 8;6

Então, quando O Salvador nos desafia a ajuntar Tesouros no Céu, outra coisa não significa, senão, que andemos em Espírito. “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” Rom 8;12 a 14

A humanidade emprega todos os meios, lícitos e ilícitos para progredir na aquisição de posses, enquanto, sequer se dá conta da grave indigência no que tange aos valores eternos; escava fundo por barro; despreza o ouro oferecido em Cristo.

Vasos podem ser moldados pela mão humana; porém, como Deus não habita em templos feitos por nós, ou deixamos que Ele nos edifique segundo Sua Palavra, ou, o labor será inútil; “Se O Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam...” Sal 127;1

Se, os coevos de Jeremias, em sua apostasia migraram do ouro para o barro, somos desafiados ao caminho inverso na conversão; “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que enriqueças; roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e unjas teus olhos com colírio, para que vejas.” Apoc 3;18

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Os indignos salvos

“Digno és, Senhor, de receber glória, honra e poder; porque tu criaste todas as coisas; por tua vontade são e foram criadas.” Apoc 4;11

Anjos ao redor do Trono do Altíssimo entoando os louvores. A primeira expressão: “Digno...” Segundo o dicionário, “O que está em conformidade, conveniente, adequado, merecedor.”

Porém, a dignidade pode ser vista em dois aspectos distintos; posicional e essencial. A dignidade posicional tem a ver com a posição que alguém ocupa e as honras que a posição requer; por exemplo, um Ministro do STF, um Senador, Deputado... pela posição cabe o tratamento de Meritíssimo, Vossa Excelência, embora, o caráter do “digno” em apreço possa estar abaixo da linha de pobreza moral. Muitas vezes um indigno ocupa um lugar digno; Pois, a dignidade posicional atina ao status, não ao caráter.

Por ouro lado, a dignidade essencial tem ver com o ser de alguém; foi desse viés que os anjos viram ao Eterno: “Digno és...” tinham essa clareza atentando aos Feitos do Senhor, nenhum interesse mesquinho imiscuído; “... porque tu criaste todas as coisas; por tua vontade são e foram criadas.”

Assim sendo, se, a dignidade, o mérito, derivam dos feitos de alguém, o que o inimigo fez para postular igualdade com O Criador? “Serei como Deus.” A Bíblia o reconhece apenas como “Pai da mentira”; eis seu único feito! Porém, no último Livro está escrito: “Ficarão de fora... os que amam e cometem a mentira...” Parece que essa dama não será aceita no Reino de Deus; deve haver bons motivos para isso.

Pois bem, uma vez que todos pecaram e carecem da Glória de Deus, nenhum de nós entrará no Reino do Eterno baseado em dignidade própria; Aliás, O Santo só considera dignos de Si, aqueles que reconhecem a própria indignidade, negam a si mesmos e tomam a cruz, por dependerem exclusivamente da Dignidade de Cristo.

Estar em Cristo não é uma dignidade essencial; ainda somos pecadores. É uma dignidade posicional de filhos de Deus, reputados Santos por herdarem a graça e a Santidade de Cristo. “A todos quantos o receberam, deu-lhes poder de ser feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu Nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem do homem, mas, de Deus.” Jo 1;12 e 13

É isso que muitos opositores não entendem, ou, mesmo entendendo não aceitam. Que alguém de um passado muito ruim, más obras, mau testemunho, reputação, de repente seja perdoado e guindado à honrosa condição de santo, cidadão dos Céus. Acontece que, o ingresso é a fé, não são as obras; “...A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” Jo 6;29

Claro que alguém perdoado, como Zaqueu, há de rever posturas, valores, e mudar de vida; mas, isso fará porque foi salvo, não, para merecer a salvação. O reconhecimento do pretérito indigno fará a “dignidade” presente que Deus busca em Seus filhos; o trato com a verdade mesmo que essa nos denuncie, pois, o perdão Divino supre nossos lapsos desde que estejamos dispostos a mudar, doravante.

Muitas pessoas ignoram as implicações do Evangelho; acham mera questão de escolha entre religiões, credos; nem percebem que é muito mais urgente e sério que isso. É questão de vida ou morte. “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna; não entrará em condenação, mas, passou da morte para a vida.” Jo 5;24

Que difícil pregar para alguém cheio de pretensão, de justiça própria, que, acha-se merecedor do Céu; mesmo não submetendo-se a Cristo pretende ser Dele por seus próprios méritos. “Não tenho vícios, pago minhas contas, não faço mal a ninguém”, dirá.

Quem é bom para ser salvo pela própria dignidade não precisa de Salvador; ou, não blasfeme contrariando o que Ele disse e arrependa-se de sua “bondade”; pois, é muita falta de noção alguém que comete dezenas de pecados todo dia, por pensamentos, ações e omissões, achar que merece uma posição que bastaria um só pecado para desqualificar pra ela.

“Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes”; Quando certo centurião solicitou que O Senhor curasse um servo seu Jesus disse: Eu irei. Porém, ele objetou: “Senhor não sou digno que entres em minha casa...” Jesus curou o enfermo e elogiou em público sua fé. Reconheceu quem era; indigno; Quem Jesus É, O Senhor, que poderia dar uma ordem a distância e ser obedecido.

Eis a receita para a salvação: Reconhecer quem somos, indignos pecadores; e Quem Jesus É; O Excelso e Santo Salvador e Senhor. E se Ele é meu Senhor, de hoje em diante minhas preferências e opiniões empalidecem e rege-me Sua Palavra.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Salvação ou, a droga religiosa?

“Ou qual rei que, indo à guerra pelejar contra outro, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? D’outra maneira... manda embaixadores, pede condições de paz. Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo. Luc 14;31 a 33

A figura do Senhor sobre Seu desafio ao discipulado é bastante didática; ou, posso lutar contra, ou, me submeto e peço condições de paz. Embora a essência do Evangelho seja uma declaração de amor, sua mera existência enseja a guerra, dado, o que está em jogo e a índole da oposição.

Não me refiro a Satanás quando penso em opositores da mensagem, ainda que seja aquele o opositor mor; mas, a própria natureza caída do pecador acaba lutando em sua suicida inclinação contra quem a deseja salvar. “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus; não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, pode ser.” Rom 8;7

Falemos aos que vivem no “paraíso” da carne, das paixões insubmissas e desenfreadas, para que refaçam seus pensamentos segundo Deus e Sua Palavra; após isso, mudem seu modo de agir balizados nos mesmos parâmetros; como os gatos que pareciam inofensivos, sem mais nem menos suas garras saltam pra fora num instinto selvagem passam agredir quem os “ameaça”.

“Todas as religiões são boas, todos estão certos, eu tenho a minha tu tens a tua, Deus é um só...” Não se trata com esse discurso fajuto de propor verdades filosóficas, mas, de silenciar a voz que os incomoda, pois, tais “religiosos” viciados em seus pecados preferem enfrentar a outrem que a si mesmos, dada sua subserviência contumaz aos instintos naturais.

Todas as religiões são boas? Uma ova! Tem Falicismo que cultua ao pênis; o Animismo que adora árvores e bichos; o Islamismo que mata desafetos em nome de Alá, o espiritismo que nega a eficácia de Cristo e prega a necessidade de reencarnação, invés ressurreição; sincretismo que mistura a Doutrina cristã com o abjeto culto de imagens que Deus odeia; etc. As religiões são criações humanas; mesmo entre os que têm a sã Doutrina em mãos há muitos hipócritas que dizem uma coisa e fazem outra estando perdidos também.

