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sábado, 31 de dezembro de 2016

O Tempo e a vontade

Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado.” (Provérbio chinês)

Interessante dito, pois, grosso modo parece contraditório; o sujeito gastaria mais tempo, para gastar menos tempo. Entretanto, a ideia central é que deve investir mais no preparo, quem deseja êxito em algo.

A Doutrina de Cristo, outra coisa não é, senão, que gastemos o tempo de nossa terrena peregrinação, “afiando o machado”, para que, após, tenhamos todo o tempo do mundo. “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.” Mc 8;35

Salomão, em temática semelhante acresceu a necessidade de esforço maior, a quem prepara menos sua “ferramenta”. “Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então, se deve redobrar a força; mas, a sabedoria é excelente para dirigir.” Ecl 10;10

Dentre as muitas coisas com as quais lidamos mal, uma das mais importantes é o tempo. Muitas vezes usamos a longanimidade Divina, Sua Santa Paciência, contra nós. Salomão, outra vez: “Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal.” Ecl 8;11

Isto é, não consideramos a possibilidade do juízo sobre o mal, pois, quiçá, ao longo do tempo se possa remediar o erro, ou, seja esquecido. Ora, quando O Eterno perdoa, lança no “mar do esquecimento”, mas, pecados não confessados, mesmo velhos, inda são feridas vivas perante Ele, e, eventual Silêncio, não significa conivência. “Estas coisas tens feito, eu me calei; pensavas que era tal como tu, mas, eu te arguirei, as porei por ordem diante dos teus olhos.” Sal 50;21

Temos certa fixação com datas “redondas” e na virada do milênio grande histeria tomou a humanidade; agora, no câmbio de ano, muitas queimas de fogos estão preparadas, de modo que, por alguns momentos, a crise profunda, inflação, desemprego, parecerão inexistir. Muitos enganam a si mesmos marcando como certas para o ano novo, coisas que deveriam ter feito há muito, e não fizeram; pelo hábito de procrastinar, não farão de novo.

Quantas vidas se perdem no trânsito, infelizmente, pois, muitos, saem em direção às suas festas com muita pressa, para “ganhar tempo.” Vimos há pouco a Corrida de São Silvestre em São Paulo, onde, o tempo foi usado como aferidor do desempenho dos atletas, o que, serve de figura para nossas vidas. A relevância não está em viver mais tempo, antes, em viver, de maneira tal, que qualquer que seja a duração de nossa vida, ela faça sentido, justifique-se, influencie, ilumine a quem nos contemplar na “maratona”. Ocorre-me uma frase de Demócrito: “Viver mal, não refletida, justa e piedosamente, disse, não é viver mal, mas, ir morrendo por muito tempo.”

Alguns se contradizem ao afirmar que creem em Deus e Sua Palavra, porém, quando morre alguém inesperadamente, “filosofam”: “Quando chega a hora de alguém morrer, não adianta, vai mesmo.” Ora, isso de ter uma hora marcada, um destino inelutável deriva do fatalismo grego, não, da Bíblia, que nos apresenta como arbitrários, consequentes.

Uma pessoa imprudente no trânsito não morre porque “chegou sua hora”, antes, porque chegou a colheita de sua semeadura, quiçá, “herdou” consequências de alheia culpa. Sabedor dessas variáveis, A Palavra de Deus nos exorta a tomarmos rumo num eterno presente, não deixando para um porvir que, nem sempre virá. “...Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações...” Heb 3;7 e 8

O Tempo de Deus para cada um de nós basicamente está em nossa expectativa de vida normal, livre de acidentes, violência, enfermidades graves, coisas que são consequências de escolhas, geralmente, não uma Divina imposição. Dentro desse tempo, O Santo insta conosco no desejo que voltemos à comunhão consigo mediante O Salvador. “De um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós.” Atos 17;26 e 27

A rebeldia do egoísmo humano costuma mascarar a falta de vontade como se, falta de tempo. Muitos desses, quando constatarem, finalmente, a seriedade do que está em jogo, terão vontade, quando o tempo tiver passado, como nos dias de Jeremias: “Passou a sega, findou o verão, e não estamos salvos.” Jr 8;20

Dizemos que querer é poder, e, em certo sentido, é, mesmo; digo, não posso, nem irei, em busca do que não quero. “Conheço muitos que não puderam, quando deviam, porque não quiseram quando podiam.” (François Rabelais)

A Luz e os náufragos

“Olhou de um lado e outro, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia.” Êx 2;12

Moisés matou um desafeto eventual, após certificar-se de que não haveria testemunhas. Esqueceu, porém, que o próprio hebreu que defendera, vira. Assim, para ações de uma “consciência” superficial, basta que desafetos não vejam, no mais, “tá limpo!”

Entretanto, quem tem uma consciência viva, não encontra lugar confortável para pecar, como José, em dias pretéritos àqueles, no mesmo Egito, quando a esposa de Potifar tentou seduzi-lo, estando apenas ambos em casa. Recusou, pois, pecaria contra seu senhor, e, contra Deus.

Nossa ideia de testemunho é rudimentar, pois, não excede à confirmação de atos, circunstâncias, através de outro igual, simplesmente. O Criador, porém, socorre-se de coisas, que num primeiro momento, nem ousamos imaginar. “Céus e Terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, bênção e maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e tua descendência.” Deut 30;19

Espere, dirá alguém, isso é uma figura de linguagem. Céus e Terra refere-se aos anjos e homens simplesmente, não, literalmente. Será? A Natureza com seus frutos é tomada como testemunha mais de uma vez, em prol dos feitos, bem como, da existência do Criador. Vejamos: “contudo, não deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas, tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria vossos corações.” Atos 14;17 “Porque suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto, seu eterno poder, quanto, sua divindade, se entendem, claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Rm 1;20

O renascido não evita testemunhos externos, simplesmente, antes, sabe-se exposto, pois, basta-lhe a voz da própria consciência como atestado de culpa, e, o silêncio da mesma, como aprovação. “Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente, sua consciência, seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;” Rom 2;15 Paulo falou isso dos que “não tinham Lei” como tendo já, na consciência, a essência da Lei espiritual.