Todos estão certos? Não! “...Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Jo 14;6 “há um só Deus; um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” I Tim 2;5 “Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4;12 etc.

Deus É Um, como vimos acima. Quando se defendem dessa forma não pretendem dizer que estamos apresentando outro; mas, que também pertencem ao Verdadeiro Deus; será? Então, por que a simples menção de uma porção da Sua Palavra que eventualmente os contraria incomoda tanto? Como vimos a princípio, ou, lutamos contra se podemos vencer, ou, pedimos condições de Paz.

Quando O Senhor dos Exércitos enviou Seu Campeão ao mundo os anjos bradaram Seus termos: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.” Luc 2;14 Como glorificamos ao Todo Poderoso, se, ousamos contrariar Seus termos de paz, Sua Palavra?

Quem faz isso, por religioso que seja, piedoso que pareça, luta contra Deus. Essa é uma luta inglória. “...Quem poria sarças e espinheiros diante de mim na guerra? Eu iria contra eles e juntamente os queimaria. Que se apodere da minha força, faça paz comigo; sim, que faça paz comigo.” Is 27;4 e 5

Incautos tratam as coisas atinentes à salvação na arena empoeirada das humanas opiniões, como se, a coisa estivesse ao nível humano. Não está.

Nas coisas espirituais, não há espaço para nossos pendores, carecemos nos submeter aos Divinos preceitos, senão, nada feito; “Deixe o ímpio seu caminho, o homem maligno seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. Porque meus pensamentos não são os vossos, nem, vossos caminhos os meus, diz o Senhor.” Is 55;7 e 8

Eis a diferença entre um carnal resiliente e um convertido! Para esse, a Palavra de Deus é Autoridade cabal; dela deriva suas posições; aquele, inda escuda-se em suas opiniões, mesmo afrontando aos preceitos, pois, passou longe do “negue a si mesmo” requerido para salvação.

Lendo algo assim, invés de se entristecer por descobrir que trai a si mesmo tende a ficar bravo, reagir contra quem tenta despertá-lo do sono da morte. “... Desperta, tu que dormes; levanta-te dentre os mortos e Cristo te esclarecerá.” Ef 5;14

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Tempos Trabalhosos

“Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino.” Voltaire

Imagino que o pensador falava da velhice, essa senhora que passo a passo nos aproxima da morte, onde, de certa forma, tolos e sábios ficam nivelados; uma vez que seus recursos, ou, a privação deles de nada valem no dia da morte.

Talvez, estudioso que era, estivesse repercutindo em seu pensar a fala de Salomão que dissera algo semelhante: “Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o tolo!” Ecl 2;16

Há certo pessimismo exagerado nas reflexões do rei ao dizer que “nunca haverá mais lembrança do sábio que do tolo”; pois, dele e de seus pensares estamos nos ocupando, enquanto, os tolos, seus coevos para nós inexistem.

Se, como diz na Bíblia, depois que alguém se vai do teatro da vida terrena suas obras o seguem, tanto mais será lembrado, quanto, mais relevantes forem seus feitos; de modo que, dona morte não obra isso de nivelar tudo ao rés do chão. O único aspecto que iguala a todos é o de ser uma sina inevitável; no mais, cada um chega a ela com a bagagem de obras, saber, que amealhou ao longo da existência.

Costumamos dizer que “da vida nada se leva”; entretanto, isso carece um escrutínio também. Se, o “nada” tenciona referir-se às coisas materiais, vá bene. Porém, se há um juízo, como cremos, e nossos feitos nos seguem, há muitas coisas que levamos sim; seja, para nossa defesa no Eterno Tribunal, seja para nossa acusação.

Além disso, é honroso alguém estar já do outro lado, pós morte, e inda refletir com seu exemplo no lado de cá; em certos crepúsculos, após o por do sol ainda resulta um brilho alaranjado nos céus que chamamos arrebol; de igual modo, uma pessoa virtuosa depois que sua vida se põe no horizonte do tempo, sua luz ainda brilha para encanto e enlevo dos que ficaram e podem beber na fonte de seu exemplo.

Claro que um assim não se iguala a outro que existiu de modo néscio, tolo, e quando se vai escurece tudo de vez.

Entretanto, se, nem mesmo a morte consegue igualar cabalmente ao sábio e o tolo, hoje em dia o deboche, e o escárnio fazem parecer todos iguais. Um estuda, reflete, pesquisa, modifica-se com o que aprende. O outro é resiliente ao aprendizado, teimoso, fanático, repete chavões, mantras, palavras que desconhece e tudo se iguala.

Discordamos filosófica ou ideologicamente de um assim, e ele nos manda estudar; não se opõe ao conteúdo de nosso argumento com outro; apenas, se opõe a nossa discordância sem expor motivos válidos. Se, não gosta de nossas objeções espirituais a certos erros brada: Deus é um só, como se estivéssemos apresentando dois, e não, precisamente a singularidade pura de Sua doutrina; discordamos politicamente e, mesmo sem entender bem nossos motivos, brada: Nazista! Fascista! Coxinha!

Se, está em desvantagem em determinado pleito decreta que certas coisas não se discute; Se, desgosto da arte de um cantor gay sou homofóbico! Eis o nível intelectual de nossa geração.

Na verdade Salomão e Voltaire cotejaram sábios e tolos apenas, porém, há outros que estão abaixo desses, infelizmente; são intratáveis, donos da verdade; tais estão seguros de suas escolhas mesmo que, desafinem dos Divinos preceitos. Desses também falou Salomão: “Tens visto o homem que é sábio aos seus próprios olhos? Pode-se esperar mais do tolo do que dele.” Prov 26;12

Não tem nada que eu despreze mais que desonestidade intelectual; o sujeito bancar o desentendido, sofismar insinuando algo que não foi dito, em sua defesa. Todos meus textos estão sujeitos a críticas, inclusive esse; porém, crítica do conteúdo, do qual se pode discordar com conhecimento de causa, não da existência do texto, como fazem parecer os opositores gratuitos, incapazes de expor com clareza os motivos de suas objeções.

Gosto de aprender, sobretudo, na área espiritual; porém, muito poucos sabem o beabá das coisas Divinas, mas, quase todos querem posar de mestres do que ignoram, que gente sem noção!!

Como disse Jó dos conselheiros insensatos: “Quisera vos calásseis de todo; isso seria vossa sabedoria.” Um parvo fala uma parvoíce; outro do mesmo calibre dá seu apoio; dois asnos se esfregando para se coçarem mutuamente.

Paulo falou desse tempo; “... sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos... sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores... sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites que de Deus, tendo aparência de piedade, mas, negando sua eficácia. Destes afasta-te.” II Tim 3;1 a 5

domingo, 17 de dezembro de 2017

O Lixão da Avenida Brasil

Já tinha visto jovens tirando selfies com os assassinos, Bruno, ex-goleiro, e Suzanne Von Richtoffen, que, participou do assassinato dos próprios pais; porém, a cereja da torta encontrei hoje: Uma promotora e uma juíza saindo “bem na foto” sorridentes “selfiando” ao lado de Fernandinho Beira mar.

Que falte aos adolescentes, noção do ridículo, escrúpulos morais, estéticos, éticos, é ruim; porém, compreensível; foram ensinados que o porco infanticida e covarde do Che Guevara era um herói libertário, ostentam sua foto; agora, em adultos, pior, ligados a área do direito, uma falta de noção, de vergonha assim, é patológica.