A Carta aos hebreus apresenta os sacrifícios do Velho Testamento como “sombras dos bens futuros”, ou seja, tipos proféticos do que Deus faria. Tais, obravam uma “purificação” exterior, segundo a carne; mas, a consciência, o templo espiritual da alma seguia impura, pois, os sacrifícios não tinham alcance até ela. Cristo, porém, foi à raiz do problema: “Se, o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” Heb 9;13 e 14

A purificação da consciência é operada pelo Bendito Sacrifício de Jesus, sobre os que se arrependem; após, é mantida pura mediante obediência. “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, de uma boa consciência, e uma fé não fingida.” I Tim 1;5

Desse modo, invés de olharmos pra um lado e outro antes de um mau passo, a simples necessidade de que seja feito em oculto, é já um testemunho, que, tal ato deve ser abortado. O Salvador ensinou: “...a luz veio ao mundo, os homens amaram mais as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas, quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque, são feitas em Deus.” Jo 3;19 a 21

Andando na Luz não tememos acusação nenhuma. Quem prefere o escuro das más obras, não conte com a eficácia do Feito de Cristo. “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” I Jo 1;7

O testemunho do Espírito, portanto, devemos buscar, mais que tudo. Se, alguém acha que a era da graça significa facilidade, deveria pensar melhor, pois, “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós, será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, fizer agravo ao Espírito da graça?” Heb 10;28 e 29

Blasfêmia contra O Espírito Santo é o único pecado imperdoável; fazer isso é ter como mentiroso o testemunho que Ele nos dá. “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual, alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.” I Tim 1;19

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A força do amor

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, entrará, sairá, e achará pastagens.” Jo 10;9

Uma coisa nem sempre bem compreendida pelos que se aproximam de Deus, é Seu compromisso inalienável, com a liberdade. Embora, quem a Ele se chegue para salvação, o faça na condição de servo, tal servidão deve ser absolutamente voluntária. Desde a adesão primeira; “se alguém entrar por...” a condicionante, “se,” deixa em aberto a possibilidade de, não querer, simplesmente.

E, mesmo tendo entrado, certa “autonomia” nos é facultada, de modo que, permaneçamos servos, somente, se desejarmos. “...entrará, sairá...” O Senhor não baseia nossa permanência no Seu redil, a um conjunto de regras, tipo; isso pode, aquilo, não. Antes, na certeza que, o “Novo nascimento” inserirá nos salvos, paladar espiritual, de tal modo, que a certeza de termos Nele, vastas pastagens, se faz motivo suficiente para que voltemos, quando, uma razão qualquer, nos fizer sair.

O erro crasso do legalismo, vício dos Fariseus de então, e, de muitos, até hoje, é fundamentar a caminhada dos salvos num conjunto de regras exteriores, as quais, bem se pode “cumprir”, estando o interior totalmente depravado. Dos tais, disse: “Eles têm zelo por vós, não como convém; mas, querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles. É bom ser zeloso, mas, sempre do bem, não somente quando estou presente convosco.” Gál 4;17 e 18

A graça não nos deixou sem Lei, como imaginaria uma conclusão simplista, antes, mudou da Lei exterior, do não farás, para a interior, do Espírito, que testifica na consciência, silenciando nos bons passos, e, acusando, nos maus. “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei... Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas, a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.” Heb 7;12 e 28

Paulo ilustra o tribunal da consciência, onde, o pecador, mesmo, bem intencionado, não consegue absolvição por atos próprios, sequer consegue atuar plenamente, segundo a Lei interior; “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas, o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito, querer está em mim, mas, não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas, o mal que não quero, esse, faço.” Rom 7;17 a 19

Ora, essa “sintonia fina” que ensina a equacionar bem e mal ao mais íntimo desejo, invés da aparência piedosa, de quem “joga pra torcida”, é a Lei do Espírito, nos reconduzindo às vastas pastagens do Salvador. “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” Rom 8;2 Livrou pela cruz, pela morte. Graça não é facilidade; é imerecida possibilidade, de, “morrendo” renascer.

O cumprimento dos preceitos exteriores bastava para que alguém se sentisse em paz com Deus, mesmo, com muitos maus desejos no coração; a Lei do Espírito, insta conosco, até que, mediante arrependimento, confissão, deixemos também, intenções impuras, na cruz.

Desse modo, quem é Templo do Espírito, não carece um acusador externo, para o cientificar de eventual mau passo, mediante o conhecimento da Lei de Deus, pois, de certo modo, todos os salvos conhecem; é a essência do Novo Testamento. “Porque esta é a aliança que depois daqueles dias Farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei minhas leis no seu entendimento, em seu coração as escreverei; Eu lhes serei por Deus, eles me serão por povo; não ensinará cada um a seu próximo, nem, ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque, todos me conhecerão...” Heb 8;10 e 11

Quem conhece O Senhor, volta ao aprisco sem mais estímulos que Sua Bendita Pessoa, pois, aprendeu ouvir, confiar na voz do Pastor. Assim, é improdutivo, desnecessário, construir “cercas” por líderes religiosos, cercando ovelhas que não são suas. Improdutivo, pois, um conjunto de regras faz um religioso, não, um salvo; desnecessário, pois, não carece prender os passos de quem já está preso pelo coração, por amor do Bom Pastor.

Por isso os servos do Senhor podem ser livres, malgrado, estejam presos a Ele por toda a eternidade. Quem conhece a força do amor, não a coteja com as frágeis cercas da insegurança humana. “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam.” Cant 8;6 e 7

sábado, 24 de dezembro de 2016

O Senhor do Natal

“Toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande temor. Entrando ele no barco, voltou.” Luc 8;37

O temor do Senhor é preceito bíblico, mas, o que pede que Ele se afaste é medo, apenas. Se, Jesus menino é bem vindo em todas as casas, como indica a comemoração generalizada do Natal, parece que, Cristo homem, O Senhor, não é tão bem vindo, assim.

Existe duas formas distintas de dar; uma, tendo minhas conveniências como alvo, a egoísta; outra, que tem as necessidades alheias como motor, a amorosa, altruísta. O Senhor jamais priorizou quantidade, antes, qualidade da doação, do sentimento que a moveu; deixou isso patente, quando afirmou que uma viúva pobre, que dera duas moedas, dera mais, que os ricaços que despejavam suas sobras.

Por isso, disse que seus opositores deveriam aprender o real significado do “Misericórdia quero, não, sacrifício.” Na misericórdia, busco o bem alheio; no sacrifício, recompensa própria. Assim, dar tudo que tenho, mesmo que sejam duas moedas, pode ser mais que centenas de moedas, se, o fim da primeira ação foi ajudar quem precisa, da segunda, ostentar a própria “bondade”.

Deus sempre foi cioso de tempos, datas, no que tange à Sua Obra, tanto que, O Messias só veio, “cumprida a plenitude do tempo” como ensinou Paulo. Vejamos um exemplo mais: “...todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; desde Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; desde a deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações.” Mat 1;17

Assim, se, O Santo quisesse que comemorássemos o Natal, teria deixado registrada sua data precisa, que, certamente, não é dezembro, pois, nesse tempo, cai pesadas nevascas em Israel, auge do inverno, o que faz impossível a presença de pastores no Campo, e, duro a uma grávida, a peregrinação de Nazaré a Belém, como se deu, então.

Sua morte ordenou que fosse rememorada, “fazei isso, em memória de mim.” Deus É Eterno, e, a vida que propõe aos Seus, igualmente; desse modo, pouco contam efemérides, numa dimensão que, de certa forma, o tempo não passa.


O problema que faz infinitamente mais fácil comemorarmos o Natal, que a morte, é que, naquele caso, basta enchermos nossos átrios de luzinhas pisca-pisca, alguns penduricalhos numa árvore, ao som do mantra: “Feliz natal”!

No caso da morte Dele, convém, a quem rememora, uma identificação, e nova vida: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim, andemos nós também em novidade de vida.” Rom 6;3 e 4

O batismo na morte Dele é figura da renúncia que espera dos Seus, em prol da Divina Vontade, que, A Palavra chama de cruz; dado esse passo, pós arrependimento, lega Seu Bendito Espírito Santo, evento que chamou, “Novo Nascimento”, sem o qual, disse, ninguém pode entrar, sequer, ver, O Reino de Deus.

Se, o juízo começa por nós, como disse mediante Ezequiel, e reiterou por Pedro, os que celebram Sua morte, na Santa Ceia, são exortados a um autojulgamento segundo a “mente de Cristo”, Sua Palavra: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, assim, coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.
Por causa disto há entre vós muitos fracos, doentes, e muitos que dormem. Porque, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” I Cor 11;28 a 32


Discernir o Corpo de Cristo, não tem a ver com o pão que comemos, como ensinam alguns; antes, O Corpo de Cristo é a igreja, da qual, somos células, então, ao participar do Santo Ritual, encenamos ser, “um dos tais”; sejamos e participemos, senão, melhor evitar, pois, profanaria ao Santo.

João Batista, o “amigo do Noivo” disse: “Convém que Ele cresça, e eu, diminua.” “Papai Noel”, o fantoche espetaculoso cresce tanto, que atrai todos os holofotes para si, e ofusca ao Senhor.

Se, por um lado somos todos iguais, em direitos, dignidade, todos somos alvos do Amor Divino, nossas ações no que tange a Ele, nos diferenciam. Se, posso e devo abençoar a todos, Ele, “reserva a verdadeira sabedoria para os retos...” Prov 2;7

E enquanto o mundo envia seu “Feliz Natal” a toda sorte de corruptos, ladrões, promíscuos, adúlteros, etc. O Senhor do Natal é mais seletivo em Seus votos: “Felizes os limpos de coração, porque eles verão a Deus;” at 5;8

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Orçamento espiritual

“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro fazendo as contas dos gastos, para ver se tem com que acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, não podendo acabar, todos os que virem comecem escarnecer dele, dizendo: Este homem começou edificar e não pôde acabar.” Luc 14;28 a 30

O contexto é a rejeição, ou, oposição, que os convertidos sofreriam dos próprios familiares; antes de alguém tencionar segui-lo, O Salvador ensinou que deveria calcular os custos da empresa, para não abandoná-la inconclusa, e servir de escárnio aos que vissem.

Apesar de, chamados, em Cristo, à vida eterna, muitos se comportam como se tivessem pouco tempo, com pleitos imediatistas; de modo que, se Deus os não abençoar no tempo que esperam, se afastam, pois, não tinham verdadeira fé, apenas, esperanças em seus próprios devaneios.

Óbvio que, quem busca Deus deve esperar ser abençoado; entretanto, o será no tempo, e, do modo de Deus; por tê-lo buscado, não, por ter buscado bênçãos. “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e é galardoador dos que o buscam.” Heb 11;6

Algo que, podemos buscar seguros que é Vontade do Senhor, é edificação. Como a “Torre” da alegoria supra tem seus custos, nossa edificação, também. O conhecimento espiritual não se experimenta no âmbito intelectual; antes, é prático, requer que “encenemos” no teatro da vida segundo o “Script” do Salvador. 

Ele disse que, conhecendo a verdade, ela nos libertaria, mas, também, que isso só seria possível à medida que permanecêssemos em Sua Palavra; outra coisa não é, senão, obediência. “...Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;” Jo 8;31

Assim, a primeira coisa que devo estar disposto a “investir” é minha vontade, pois, ao negar a mim mesmo, indispensável para salvação, devo passar a ter como diretriz, a Vontade Divina.

Não temos mais, como os discípulos de Jesus, oportunidade de aprendermos diretamente do Senhor; antes, devemos fruir a luz espiritual mediante obreiros que foram, por Ele, comissionados. Como, nem tudo o que reluz é ouro, digo, nem todo que empunha a Bíblia é idôneo, um pouco, devemos buscar por nós mesmos, lendo a Palavra; esse pouco permitirá discernirmos se, nossos mestres são bíblicos em seus ensinos, ou, bebem de fonte espúria.

A consequência esperada da edificação é a ortodoxia doutrinária, a firmeza que nos faz rejeitarmos simulacros, por, conhecermos à verdade. “Até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” Ef 4;13 e 14

Além de ortodoxos, dos maduros se espera postura sóbria quanto aos dons, e comprometida no que tange ao amor. Alguns acham que o ápice do crescimento é exercitarem-se nos dons espirituais, mais, num exibicionismo pessoal, que, eventual edificação do Corpo de Cristo.