Passei da idade de me arrepiar por estar perto de alguém famoso; a maioria deles é bem pior que nós, no quesito, caráter, que para mim vale muito mais que fama ou qualquer outro viés, como, beleza, riqueza, carisma... Se, a “Mulher do Ano” é Anitta, a “Música do Ano” de Pablo Vittar, estou mais a fim é de dar uns tapas na caro do ano, para parar de fazer suas escolhas pelo ânus...

Entretanto, nos meus dias de adolescente quando tremia pela presença de alguém famoso, meus ídolos eram os que se destacavam nos esportes, artes, jornalismo, não, no crime. Que houve com Seu Brasil nos últimos tempos que seus filhos passaram a buscar referenciais no lixo?

Não me parece o caso de imoralidade estabelecida, antes, de total amoralidade. Qual a diferença? Imoral é qualquer postura que afronta os preceitos morais socialmente assentados, contrário à moral; amoralidade é a ausência desses preceitos, valores; não havendo referenciais nessa área, a fama essa puta que canoniza qualquer lixo passa a ocupar o lapso como se fosse em si mesma uma coisa boa. Desse modo, alguém famoso, seja um traficante, assassino, parricida, devasso, se torna aplaudido, admirado por encarnar em sua saga o ideal que os amorais seguidores querem ser quando “crescerem”.

Atualmente são os ladrões que devem ser defendidos desses brutamontes dos policiais tão violentos; professores devem ser agredidos, vilipendiados, para pararem de querem que seus pobres alunos estudem e aprendam algo útil; é uma violência psicológica forçar alguém ao que não deseja. Certa está a maioria dos políticos que roubam a não mais poder, depois fazem leis para se blindarem em Brasília, paraíso da corrupção; têm seus seguidores, defensores, admiradores, afinal, mesmo às expensas de nosso suado couro tornaram-se famosos.

O Geddel aquele dos 51 milhões, invés de explicar a origem do seu gordo “porquinho” queria que o Ministro Fachin revelasse o nome de quem o delatou. Sim, contra esses “crimes” estão prontos para lutar.

Tem gente destreinada pro raciocínio lógico que imagina que se possa fazer uma omelete sem ovos; acho que não. Esses, inda devaneiam com mudanças sistêmicas, partidárias, institucionais como se aí estivesse a origem do chorume que escoa a céu aberto. Não está.

Lembrei uma história do menino que recebeu a tarefa de montar um quebra cabeças cuja figura era o mapa do globo terrestre; desafiado conseguiu em pouco tempo. Alguém estranhou a rapidez e o conhecimento do mapa pelo garoto e perguntou-lhe como conseguira tão rápido. Do outro lado, disse, tem a figura de um homem; eu virei e montei do avesso. Moral da história: Conserte o homem e você consertará o mundo.

Nosso problema reside aí. A sociedade foi vertiginosamente desconstruída em sua moral, valores, bons costumes; nossa visão de bons governantes é a do que, “rouba, mas faz”; é corrupto, mas, “ajuda aos pobres”, “mesmo que roube não deve ser preso”; etc. Ora, quem malversa o Erário, seja do partido que for é um lesa-pátria, que, dana pobres e ricos.

Isso de querer políticos que sejam “bons” para mim, meus parentes, mesmo que afundem o país é já um fruto de geração egoísta, sem noção, sem vergonha. Se, em geral a matéria-prima é de péssima qualidade, há ainda algumas ilhotas de honestidade nesse mar de lama, gente que não se corrompeu e deve ser buscada para postos de comando. Pois, dessa geração de “universitários” zumbis que se despem e enfiam velas acesas no rabo em público, nada se pode esperar; a “luz” está na outra ponta, são os “politizados do ânus”.

Enfim, em nome de uma rebeldia sem alvo, de uma liberdade sem limites que acabou em libertinagem destruímos todas as cercas; eram para nossa proteção, mas, os gurus do “progressismo” ensinaram que era uma imposição burguesa. Agora estamos expostos ao Deus dará; cultivamos ervas daninhas e carecemos desesperadamente, cereais.

Nossos “troféus” se resumem a aparecer bem na foto com os maus; aplaudimos o sucesso dos lobos, mesmo que sua dieta nos inclua no cardápio, afinal, “A moral do lobo é comer ovelhas, como a moral da ovelha é comer grama.” Anatole France

sábado, 16 de dezembro de 2017

A Incerteza Certa

“Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; saiu, sem saber para onde ia.” Heb 11;8

Um aspecto que necessariamente acompanha uma fé sadia é a incerteza. Podemos estar certos da nossa decisão, da Integridade Divina, etc. Mas, sempre estaremos incertos quanto à caminhada, pois, aos que creem deveras, muitas vezes os Senhor testa no escuro para ver em quê, estão eles firmes. Isaías ensina: “Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor; firme-se sobre seu Deus.” Is 50;10

Então, diverso do que dizem a fé não é cega em seu objetivo; “Sei em quem tenho crido e sei que É Poderoso para guardar meu depósito” como disse Paulo. Entretanto, pela própria natureza da fé, se requer que ela “veja” n’outra dimensão; isto é; confie irrestritamente Naquele que crê, pois, se assim não for nega-se.

Muito do que se veicula rotulado por fé não passa de certo otimismo espiritual, devaneios falsamente piedosos, como se, O Todo Poderoso fosse um adido, um Ajudador para abençoar “nossos” projetos.

Quem ainda se acha capitão do navio da própria vida nunca chegou perto da cruz, berço do novo nascimento; qualquer “bênção” que suas mandingas fruírem será fortuita; ou, de fontes espúrias, não, do Senhor. “Deus não é Deus de mortos.” Se, a cruz demanda o “negue a si mesmo”, onde resta espaço, autoridade, para que eu trace as linhas de minha caminhada e deixe ao Eterno apenas a “honrosa” condição de me abençoar?

Nem se trata do viés do poder; ainda que esse bastaria para decidir quem manda; antes, da Onisciência do Pai. Ele ama a todos; sobretudo, os fiéis; como, “há caminhos que ao homem parecem direitos, mas, no final, são caminhos de morte”, Ele preceitua que deixemos a escolha do caminho com Ele; “Entrega teu caminho ao Senhor; confia Nele e tudo Ele fará.” Sal 34;5

Assim, os que vivem pela fé devem estar atentos, pois, a qualquer momento uma lícita jornada a Bitínia passará a ser desobediência, se, no silêncio da noite o Espírito Santo ordenar a ida à Macedônia, como fez com Paulo.

O homem espiritual não cumpre um conjunto de regras eclesiásticas estritamente; não que seja desobediente, mas, pela intimidade com O Senhor pode ser comissionado pelo Espírito a coisas novas, a despeito das regras horizontais. “teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para direita nem para esquerda.” Is 30;21

O legalismo restringe seus servos a determinado conjunto de regras; o andar em espírito chama-nos à comunhão, o que, muitas vezes nos coloca em choque entre obedecer a Deus, ou, os homens. Não parece uma escolha difícil no prisma filosófico, embora, tenhas seus desdobramentos críticos no âmbito prático.