Ora, em I Coríntios 13, Paulo colocou como inúteis todos os dons, se, desprovidos do amor. Depois, no mesmo contexto, evocou sua meninice pretérita, para denunciar a presente, de muitos, na igreja de então. “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” V 11

Assim, os meninos que anseiam crescer, antes de aprender, devem buscar obedecer ao que sabem; pois, sabedoria espiritual, antes de burilar ao intelecto, traz brilho ao caráter de quem possui, deveras. “Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na sinceridade, para que guardem as veredas do juízo. Ele preservará o caminho dos seus santos.” Prov 2;7 e 8

Como uma planta em fase de crescimento que a cada dia renova seu viço, devemos ser, tanto no aprendizado do que falta-nos, quanto, na prática do que já sabemos ser Vontade de Deus. “...para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim, andemos nós também em novidade de vida.” Rom 6;4

Se, nosso crescimento estagnou em determinada estatura deve-se unicamente à nossa postura relapsa, pois, a Vontade do Edificador não cambia. “Tendo por certo isto, que aquele que em vós começou a boa obra, aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Fp 1;6

Quantos personagens bíblicos fizeram as coisas parcialmente! Judas se arrependeu, mas, suicidou-se; Saul confessou sua culpa no tocante a Davi, mas, não se arrependeu; Pilatos testificou da inocência de Jesus, mas, não o livrou... enfim muitos começaram bem, e não concluíram. Mas, “quem perseverar até o fim, será salvo.”

domingo, 18 de dezembro de 2016

Confiar "no escuro"

“Ali o reto pleitearia com ele, eu me livraria para sempre do meu Juiz. Eis, que se, me adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo.
Se, opera à esquerda, não o vejo; se, se encobre à direita, não o diviso.” Jó 23;7 a 9


O infeliz Jó anelando no auge de sua angústia, direito de defesa. Seus três amigos que deveriam consolá-lo se portavam como promotores de justiça com severas acusações; privado de um defensor, desejava advogar a própria causa, contudo, cadê o Juiz?

Muitas vezes, quando dores agudas nos assolam, e, parece que nossas orações não são ouvidas; pior que isso, eventuais amigos acentuam com palavras tolas, nosso desalento, em horas assim, digo, desejamos que Deus se apresente, fale conosco, mesmo que, com palavras duras. Bem pode que estejamos sofrendo por culpa nossa, mas, ao não identificarmos a causa, tememos menos a exposição da mesma, que, esse sofrimento “no escuro”.

Entretanto, mediante Isaías O Senhor ensina que, em horas assim, quando a lógica parece contrariada, devemos repousar confiantes em Sua integridade, mesmo que, nossos entendimentos sejam privados de luz. “Quem há entre vós que tema ao Senhor e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, firme-se sobre seu Deus.” Is 50;10

Quando proferiu Suas bênçãos no Sermão do Monte, entre outros, O Salvador mencionou os que têm fome e sede de justiça. Ora, isso, outra coisa não é, que um convite ao sofrimento pelo Seu Nome. Quando diz que serão fartos, alude à justiça porvir, pois, nesse mundo teremos aflições.

Uma coisa devemos ter em mente, antes de mais nada: se, O Juiz não nos está acessível, é porque o julgamento não começou. Além disso, não precisamos, como Jó, advogar em causa própria, pois, nos foi dado Um Defensor incomparável: “...se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, não somente pelos nossos, mas, pelos de todo o mundo.” I Jo 2;1 e 2

Notemos que nosso Advogado não comparece ante O Juiz com “chicanas jurídicas” tão na moda, testemunhas que nos defendam, tampouco, artifícios que poderiam diluir culpas; antes, admite nossas falhas, e, apresenta Seu Sangue como propiciação, o que satisfaz os reclames por Justiça do Juiz de Toda a Terra.

Diferente dos advogados que impetram o Habeas corpus, (Habeas corpus, etimologicamente significando em latim "Que tenhas o teu corpo") Wikipédia. Nosso Advogado consegue um “Habeas animu” (alma) mediante perdão aos arrependidos, para que, nossas almas não sucumbam nas prisões eternas.

Fique claro, porém, que O Senhor defende apenas quem O Confessa como Senhor, se arrepende, e se esforça para agir de modo a agradá-lo. É defensor de arrependidos, não, fiador do pecado.

Mesmo que, estejamos, eventualmente, inocentes, podemos errar por carência de compreensão do que está em jogo, como foi o caso de Jó. Se, por um lado, O Próprio Senhor testificara da integridade dele, por outro, quando falou, o censurou por falar no escuro. “Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?” 38;2

Adiante, após algumas nuances do abismo entre criatura e Criador, ele mesmo rasgou seu diploma e decidiu não advogar mais. “...relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, que eu não entendia. Escuta-me, eu falarei; te perguntarei, e tu me ensinarás. Com meus ouvidos ouvi, mas, agora te veem os meus olhos. Por isso me abomino, me arrependo no pó e na cinza.” 42;3 a 6

Então, se nossas aflições, no final, resultarem também numa visão mais apurada de Deus, Sua Sabedoria, Amor e Misericórdia, por dolorosas que sejam, ainda estarão plenamente justificadas.

As facilidades tecnológicas nos acostumaram com certo imediatismo que nem de longe se verifica na vida espiritual. “Não rejeiteis a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” Heb 10;35 e 36

Não é errado ansiarmos o fim das aflições; contudo, muitas delas invés da ação do inimigo ou do mundo, derivam, antes, da medicina de Deus, que permite que a “fornalha” se aqueça sete vezes mais, se, nela, nossas amarras podem ser queimadas. “Eis que já te purifiquei, mas, não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição.” Is 48;10

Entretanto, antes que alguém acuse ao Senhor de sádico, faz apenas o estritamente necessário, mesmo assim, se dispõe a sofrer conosco para o nosso bem. “Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” Is 43;2

sábado, 17 de dezembro de 2016

O que farei de Jesus?

“Vós tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que solte o Rei dos Judeus? Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas, Barrabás. Barrabás era um salteador.” Jo 18;39 e 40

“Este” era Jesus, O Senhor, que foi preterido. Pediram liberdade ao salteador Barrabás, e, condenação a Ele.

Barrabás, uma espécie de “Black Bloc” da época, que, eventualmente se insurgia contra a dominação romana, lançando mão da violência. Assim, se, reduzíssemos ambos, Jesus e Barrabás a uma palavra, Aquele, seria, Verdade, esse, violência. Por que o povo preferiu que a violência ficasse livre, e a verdade fosse assassinada?

As inclinações da plebe inflada pelo Sinédrio não tinham poder cabal para definir o rumo das coisas, esse, pertencia a Pilatos ele jactou-se disso, ante O Salvador: “...Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e para te soltar?” Cap 19;10

Entretanto, político que era, não queria ficar mal com o povo, mesmo que, para isso, ficasse mal com a consciência, a verdade. Dera reiterados veredictos sobre a inocência de Jesus: “...Não acho nele crime algum.” 18;38 “...Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.” 19;4 “...Tomai-o vós, crucificai-o; porque nenhum crime acho nele.” 19;6

Assim, mesmo tendo poder para fazer justiça, e, identificando total inocência no Acusado, o entregou à pena de morte, afinal, a violência solta em prejuízo da verdade era o anelo do populacho, pelo qual, pusilânime, se deixou levar. Lavar em público suas mãos, como fez, não o inocentava de sua injustiça, apenas, testificava sua traição à própria consciência.

Acho que começamos tanger a orla do problema; consciência. Essa é a razão pela qual as pessoas preferem o convívio com a violência, invés da verdade. Afinal, violência é pontual, eventual, nem sempre me atinge; contudo, verdade é absoluta, cabal, e insiste em mostrar que sou mau, malgrado, me presuma, bom.

A verdade está, para o império da mentira que se tornou o mundo desde a queda, como o calor para o gelo, a luz para as trevas; invasiva, ameaçadora, excludente, diametralmente oposta.

Desse modo, para o homem natural, tão afeito ao pecado e seus prazeres, evitar à verdade é questão de “sobrevivência”, pois, ela insiste em apontar gravemente para a necessidade da cruz, do sacrifício do servo da mentira, para que, novo homem, segundo Deus, renasça em Cristo.

Cada vez que alguém ouve as Boas Novas, e segue sua senda de pecados, indiferente, como Pilatos, constata a verdade sobre Cristo, mas, escolhe as conveniências mundanas ao preço de trair a própria consciência. Depois de fazer isso, muitos “lavam-se” também, querendo ficar bem com o público, dizendo palavras simpáticas sobre Deus, a fé, ou, acenando com seu esconderijo em religiões, como se, isso, equivalesse a abraçar a Cruz de Cristo.

Embora não pareça, rejeição a Cristo é a maior violência possível sobre a Terra, pois, todas as demais podem ser perdoadas, e seus agentes ainda serem salvos. Contudo, quem rejeita ao Salvador, além de fazer violência contra si próprio, pois, espiritualmente prefere a morte, é partícipe da violência feita a Jesus, uma vez que, sabedor, não se arrepende, e, corrobora, em sua escolha, com o que foi feito na cruz.

Falando de uns que se tinham convertido e recaíram, a Bíblia diz que em seus corações crucificaram de novo ao Senhor; “... assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, o expõem ao vitupério.” Heb 6;6 Então, uma vez, nós crucificamos ao Senhor Inocente; cientes disso, só nos resta arrependimento, pedido de perdão.

Isso vai muito além de um conjunto de palavras, por eloquentes, belas, que sejam. Requer identificação de renúncia com o Salvador, sem a qual, nada feito. “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim, andemos nós também em novidade de vida.” Rom 6;3 e 4

Gostando disso, ou, não, estamos diante de Cristo, como Pilatos, e, não podemos transferir escolhas que estão em nosso poder, para outros que nos cercam. Como ele, precisamos encarar o problema: “ O que farei de Jesus, chamado Cristo”? Mat 27;22

No fundo, as alternativas se repetem; podemos optar entre verdade e violência; aquela, liberta, essa, escraviza. Desgraçadamente, muitos se agarram de tal modo à vida que levam, que a morte os leva, nem percebem.

Quem entende o que está em jogo, abre mão, e ganha, como disse Jim Elliot: “Não é tolo quem abre mão do que não pode reter, em troca de algo que não pode perder.”

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O fim de "tudo"

“Por mim mesmo, o rei Artaxerxes, se decreta a todos os tesoureiros que estão dalém do rio que tudo quanto vos pedir o sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus dos céus, prontamente se faça. Até cem talentos de prata, até cem coros de trigo, até cem batos de vinho, até cem batos de azeite; e sal, à vontade.” Esd 7;21 e 22

Anexo ao decreto para reedificação do templo, o rei persa, Artaxerxes, enviou aos governadores “dalém do rio” instruções para que dessem ao sacerdote Esdras, “tudo” que pedisse; depois, circunscreveu esse tudo, dentro de certo limite, exceto o sal, que seria à vontade.

Ninguém tem dificuldade de compreender hipérboles, exageros de linguagem, cujo fim, é realçar algo, não, dar uma informação precisa. Assim, quando se diz que “todo mundo está presente” em determinado recinto, significa estritamente, todos os que eram esperados, não, literalmente, todo mundo.

De igual modo, quando Deus nos diz certos “tudos” devemos atentar ao que significam deveras, não, nos comportarmos cretinamente como caçadores de palavras, como se, “abatendo” uma, tivéssemos O Todo Poderoso nas mãos.

Então, quando O Salvador disse: “Tudo o que pedirdes em Meu Nome, eu farei”, deve ser entendido dessa maneira. Tudo que possa ser identificado ao Meu Nome; tudo que se coadune à Vontade do Pai; Tudo que contribua para nossa salvação, edificação... E, quando Paulo diz: “Posso tudo Naquele que me fortalece”, idem. Ninguém pode pecar em Cristo; quando o faz, age na carne, segundo a natureza caída. O mesmo Paulo ensinou: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”. II Cor 5;17

Desgraçadamente, muitos que levam a Bíblia pra lá e pra cá, invés do devido escrutínio de quem nela “medita dia e noite”, a fizeram apenas um tribunal de apelação das suas carnalidades travestidas de espírito, incharam na carnal compreensão; quem não comunga com eles, por bíblico que seja, não passa de “falso profeta”. 

Invés de andarem cada dia em novidade de vida, como convém, viraram barro endurecido, em seus moldes rançosos que aprenderam alhures quando neófitos, e diferente de Davi que não sentiu-se à vontade com a armadura de Saul, esses, “grudaram” no molde; apenas o que dizem ou pensam, é a “verdade”, mesmo que embasem em coisas que ouviram aqui ou acolá, desvinculadas da Palavra.

Estribam-se no fato de que há muitos que pensam como eles, e usam isso como argumento, como se, estupidez compartilhada se tornasse sabedoria.

A impressão que tais nos passam é que o crescimento espiritual é limitado, ao rés do chão, pois, sabendo alguns mantras góspeis sabem o que necessitam; quem cresce uns centímetros vira alvo de suas ácidas críticas que dizem: “Nossa, quem te viu, quem te vê, como você mudou”.