Quando Paulo diz que nossa entrega irrestrita, o “sacrifício vivo” é nosso culto racional, atina ao fato que a vida de fé, ainda que nos desafie ao escuro, à medida que caminhamos, os frutos seus convencem ao intelecto também; “... minha doutrina não é minha, mas, daquele que me enviou. Se, alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se é de Deus, ou se falo de mim mesmo.” Jo 7;16 e 17

Assim, o ingresso é no “escuro”, o desafio da Palavra; porém, a caminhada é mais ou menos como dirigir sob cerrada neblina; vemos uns trinta metros apenas, contudo, avançando aquele trecho, outro igual se descortina adiante, e, dirigindo com prudência, cuidado, iremos com segurança, desde que, sabendo ler e obedecer às placas de advertência ao longo do caminho.

O Eterno prometera Canaã a Abraão; entretanto, seus descendentes, sabedores da promessa, em dado momento tiveram que viver no Egito. A fé não aniquila-se quando, em determinadas circunstâncias anda na contramão; afinal, se tem lugares específicos prometidos, também tem um tempo oportuno; ousar antes dele não o upgrade da fé, mas, a negação, a dúvida. “Aquele que crer não se apresse”.

Não que seja ilícito homens de fé ter seus anseios, projetos, até; mas, todos esses devem ser submetidos ao Senhor. Quando Ele ocupar a primazia em nossas vidas, nos agradarmos da Sua Santa companhia, os mais caros desejos, desde que, lícitos, terão Sua bênção. “Deleita-te no Senhor, Ele te concederá os desejos do teu coração.” Sal 37;5

Em suma, a fé saudável não traça caminhos; seu hospedeiro recebe os necessários “faróis de neblina” e é capacitado a trilhar a senda escolhida pelo Senhor. Se, no imediato ignora por onde vai, no Eterno, sabe onde chegar. Eis, os olhos da fé!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Os bêbados e a Arca de Noé

“Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez.” Prov 23;35

O ébrio com sentidos entorpecidos estragando a função profilática da dor; a de servir como sinal de alerta para evitar dores futuras, quiçá, maiores.

De bom grado evitaríamos essa indigesta, se, pudéssemos; graças às nossas dores pretéritas que nos mostraram quanto ela é ruim.

No auge da Sua dor, O Salvador pregado na cruz recusou o vinagre oferecido que, poderia entorpecer um pouco, aliviando a sensação dolorosa. Isaías O descrevera como “Homem de Dores”; assim foi até o fim.

Definhamos dia a dia nisso que deveria ser nossa qualidade mais notória; a disposição para sofrer por amor a Cristo. “Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente.” I Ped 2;19

Somos a “evolução” de uma Igreja que começou enfrentando martírios, apedrejamento, crucificação, leões, sem negar a fé; no entanto, a mera rejeição pelo mundo, o lapso de aplausos e bajulações, para muitos, já soa como uma pesada cruz. O que será que eles beberam?

Beberam de “doutrinas” escolhidas a dedo pelas suas próprias cobiças, invés da saneadora Doutrina de Cristo; Paulo advertiu que assim seria: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas, tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições...” II Tim 4;3 a 5

A ideia do apóstolo ao seu discípulo Timóteo é: Não seja o caso de, por estarem todos bêbados, você se embriagar também; ”tu, sê sóbrio...”

Vivemos a massificação imbecilizante e pujante nos meios de comunicação, a TV, sobretudo, empurra seu lixo goela abaixo de gente incapaz de o não digerir; ai nos vendem a devassa “mulher do ano” a insossa “música do ano” e demais estrumes do tipo, como se, suas comichões adoecidas tivessem que ser nossas também; ou, se, o chorume que escoa de seus monturos nos fosse aquilatado como água mineral; que gente sem noção!

Carecemos muito da sobriedade espiritual, não só para manutenção de nossas almas salvas, como, da produtividade de nossos ministérios. “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto salvarás tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” I Tim 4;16

Esse cuidado implicava também a manutenção da digna postura, mesmo que, fossem necessários sofrimentos. “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo... Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também nos negará;” Cap 2;3 e 12 dissera ainda, Paulo.

O drama dos mensageiros probos do Senhor é lidar com uma geração de drogados espirituais, que de tanto consumirem facilidades falsas acenadas pelos mercenários da praça não conseguem mais atingir a devida contrição ao ouvirem uma mensagem sadia que aponta para a cruz como Único meio, e arrependimento como indispensável se, alguém pretende ser de Cristo. “feriram-me, mas, não doeu...” como o ébrio.

Esses pastores de si mesmos precisam números, não importa se, de bodes, ovelhas, ou, qualquer monstrengo que for. Seus “rebanhos” lembram a Arca de Noé, têm espaço para todos os tipos de animais. Digo, não importa quais sejam as paixões, os desejos de cada um, venha que Deus vai te dar isso, “realizar seus sonhos em Nome de Jesus.”

Alguns safados lançam mão da saga de José, como se, ele tivesse sonhado alto e Deus realizado. Ora, o infeliz sequer cogitava o sentido daquilo; Deus o fez soberanamente. Mas, somos desafiados a sonhar coisas grandes que O Pai as fará. Como desintoxicar tais viciados, com a pura Água da Vida” depois de tantos goles de “pura” assim?

Somos instados ao, “negue a si mesmo” “deixe os seus pensamentos e se converta”, “transformai-vos pela renovação da vossa mente”, onde entram no projeto os meus sonhos, por bem intencionados que possam ser?

Ironicamente no dia de Pentecostes, quando do derramar do Espírito Santo sobre a Igreja, os apóstolos e discípulos pareceram bêbados aos que estavam de fora; hoje, o gospelismo sem noção e o acariciar as mesmas comichões dos ímpios faz esses “crentes” parecerem “legais” aos ímpios. Afinal, conseguem alargar tanto à porta que qualquer um pode entrar.

Ninguém gosta de sofrer, de modo que, evadir-se à dor é nossa inclinação natural; entretanto, se for pra escapar de uma privação eventual em troca de outra eterna, a perdição, invés de fugir da dor, o ébrio acaba indo ao encontro. Tais fugitivos parecem espertos em princípio, mas, é no fim que se revela o sentido do caminho. “Há um caminho que ao homem parece direito, mas, no fim, são caminhos de morte”.

domingo, 10 de dezembro de 2017

O Silêncio tem algo a dizer

“O coração do justo medita no que há de responder, mas, a boca dos ímpios jorra coisas más.” Prov 15;28

O justo e o ímpio. Dois tempos de reação; um espera, medita; outro, imediato. Duas fontes; o que medita pede assessoria ao coração; ao apressado basta ter boca.

Quem já sofreu incisões de palavras más, pelas próprias dores aprendeu a parcimônia no uso da fala, pois, teme causar males também. Todavia, o tagarela sem escrúpulos, sem valores está habituado a fazer das palavras a camuflagem do que pensa deveras, ou, apenas supre o lapso da incapacidade de meditar, com a frivolidade de falar sem sentido.

A síntese é que, desgraçadamente, quem mais tem o que dizer, geralmente é grave, moderado, quando não, cala. Por outro lado, os tolos, os imbecis, justo pela falta de noção que lhes é peculiar e os faz sábios aos próprios olhos, se esforçam em mostrar sua “sabedoria”, quando, calar seria o melhor.