Ora, sua crítica é o melhor elogio que nos podem fazer, pois, se, tendo nascido de novo um dia, não crescêssemos, seríamos meras anomalias espirituais, meninos velhos, como se tornaram os destinatários da epístola aos Hebreus; deles se disse: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais os primeiros rudimentos das palavras de Deus; vos haveis feito tais que necessitais de leite, não, de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, é menino. Mas, o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem quanto o mal.” Heb 5;12 a 14

Os “perfeitos” outra hipérbole, isto é, os espiritualmente maduros, inda que imperfeitos, têm discernimento de valores, pois, se exercitaram nisso, desejaram crescer, buscaram e receberam mais luz. A epístola aos Efésios ensina que devemos crescer até a “Estatura de Cristo” algo que duvido que alguém consiga, logo, devemos morrer tentando crescer um pouco mais.

Como se trata de estatura espiritual, que, alinha-se ao caráter, não, à inteligência, quem não buscar primeiro, justificação em Cristo, nada receberá de Luz; porém, quem se submete a Ele, é reputado, justo, o tal, se desejar, nas palavras de Pedro, o “Leite racional, não falsificado”, terá em abundância.

Mesmo não podendo jamais dizer-se formado na "faculdade da Luz", há de ver o suficiente para discernir o bem e o mal, para não andar no escuro, malgrado, as trevas circunstantes, como ensinou Salomão: “Mas, a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” Pro 4;23

Como o “tudo” do rei era limitado, e sal sem conta, assim Deus; Tudo, dentro de Seus parâmetros, e, Água da Vida, Sua Palavra, sem limites. “Quem tem sede, venha a mim e beba.”

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Entendimento, a luz que falta

“O bom entendimento favorece, mas, o caminho dos prevaricadores é áspero.” Prov 13;15

Muitos se perdem na diferença entre conhecer algo, e entender o que significa. Saber citar textos bíblicos, quase todos sabem, alguns, até os não convertidos conhecem, entretanto, entender o significado é algo que requer um pouco mais, que, mero decorar textos.

Quantas vezes O Salvador censurou escribas, fariseus, saduceus, com palavras que sugerem fata de entendimento? “Nunca lestes...?” “Examinais as Escrituras porque cuidais ter nelas, vida eterna, e são elas que de mim testificam.” “Ide e aprendei o que significa: ‘misericórdia quero, não sacrifício’” etc.
Se, até os líderes religiosos estavam sem entendimento, o que dizer do povo comum?

Em nossos dias, mesmo algo elementar, como o contexto, já se torna pedra de tropeço para os que se arvoram em intérpretes Bíblicos, sem o devido entendimento. Quantas vezes ouvi pregadores citando a torto e a direito, “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa”. Mas, isso não é bíblico? Sim e não. Digo, sim, o texto está na Bíblia, mas, diz respeito unicamente ao carcereiro de Filipos, a quem foi feita a promessa, que se cumpriu logo depois, sendo batizado ele, e sua família.

Se, a Palavra dissesse: “Aquele que crer será salvo, ele e sua casa” aí sim, seria uma promessa que abrange todos os sujeitos que exibirem aqueles predicados. Mas, Jesus disse que veio trazer divisão, pai contra filho, sogra contra nora, de modo que, os inimigos do homem seriam seus familiares; pois, uns creriam, outros não; isso diz respeito a todos.

Assim, mesmo existindo o texto aquele, não deve ser pregado como promessa do Senhor, pois, contradiz algo que o Senhor disse expressamente. Estar na Bíblia é uma coisa, dizer respeito a nós, ou, a quem nos ouve, outra, bem diferente. Com a frase, “O Senhor é contigo, varão valoroso” dita a Gideão, muitos fazem o mesmo; com centenas de textos mais, pela mesma razão, falta de entendimento.

Salomão ensinou: “São justas todas as palavras da minha boca: não há nelas nenhuma coisa tortuosa, nem, pervertida. Todas elas são retas para aquele que as entende bem, justas para os que acham o conhecimento.” Prov 8;8 e 9

Muitos sem chamada ministerial, se apressam a ir onde O Senhor os não mandou; além de não fazerem nada produtivo, ainda estragam o trabalho alheio. Foi assim desde o princípio; há registro desses apressadinhos sem luz, atrapalhando a obra feita por Paulo e Barnabé. “...alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos, guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento”. Atos 15;24

Em seus escritos, Paulo denunciou uns que estavam “inchados em sua carnal compreensão”, e alegou que seus irmãos de sangue, os judeus, tinham zelo sem entendimento, o que, no fundo é o mesmo.

Falando nisso, não poucas vezes ouvi pregadores desse calibre baixando a lenha na vaidade, como se fosse pecado. Ora, a mesma palavra, bem como, o contexto de Eclesiastes, onde aparece mais, se encarregam de ensinar que trata-se de algo vão, sem fruto, que, “não infrói nem diminói” como diria o gaiato. Por exemplo: Posso repartir meu cabelo de um lado, outro, cortar espetado pentear para trás, etc. isso não me melhora nada diante de Deus, nem, piora. Ainda posso escolher usar uma camisa branca, verde, azul, dá no mesmo, são minhas vaidades.

O que me faz ter um bom depósito no Céu é a obediência à Palavra, a prática das melhores obras, a identidade moral com Deus, como mostra o salmo 15, ensinando que o “cidadão dos Céus” despreza ao réprobo, mas, trata com respeito a quem teme a Deus.

Infelizmente os ministérios para edificação, parece que têm surtido pouco efeito, ou, nenhum. A meninice espiritual ainda é grande, por isso, uns sequer sabem a diferença entre usos e costumes, e doutrina; outros, acercam-se a líderes hereges, sem menor discernimento que estão patrocinando a quem os rouba.

O alvo Divino não alcançado, pois, “ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros, evangelistas, outros, pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”. Ef 4;11 a 13

Se, pois, falta-nos entendimento, por que não atentarmos ao convite da Sabedoria? “Deixai os insensatos e vivei; andai pelo caminho do entendimento.” Prov 9;6

Salomão foi feito o mais sábio porque reconheceu sua carência, e pediu a coisa certa; bem que poderíamos fazer o mesmo, se, ao menos pudermos identificar nossa carência de entendimento.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Somos todos corruptos?

“Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido faz-se também, servo.” II Ped 2;19

A corrupção, seja no âmbito espiritual, seja, no político, social, é um vício, sobremodo, deletério, devastador.

A igreja evangélica brasileira sofre profundas chagas mercê de ministros corruptos, cuja motivação é mesquinha, pessoal, material, hedonista, imediata. 


De nosso cenário político, sequer preciso falar, pois, a corrupção é a palavra mais evidente; seus males, facilmente identificáveis numa sociedade pródiga em pagar tributos, e, módica em desfrutar o retorno desses impostos, com devidos serviços, graças à comilança desmedida da bocarra devassa da corrupção.

Alguns procuram diluir dizendo tratar-se de um mal social amplamente difundido, pois, quem avança o sinal, fura uma fila, mente para tirar certa vantagem, falsifica um atestado médico, etc. é também corrupto, portanto, não poderia reclamar dos figurões de Brasília.

Se, o fito for uma análise filosófica, espiritual, faz sentido, porém, o aspecto prático é diferente. Deus, em Sua Sabedoria trata de extirpar as causas, mais, que punir às consequências. Assim, no tocante ao adultério, à fornicação, veta a causa, a cobiça; no que tange à violência, ensina destronarmos o ódio do coração...Para Ele, apenas os fiéis no pouco, são aptos para gestão do muito.

Entretanto, mesmo O Senhor faz diferença entre pecados, uns, que são para morte, outros, não; também, na dosimetria do juízo, pois, quem recebe dons mais altos receberá, igualmente, julgamento mais rigoroso. “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, tal, é perfeito, poderoso para também refrear todo o corpo.” Tg 3;1 e 2

Assim, quem viu Deus mais de perto, será tido por mais culpado, caso O rejeite, como ensinou O Salvador: “Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fez, há muito se teriam arrependido, com saco e cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, que para vós.” Mat 11;21 e 22

No prisma espiritual, pois, quem possui mais luz, é mais culpado pela escolha das trevas. Diferente da “justiça” dos homens, onde, quem possui formação superior, tende a ter, eventual castigo, amenizado, em prisão especial, com certas mordomias negadas aos presos comuns. Coisa de se esperar, uma vez que, são candidatos a presidiários que fazem as leis. Fosse a justiça, simplesmente, deveriam receber mais duro castigo, pois, de posse do conhecimento, e das implicações sociais de seus atos, pulam cercas bem mais altas, que os ladrões da raia miúda.

Tais, usam sua luz para fins escusos, sua influência sobre a plebe, para ascenderem aos lugares altos de onde alvejam melhor seus fins. Jesus falou desses também: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” Mat 6;22 e 23

Então, não venham os defensores de corruptos, nem, os “filósofos” de ocasião tentando diluir a culpa dizendo que pertence a todos nós, quando, meia dúzia de canalhas dissimulados estão bilionários com o produto do roubo, e a nação com dívidas astronômicas e desemprego recorde.
Incautos manipulados fazem a greve A, o protesto B, por causa do atraso de pagamentos devido a falência do Estado, e, mais facilmente pedem o impeachment de quem governa, que a punição a quem nos levou a isso dando rédeas soltas à corrupção. Não estou defendendo político nenhum, corrupto de qualquer sigla deve pagar por seus feitos; não me interessa o pelo da raposa, mas, a proteção das galinhas.

Essa discrepância entre “representantes” e “representados” onde, o povo sai às ruas e pede uma coisa, políticos dão seu jeitinho para fazer outra, pode acabar mal. Essa oligarquia de coronéis travestida de democracia associada à cumplicidade de um Supremo conivente, mais político que jurídico, como deveria, enfim, as raízes profundas do câncer da corrupção, poderão levar Seu Brasil à necessidade de amputar algum membro, um tratamento de choque supra-institucional, uma vez que, as instituições se recusam a funcionar como deveriam.

Sei que é bonito filosofar dizendo: “Não devemos afundar o navio para apagar o incêndio”, mas, há “navios” cuja carga é tão ordinária, que se perde quase nada, se afundarem. A ignorância dos eleitores, e a safadeza dos elegíveis são a matéria prima de nosso subdesenvolvimento.

“Políticos no Brasil não são eleitos pelas pessoas que leem jornais, mas, pelas quais se limpam com ele.” (Conde Von Noble)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Queima de arquivo

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo.” Tito 3;5

Paulo realçou a benignidade de Deus em salvar-nos, e, pintando o que foi necessário, mostrou como éramos antes. Se, careceu lavagem, óbvio, estávamos sujos; regeneração, renovação, porque, degenerados, velhos. Assim, pecadores não convertidos estão sujos, degenerados, envelhecidos.

Sujeira espiritual decorre de nossa incapacidade para justiça, sem O Espírito de Deus. João usa a mesma linguagem: “Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo, suje-se ainda...” Apoc 22;11

Isaías acentua mais a inépcia da pretensa justiça própria dizendo que ela, nos exclui da sociedade dos santos, como a lepra excluía suas vítimas da sociedade dos homens; “Todos nós somos como o imundo, nossas justiças como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, nossas iniquidades, como um vento nos arrebatam.” Is 64;6

Então, Graça não é uma alternativa de salvação, antes, a única possibilidade, pois, sem ela, restaria a justiça, nosso salário apenas. “Porque o salário do pecado é a morte, mas, o dom gratuito de Deus é a vida eterna...” Rom 6;23

Se, a ideia de estar espiritualmente, moralmente sujo, fere os brios de alguém, que pretenda méritos próprios, sem entrar em minúcias, Jesus diria a ele o mesmo que disse a Pedro: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo.”

O lavar resolve a questão de nossa sujeira pretérita, pois, uma vez, dela convencidos, pela ação do Espírito Santo, em consórcio com a Palavra, somos instados ao arrependimento; logrado isso, recebemos perdão, nossa sujeira desaparece dos arquivos de Deus. Entretanto, essa “queima de arquivo” não basta, pois, habituados que estávamos à prática do pecado, tendemos a incorrer nos mesmos, muitas vezes, ainda.

Porém, além de lavar-nos, O Espírito Santo nos fez nascer de novo, regenerou.