Adiante Salomão reflete sobre isso outra vez; “O que possui conhecimento guarda suas palavras; o homem de entendimento é de precioso espírito. Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; o que cerra os seus lábios é tido por entendido.” Cap 17;27 e 28

Depois, chega às razões da tagarelice do estulto; “O tolo não tem prazer na sabedoria, mas, só em que se manifeste aquilo que agrada seu coração.” Cap 18;2 Seus motivos nada têm com o intelecto, a sabedoria; antes, são instintivos, emocionais; como é próprio dos tolos, aquilo que os alegra supõem que fará a alegria de outro também; pois, sua “sabedoria” não consegue imaginar que outros sejam diferentes deles.

Desse calibre muitos vizinhos sem noção, que se alegram ouvindo nojeiras de péssimo gosto que chamam de música, e colocam em alto volume, estupram nossos ouvidos destreinados para aquilo, pois, estando tão felizes no lixo supõem que devem compartilhar com a gente também. Desse modo, sua intenção não é má; a falta de noção, sim.

Um provérbio hindu ao qual recorro às vezes diz: “Quando falares cuida para que as tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio”. Mesmo que o falar seja verdadeiro, até, sábio; pode que não seja oportuno, como viu O Senhor sobre a capacidade dos discípulos de ouvirem, então, sobre agruras porvir; “Ainda tenho muito que vos dizer, mas, vós não podeis suportar agora.” Jo 16;12

Esse erro, aliás, de não considerar a repercussão das palavras do outro lado, o excesso de boca sem coração cometeram os amigos de Jó; dada a grandeza da desolação, mesmo não a podendo entender resolveram achar motivos “racionais” para aquilo tudo, e se tornaram um peso, invés de uma ajuda ao infeliz. Então, ele suspirou: “Vós, porém, sois inventores de mentiras; vós todos, médicos que não valem nada. Quem dera que vos calásseis de todo, pois, isso seria vossa sabedoria.” Jó 13;4 e 5

Para a percepção de Jó, um caso tão doloroso seria digno de compaixão mesmo que ele estivesse alienado de Deus, como o acusavam; “Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso.” Cap 6;14

Adiante expôs a razão da sua expectativa frustrada no tocante a eles; “Falaria eu também como vós falais, se a vossa alma estivesse em lugar da minha? Ou, amontoaria palavras contra vós e menearia contra vós a minha cabeça? Antes, vos fortaleceria com a minha boca; a consolação dos meus lábios abrandaria vossa dor.” Cap 16;4 e 5

Um sábio que temia a Deus como ele, assediado por paroleiros sem misericórdia nem entendimento era, como se diz alhures, gatos mijando em cachorro.

Ainda é preferível o silêncio quando, falar, não “infrói nem diminói”, e, em nada vai alterar a situação, pelo menos, para melhor. O Senhor preso foi enviado a Herodes, o vice-treco da sub-coisa; não apitava nada, mas, queria se divertir demandando de Jesus algum prodígio; nenhuma palavra. Como se diz, o silêncio também é uma resposta. Porém, bem mais eloquente que as palavras, dado que, diverso delas, consegue expressar o inexprimível.

“Quando palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar.” Eduardo Galeano

Claro que há momentos em que silenciar é covardia, omissão; devemos mesmo “botar a boca no trombone”.

Então, antes que alguém conclua que esse escrito é uma apologia do silêncio, ressalvo que, defendo apenas o falar com senso de ocasião, proveito, empatia. Como disse alguém: “É melhor ficar calado mesmo que todos pensem que você é um idiota, que, abrir a boca e lhes dar certeza.”

Ou, como sentenciou o mesmo Salomão: “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” Prov 25;11

sábado, 9 de dezembro de 2017

Deus está com fome

“De manhã (Jesus) voltando para a cidade, teve fome.” Mat 21;18

O Senhor tinha dupla natureza; por esvaziamento da Sua Glória, fez-se semelhante a nós; contudo, “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” disse; também É Deus; sem O Qual, “nada do que foi feito se fez.”

Assim, em sua forma humana sofreu as mesmas necessidades e tentações que nós. Seu corpo, como o nosso, de tempo em tempo sentia fome. Porém, em seu aspecto Divino tinha fome de quê? Ou, noutras palavras, Deus tem fome de quê?

Quando Ele fala: “Tive fome e me deste de comer...” atina a Sua identificação com os desvalidos, não, Sua fome estritamente.

Os nossos manjares, parece que não lhes interessam nenhum pouco; “Se eu tivesse fome, não te diria, pois, meu é o mundo e toda sua plenitude. Comerei carne de touros? ou beberei sangue de bodes?” Sal 50;12 e 13 A resposta óbvia é não.

Quando os discípulos foram à cidade em busca de suprimento para as demandas do corpo, na volta flagram ao Mestre se alimentando na dimensão espiritual; “...seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis... Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? Jesus disse-lhes: Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, realizar sua obra.” Jo 4;31 a 34

No mesmo contexto em que disse não comer carne de touros ou, sangue de bodes, O Eterno falou: “Oferece a Deus sacrifício de louvor, paga ao Altíssimo os teus votos. Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.” Sal 50;14 e 15

Todavia, isso pode ser entendido de maneira superficial, como se, meros votos, ofertas, alguns louvores da boca pra fora bastassem para alegrar Aquele que sonda os corações e conhece o oculto. Antes de aceitar nossas oferendas precisa aceitar nossas pessoas, como diz adiante: “Aquele que oferece sacrifício de louvor me glorificará; e àquele que bem ordena seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus.” V 23

Qual seria o critério aceitável diante Dele para bem ordenarmos nossos caminhos? Essa pergunta já foi feita e respondida; “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme tua palavra. Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.” Sal 119;9 a 11

Afinal, a Glória que O Santo busca não é a expressão verbal, “Glória a Deus” como devaneiam alguns; antes, a expressão do Seu Ser, em nosso agir; para espanto e iluminação daqueles que ainda não O conhecem; “Não se acende a candeia e coloca debaixo do alqueire, mas, no velador; dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está nos céus.” Mat 5;15 e 16

Jesus chamou os Seus a “ser” testemunhas Dele, não, a apenas ter um testemunho para contar. Isso demanda uma transformação tal que nossa antiga maneira de viver desaparece, pois, “...se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo.” II Cor 5;17

Se, a fé vem pelo ouvir, o testemunho veraz é ainda mais eloquente; salta aos olhos; “...muitos verão, temerão e confiarão no Senhor.” Sal 40;3

Então, agradaremos a Deus, na dimensão espiritual, na exata medida que sentirmos em nós, a fome e a sede que Ele Sente; “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;” Mat 5;6

O mundo vive sua síndrome de Nicodemos; O Senhor falou em “nascer de novo” ele cogitou entrar de volta no ventre materno, levou ao pé da letra. Assim, Jesus veio com A Luz do Mundo; Capacitou o entendimento espiritual da essência das coisas; Sua Doutrina; porém, o mundo dá as costas a isso, colocando um fantoche em Seu Lugar para que O Senhor seja esquecido. Faz diuturnamente sua homenagem às trevas nas má obras que abraça e reveste esplendorosamente às fachadas e praças de luzes que espiritualmente servem para distrair, invés de iluminar.

O hipócrita “feliz natal” é banal, sem Cristo; o sujeito manda um cartão assim para sua amante; os corruptos igualmente o fazem, para suas vítimas; os devassos o desejam aos colegas de devassidão; somos maus o ano todo, mas, nesse tempo anexamos à maldade costumeira o verniz religioso na pretensão de lavar almas encardidas de pecados, (o que demanda o Sangue Santo e arrependimento) dando migalhas.

Certamente essa excitação hipócrita aumenta a fome de Deus: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas, justiça, paz, e alegria no Espírito Santo.” Rom 14;17

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Jeito Divino de Abençoar

“Os (membros) que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; os que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas, Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela;” I Cor 12;23 e 24

Eis a Divina justiça e Sua parcimônia em abençoar conforme as carências, não, os desejos! Totalmente na contramão do mundo que costuma cobrir de ouro que já possui mais que o necessário e deixar padecer na miséria os desvalidos.

Certa vez lembro-me de ter ouvido uma conversa de passagem diante de um bar; “-Fulano acertou no bicho; na cabeça. – Eita, o diabo caga sempre no monte maior!” Tive que rir. Isso, porque o sujeito que acertara era um endinheirado, não precisava. Pois, que o Capiroto faça o que quiser do seu estrume, mas, estamos meditando na Bondade Sábia de Deus.

Antes que algum canhoto pense que estou falando de sistemas políticos lembro: Os “socialistas” onde dominaram, apenas mudaram a opressão e a riqueza, dos capitalistas para os próceres do partido e os miseráveis seguiram como eram, e com menos direitos, liberdades; portanto, desprezo-os por sua injustiça e hipocrisia; estou falando é do egoísmo mesmo.

Os que ganham pouco mais de um salário mínimo pagam por uma casa financiada durante mais de 20 anos; os que ganham salários acima de 30 mil por mês recebem “auxílio moradia” superior a quatro mil reais mensais, por exemplo. Um cidadão comum se quiser comparecer a determinado evento arcará com transporte, estadia, ingresso; um famoso e endinheirado receberá “cachê” para comparecer, pois, sua presença “promove” ao dito evento. Isso do jeito de “abençoar” do mundo, em oposição ao modo Divino que supre onde falta, invés de desperdiçar onde sobra.

Ninguém maior em honra na Igreja primitiva que os apóstolos; entretanto, “... Deus a nós, apóstolos pôs por últimos, como condenados à morte; pois, somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, vós, sábios em Cristo; nós fracos, vós, fortes; vós, ilustres, nós, vis.” I Cor 4;9 e 10

Os “apóstolos” do ar condicionado atuais e muitas “estrelas” góspeis deveriam refletir sobre isso antes de fazer suas listas de exigências de super stars do mundo para darem seus “Shows”.

Paulo aprendeu que o Poder Divino se aperfeiçoa na fraqueza; mesmo seu incômodo “espinho na carne” não foi removido. Disse mais: “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; Deus escolheu as coisas vis deste mundo, as desprezíveis, as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.” I Cor 1;27 a 29

A Bíblia ensina que não sabemos orar como convém. Quando Deus “apareceu” em sonho a Salomão e franqueou: “Pede-me o que queres”. O Rei invés de pedir vingança contra inimigos, ou, tesouros terrenos pediu sabedoria para reinar; noutras palavras: invés de pedir facilidades na vida pediu ferramentas para trabalhar.

Isso agradou tanto ao Eterno que fez mui além do pedido. “Porquanto pediste isso, não pediste para ti muitos dias, nem pediste para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos; mas, pediste para ti entendimento, para discernires o que é justo; eis que fiz segundo tuas palavras; eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti igual não houve e depois de ti igual não se levantará. Também até o que não pediste te dei, assim riquezas como glória; de modo que não haverá um igual entre os reis, por todos os teus dias.” I Re 2;11 a 13

A maioria da geração atual, não apenas não sabe o quê, pedir, como, sequer, pede; ela faz “melhor”; “Ordena, determina, decreta” a “Bênção de Deus”.

Natural que nos inquietemos por coisas que supomos necessitar; porém, se Deus demora em nos dá-las, certamente está cuidando de outras que, aos Seus Olhos necessitamos mais, ou, primeiro. Daí, “Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele e tudo Ele fará.” O “tudo” que interessa no tocante aos Seus não inclui fama, riquezas terrenas, antes, atina, sobretudo, à justiça; “Ele fará sobressair tua justiça como a luz, e teu juízo como o meio-dia.” Sal 37 5 e 6

Desse modo, quando insto, oro, peço e não recebo o que pedi convém atentar bem para o que recebi oculto atrás desse, não. Como dizia Spurgeon, “Deus nos abençoa muitas vezes cada vez que nos abençoa.”

Minhas petições desnudam apenas meus desejos; a Divina Onisciência conhece minhas necessidades. Obrigado Pai por tantos nãos! Perdoa minhas orações.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Meu bem, meu mal e a besta

“Se estiver embotado o ferro e não se afiar o corte, então, se deve redobrar a força; mas, a sabedoria é excelente para dirigir.” Ecl 10;10

Pensando bem, em alguns momentos me vejo bem pior do que penso; então, urge que eu aprenda pensar melhor. A honestidade moral e intelectual são as lentes da alma que corrigem seu grau de miopia.

Somos mui espontâneos em “assumir” pretensas virtudes, receber elogios; muitos correm em busca disso como um viciado buscando drogas.

Todavia, um garimpeiro a laborar no rio lida com lama, água suja, areia; eventualmente, sua persistência é premiada com algo de valor. Assim somos em nossas almas impuras; mas, dada a vaidade exibimos nossas “pepitas”, apenas, malgrado, tenhamos muita impureza oculta...

Nossa enfermidade é tão “normal” que sequer notamos. Desde que nos foi “legada” a autonomia em relação a Deus, que nós mesmos mensuramos bem e mal ao nosso alvitre, o bem deixou de ser uma coisa derivada de valores e passou a ser fruto de sentimentos, emoções. Assim, aquilo que eu gosto, por insano que seja será meu, “bem”; o que desgosto, não obstante tenha seus méritos, virtudes, será o mal.

Dizem que mente vazia é oficina do Tinhoso; n’outras palavras quem está a esmo tende mais a fazer porcarias que a tomar boas decisões.

Bem, sempre ouvi isso por alto sem me ocupar de pensar a respeito; parecia um dito sábio. Contudo, pensando melhor, se não houver um adjetivo producente ao conteúdo da mente, talvez seja melhor que esteja mesmo baldia.

Como assim? Todos filosofam sobre a superioridade da qualidade ante a quantidade; assim, uma mente cheia de maus intentos, pensamentos viciosos seria melhor que uma vazia? Mudando a figura; seria preferível um vaso cheio de lixo a outro, vazio?

Talvez o que se queira dizer é que o envolvimento em alguma ocupação virtuosa tende a tolher nossa inclinação natural pelo mal; nisso estou de acordo.

Henry Ford dizia: “Pensar é o trabalho mais duro que há; e essa, talvez, seja a razão para que tão poucos se ocupem nele.” Alguns, presto discordarão, pois, acham que maliciar, desejar, maquinar embustes, são sinônimos de pensar. Não senhores! Pensar deveras requer uma alma filosófica que tenta entender as coisas e seus porquês; que abstraia o fenômeno, a aparência e tente tocar o motivo, o alvo.
Dizemos que as aparências enganam, quando o engano é filho de nossa percepção destreinada.

Um exemplo de vero pensar: “Quando penso nas coisas como são, pergunto: por quê? Quando as analiso como não são, questiono: Por que não?” George Bernard Shaw

A geração atual pelo seu espírito praticamente proíbe o livre pensamento. As coisas são devidamente encaixadas em seus moldes “politicamente corretos” e somos patrulhados para não sairmos da caixa. Quem deu autoridade absoluta a esses embusteiros que tentam implantar as coisas ao seu gosto? O que está vigente é abolição do cérebro cuja carta de alforria foi assinada com uma putrefata pena ideológica que está suja de muito sangue e já fez correr rios de lágrimas.

Escandalizamos-nos ao ver universitários enfiando velas acesas no rabo como sendo uma forma de “arte”; porém, no tempo que os animais falavam, digo, quando os cérebros ainda funcionavam, a arte era a expressão do belo, do criativo, seu desfile dava azo à sublimação, ao enlevo; ah, e havia diferença entre o ridículo, o abjeto, o obsceno, e ela.

Platão definiu o homem como sendo um invólucro de pele contendo dentro uma besta policéfala (de muitas cabeças) e no alto um homenzinho; segundo ele, a besta representa os instintos bárbaros, incivilizados; e, cada cabeça tipifica uma má inclinação, uma paixão doentia; o homenzinho seria nossa parte superior, a razão. Assim, o filósofo seria aquele cujo homem interior teria domínio sobre o monstro; os demais, o oposto.

Pois bem, alugando essa figura por um pouco, nossa geração tem alimentado a besta com a carne do finado homenzinho racional. Gente de renome, professores de faculdade, artistas, jornalistas, pessoas que deveriam ser os nossos luminares exibem sintomas pujantes de desonestidade intelectual e moral, e subserviência ao monstro das paixões triturador da razão, dos fatos, da história, da verdade...

O sistema facilita a indigência mental; basta compartilhar algo do qual se gostou, mesmo sem entender direito e o sujeito já será “racional” profundo.

Claro que frases feitas têm seu valor, sempre recorro a elas quando parecem oportunas, mas, se nosso “pensar” se resumir a isso não passaremos de robôs programados, mentecaptos, que literalmente significa capado da mente, castrado.

Pensar não é decorar as ideias alheias, antes, usar a massa intracraniana para gestar as nossas. “A mente não é um vaso para ser cheio; é um fogo a ser aceso” Plutarco.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Humanidade Pródiga

“... tudo que Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar e nada tirar; isto faz Deus para que haja temor diante dele.” Ecl 3;14

Ele mesmo encerra o Cânon reiterando isso: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas; se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará sua parte do livro da vida, da Cidade Santa e das coisas que estão escritas neste livro.” Apoc 22;18 e 19

Inicialmente O Santo tolerou guerras, escravidão, poligamia, coisas que, Paulo disse, eram segundo “os rudimentos do mundo, não segundo Cristo,” não significa que O Todo Poderoso esteja se aperfeiçoando ao longo do tempo; antes, que Sua Misericórdia perfeita lidou em amor com nossas imperfeições.

Tampouco, O Novo Testamento é um aperfeiçoamento do Velho; antes, o cumprimento dos vaticínios, demandas e tipos proféticos nele contidos. Se, em certos aspectos a Revelação de Deus e Seu Reino, vieram de modo progressivo, isso atina à humana capacidade de entendimento, não a alguma “evolução” Daquele no qual não há mudança nem sombra de variação; “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje, e eternamente.” Heb 13;8

Isaías situou aos replicantes: “Ai daquele que contende com seu Criador! caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos? Ai daquele que diz ao pai: Que é que geras? E à mulher: Que dás tu à luz?” Is 45;9 e 10

O fato de estarmos diante do Eterno deveria ensejar temor em nós; entretanto, nem sempre é assim.

O Eterno vetou hibridismos de plantas e animais, contudo, cheia deles está a Terra; “Não semearás a tua vinha com diferentes espécies de semente, para que não se degenere o fruto... Com boi e com jumento não lavrarás juntamente.” Deut 22;9 e 10 etc.

Há um determinismo biológico bem claro quando da formação dos seres vivos; tanto plantas, quanto, animais. “... Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra... Produza a terra alma vivente conforme sua espécie; gado, répteis e feras da terra conforme sua espécie...” Gên 1;11 e 24

As expressões, segundo sua espécie, ou, conforme sua espécie se repetem, à exaustão. Porém, não satisfeitos de alterar o que O Eterno disse, alguns ousaram negar frontalmente Sua Palavra. Desses veio a famigerada Teoria da Evolução, segundo a qual tudo teria se originado de modo casual, fortuito; evoluído ao longo de eras de modo que, as miríades de espécies existentes seriam variações evolutivas de uma apenas.

Contudo, com a descoberta do código genético, o DNA, ficou estabelecido cientificamente que cada espécie é distinta e preserva sua distinção, invés de se tornar outra. Então, descoberto e comprovado isso, o “homo sapiens” honesto que é presto assumiu que estava errado, abdicou de suas falsas afirmações, refez todos os livros didáticos que abordavam o tema e passou a ensinar ciência pelo viés criacionista; só que não.

Após esbanjar sua vasta herança, intelectual, experimental, teórica; e, como o pródigo gastar tudo no meretrício da falsa ciência, e acabar errante entre porcos, o obstinado e resiliente pecador finge que seus postulados ímpios inda estão em pé e parte para novos ataques contra O Criador; agora, com alteração da Palavra para que não mais condene ao homossexualismo, e, a nojenta e abjeta ideologia de gênero. Deus não teria criado macho e fêmea, mas, andróginos; a sociedade teria imposto isso aos pobres infantes, que deveriam se portar conforme seu gênero.

Eis a maldição de se por voluntariamente sob o domínio do deus desse século! Cegueira. “O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” II Cor 4;4 Desafiados a mudar de postura e corresponder ao Divino Amor, endurecem seus corações; mostram, como os coevos do Senhor, amar mais as trevas que a Luz.

A humanidade mudou “para baixo” após a queda; alienada do Criador e Seus valores degenerou. O desafio da Cruz é para que neguemos essa fraude que nos tornamos, e sejamos regenerados segundo Deus. A imensa maioria, infelizmente, gosta demais da sugestão de decidir por conta acerca do bem e do mal; acaba trocando um pelo outro, pois, cega, e aprendendo “Braille” com um mestre que odeia a Deus, herda como seu o ódio daquele.

Os que temem ao Santo não mudam Seus conceitos de bem e mal; são capacitados pela misericórdia Dele a mudar de vida.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A Pedra Rejeitada

“Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os edificadores rejeitaram foi posta por cabeça de esquina; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” Mc 12;10 e 11

Jesus altercando com “edificadores”, os religiosos, que O rejeitavam. Disse que Sua rejeição estava prevista nas escrituras já; ironicamente perguntou se eles jamais tinham lido.

Não só tinham, como, muitas vezes, cantado; pois, estava no seu hinário; Salmo 118;22. Nós outros também, quantas vezes lemos, ou, cantamos coisas apenas da boca pra fora, cujo conteúdo não nos toca?

“Edificadores”, não deve ser entendido literalmente; nem mesmo, Pedra. A edificação em apreço era O Reino de Deus; o trabalho, o devido cuidado com Suas ovelhas. E, nessa linguagem foi predito também: “Assim diz o Senhor Deus: Estou contra os pastores; das suas mãos demandarei minhas ovelhas; eles deixarão de apascentá-las; os pastores não apascentarão mais a si mesmos; livrarei minhas ovelhas da sua boca, não lhes servirão mais de pasto. Porque assim diz o Senhor Deus: Eu mesmo procurarei pelas minhas ovelhas e as buscarei.” Ez 34;10 e 11

“Isto foi feito pelo Senhor...” Ele disse que começaria algo novo; “Pois, também te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” Mat 16 18 Para a teologia católica essa passagem refere-se ao “Primado de Pedro” onde ele teria sido escolhido para chefe, ou, Papa.

Entretanto, como ensina a boa regra de hermenêutica, quando um texto parecer dúbio, polêmico e difícil de interpretar recorre-se a outros paralelos para chegar a uma solução segura; pois, a Bíblia interpreta a Bíblia, a Palavra não é de escopo individual; “...nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas, homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” II Ped 1;20 e 21

Pois, mesmo Pedro, face a face com o Senhor ouviu: “O que faço agora não o sabes; entenderás depois” isto é, depois de iluminado pelo Espírito Santo.

A questão da Pedra, malgrado, a coincidência com seu nome, não pensava ser ele; nunca referiu-se a si mesmo como Papa, antes, Presbítero; e invés de pretender que seus escritos fossem o supra-sumo da fé, as “encíclicas eclesiásticas”, confessou sua dificuldade de entender escritos mais profundos, como os de Paulo, por exemplo; “Tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também nosso amado irmão Paulo escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender...” II Ped 3;15 e 16

Sobre a “Pedra”, voltando, disse: “Chegando-vos para ele, (Cristo) pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e preciosa; vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; quem nela crer não será confundido. Assim para vós que credes é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram foi a principal da esquina...” I Ped 2;4 a 7


Noutra parte, quando O Senhor lhe disse que daria as chaves do Reino estava falava da honra de ser o precursor dos pregadores, o que abriria a Porta, que, como dissera O Senhor, “Eu Sou a porta...” Assim, as primeiras pregações da igreja foram dele; cinco mil almas se converteram ouvindo; desde então, a Porta foi aberta.

Todavia o fundamento sempre foi o Ensino de Cristo e a Autoridade maior, O Espírito Santo, não, um homem. “...disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13;2 O mesmo Pedro foi curado pelo Espírito do excesso de judaísmo e enviado ao encontro do romano Cornélio, etc.

Noutra parte, quando o “Papa” falhou foi corrigido por Paulo; “chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando; se apartou deles temendo os que eram da circuncisão.” Gál 2;11 e 12

Enfim, quem se preocupa mais com aceitação humana que Divina corre o risco de cometer o mesmo erro dos que condenaram ao Senhor. Rejeitar ao que Deus aprova e aprovar ao que Ele despreza. Pois, como ensina Salomão; “O que justifica o ímpio e o que condena o justo, tanto um quanto outro são abomináveis ao Senhor.” Prov 17;15

Tendemos a concordar com o que d’antemão concordamos; somos refratários a refazer ideias; mas, precisamente isso, requer a conversão...

domingo, 3 de dezembro de 2017

Diamantes em risco

“Acabando tudo isto, todos os israelitas que ali se achavam saíram às cidades de Judá e quebraram estátuas, cortaram bosques e derrubaram os altos e altares por toda Judá e Benjamim, como também, em Efraim e Manassés, tudo destruíram;” II Crôn 31;1

Ezequias subira ao trono com 25 anos e herdara um cenário de apostasia. O templo em ruínas, dezenas de cultos alternativos, idólatras, espalhados por Israel; uma verdadeira desolação.

Seus primeiros atos foram na direção de restauração do relacionamento com Deus. Recuperação do Templo em seus estragos, santificação das coisas sagradas que foram profanadas, celebração da páscoa, restabelecimento da ordem sacerdotal, culto e louvores ao Senhor.

Houve duas “quebras de protocolo” que O Eterno permitiu, dadas as circunstâncias. A páscoa deveria ser celebrada no primeiro mês; todavia, “O rei tivera conselho com os seus príncipes e toda a congregação em Jerusalém, para celebrarem a páscoa no segundo mês. Porquanto não a puderam celebrar no tempo próprio, porque não se tinham santificado sacerdotes em número suficiente e o povo não se tinha ajuntado em Jerusalém.” Cap 30;2 e 3

Depois, “havia muitos na congregação que não se tinham santificado... Ezequias orou por eles, dizendo: O Senhor, que é bom perdoa todo aquele que tem preparado seu coração para buscar o Deus de seus pais, ainda que não esteja purificado segundo a purificação do santuário. Ouviu o Senhor a Ezequias e sarou o povo.” VS 17;a 20

Vemos, pois, que arrependimento, contrição valem mais diante de Deus que outras coisas, que, mesmo tendo sido ordenadas como necessárias, em circunstâncias especiais tornam-se assessórias, desde que, o vital, o Temor do Senhor seja preservado.

Entretanto, é o Temor do Senhor que leva Seus servos a banirem a ideia de cultos híbridos; isto é; misturados com crenças, imagens, ritos que O Eterno não ordenou. Por isso, uma vez sarados por Deus, perdoados e aceitos, os hebreus arrependidos voltaram às suas terras e quebraram estátuas, destruíram altares que usavam quando estavam alienados do Santo.

Já li diatribes de vários padres contra protestantes no que tange ao culto de imagens dizendo em sua defesa que Deus mandou fazer dois querubins sobre a Arca da Aliança, e uma serpente de bronze. Portanto, segundo eles, o culto de imagens é válido desde que seja para O Senhor. É verdade; Ele mandou fazer isso e foi obedecido.

Porém, também mandou o seguinte: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque Eu, o Senhor teu Deus, sou zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.” Ex 20;4 e 5

Quer dizer que segundo a hermenêutica desses sacerdotes, o que Deus mandou fazer vale, mas, o que mandou NÃO FAZER, aí não precisa ser obedecido?

Note no texto acima que O Senhor equaciona o culto às imagens com odiá-lO. “visito a iniquidade... daqueles que me odeiam.” Mesmo que as pessoas digam que suas imagens são para cultuar a Deus Ele interpreta isso como ódio, pois, são deuses alternativos que acabam tomando um lugar que é exclusivo, Dele. “Eu Sou o Senhor; este é Meu Nome; minha glória, pois, a outrem não darei, nem meu louvor às imagens de escultura.” Is 42;8 “...nada sabem os que conduzem em procissão suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar.” Is 45;20

Não se trata de competição religiosa, isso não leva a lugar nenhum. Antes, tem ver com luz x trevas; verdade x mentira; salvação x perdição; vida ou morte.

Sem essa que todos os caminhos levam a Deus, que cada um O ama do seu jeito. Ele só reconhece um jeito de ser amado: “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” Jo 14;15

É certo que os dez mandamentos nos ensinos de Cristo foram reduzidos a dois; amar a Deus sobre tudo, e ao próximo. Todavia, como amaremos a Deus colocando entre nós e Ele algo que Ele odeia?

A idolatria não se restringe ao culto de imagens; avareza, ídolos humanos; qualquer coisa que usurpe o lugar exclusivo do Senhor. A sentença do Apocalipse é categórica: “Ficarão de fora... os idólatras...” Apoc 22;15

Meu alvo não é ferir suscetibilidades, antes, iluminar; não é competir, mas, exortar para que você não fique de fora.

Aos erros pretéritos Deus perdoa, apaga; desde que haja uma mudança como nos dias de Ezequias. Senão, aqueles que se apegam mais à religião que à vida jogam no lixo o que é precioso, como um louco usando diamantes numa funda.