O que era impossível ao homem natural, agir como filho de Deus, Ele faz mais que possível, desejável. “...a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus...” Jo 1;12 “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas, segundo o Espírito.” Rom 8;3 e 4

A justiça da Lei demandaria a morte; porém, na conversão, o preço pago por Jesus é atribuído a todos que O servem, que aceitam a renúncia do antigo modo de vida, a cruz, e negam-se. Para os tais, O Eterno considera que foi feito justiça, pois, a Justiça do Salvador lhe basta, desde que, os salvos se identifiquem com a morte do Senhor, mortificando, pelo Seu Espírito, as más inclinações. “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” Rom 6;3

Assim, o “velho” que nos habitava não é renovado, antes, é morto, para dar espaço, pro novo, oriundo da regeneração. “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.” Rom 6;6 Antes, dissera: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim, andemos nós também em novidade de vida.” V 4

O novo homem, lavado, regenerado, ainda peca; entretanto, agora, com nova consciência no Espírito, identifica presto seu pecado, e corre buscar socorro onde há. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” I Jo 1;9

Com certo discernimento, fica fácil identificarmos onde houve novo nascimento, pela dieta de cada um. Quem se diz convertido e vai aos encontros espirituais com motivações carnais, do velho homem, não chegou nem perto da cruz. A alimentação do novo é distinta: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;” I Ped 2;2

Paulo, que, perseguira a Cristo, precisou três anos de isolamento para reaprender o que, pensava saber; foi ele que apregoou uma mudança cabal como necessária.

Conversão que não rompe com o passado, não tem futuro. Quem nasce de novo, não quer mais do mesmo. “Muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos. Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e queimaram na presença de todos...” Atos 19;18 e 19 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram; eis, que tudo se fez novo.” II Cor 5;17

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Baldes nas goteiras

“A hora certa de consertar o telhado é quando faz sol.” (J. Kennedy )

Mesmo sendo breve sua passagem, biodegradável sua composição, o bicho homem comporta-se como se fosse eterno, ou, nas palavras do Dalai Lama, “vive como jamais fosse morrer, morre como se jamais tivesse vivido.”

Alguém nos definiu como condenados à liberdade, de modo que, arbitrárias são as escolhas, compulsórias, as consequências. Quando das grandes tragédias, como a que vitimou 71 pessoas na Colômbia, dia 29 de novembro último, alguns perguntaram: “Por quê, meu Deus, por quê?”

A ideia subjacente é que a coisa se deu por iniciativa, ou, Vontade Divina, a qual, sendo demasiado dura para nós, requereria uma explicação da parte do Criador. A Vontade específica de Deus para cada criatura é clara: “O Senhor não retarda sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas, é longânime para conosco, não querendo que alguns se percam, senão, que todos venham a arrepender-se.” II Ped 3;9

Entretanto, também é Vontade Dele que sejamos consequentes; quando colhemos o fruto de uma má escolha, seja nossa, seja de outrem que tem ingerência sobre nós, a ceifa que daí vier, não é estritamente, vontade Dele, nesses casos, Deus é inocente.

Como somos emotivos, e, ao aguilhão das emoções tendemos a mudanças de humores, sentimentos, O Eterno resolveu evocar testemunhas mais estáveis, que nós, de que, nos deu total liberdade de escolha, e, aconselhou sobre a escolha, melhor, disse: “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto vida e morte, bênção e maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e tua descendência;” Deut 30;19

Nessas horas trágicas, tendem a falar mais os que menos têm a dizer. Não raro deparamos com uma sagração da morte, como se ela, fosse sinônimo de heroísmo, e encontrá-la de forma brutal, obrasse certa canonização das vítimas. Uns, oportunistas baratos se apressam a compor musiquinhas açucaradas tentando dourar uma pílula amarga, como se, palavras tivessem esse poder. Tais imbecis ainda não aprenderam a eloquência do silêncio no momento oportuno.

Amanhã, ou, depois a mesma voz, agora, tão religiosa, estará cantando odes ao adultério, à promiscuidade, sem nenhum compromisso com valores, decência, vergonha na cara. Portanto, recolha-se ao seu lugar, deixe de ser oportunista.

Só uma alma bárbara, insensível, seria de todo indiferente à dor alheia, mormente, em casos assim, quando ela é tão grande. Quem puder chorar junto aos enlutados fará bem; quem orar a Deus pelo consolo e fortalecimento dos tais, idem; mas, ficar recitando parvoíces, doçuras que nem Deus promete indiscriminadamente, não melhora nada a situação, apenas, expõe inseguranças e medos de gente que deveria tratar disso em outro momento.

Como na frase inicial, de Kennedy, devemos consertar o telhado quando o sol está brilhando, ou seja, nos preparar para o encontro com a morte, em horas que ela parece distante.

Não precisamos do reforço de tragédias assim para estarmos cientes da brevidade e fragilidade da vida, pois, bem o sabemos.

Tiago censurou até mesmo, cogitarmos do amanhã sem a permissão de Deus, como algo temerário, disse: “Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, contrataremos, ganharemos; digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? Um vapor que aparece por um pouco, depois, se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, se vivermos, faremos isto ou aquilo. Mas, agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna.” Tg 4;13 a 16

Quem abraçou deveras a mensagem de salvação, se esforça por viver segundo a mesma, em momento algum promete facilidades, pois, pelo hábito de levar a própria cruz, está experimentado na vereda estreita da renúncia. Palavras mudam, mudando o estado de espírito, as circunstâncias. E o servo de Deus, é desafiado à constância, à coerência de ações e palavras, mesmo que, eventualmente as circunstâncias se revelem adversas.

Do “Cidadão do Céu se diz que, aos seus olhos, “... o réprobo é desprezado; mas, honra os que temem ao Senhor; jura com dano seu, contudo, não muda.” Sal 15;4

Enfim, por duro que pareça, a morte não é um meio de salvação, antes, o fim do tempo, da possibilidade de escolhas de cada um. Quem fez a boa escolha em tempo não precisa temê-la; os demais, deveriam pensar nisso enquanto inda podem. 

Por isso, a Bíblia sempre apresenta o desafio à salvação como algo presente, imediato, urgente: “...Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações...” Heb 3;15

É nobre que nos entristeçamos pela dor alheia, mas, podemos manifestar isso sem sermos falsos, pueris, nem, mentirosos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Grandes pigmeus


“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. Os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.” Atos 6;1 a 3

Identificado o problema, na igreja iniciante, foi evocado como coautora da solução, a razão. Não é razoável que nós, ministros da Palavra, de peso eterno, deixemos isso, para fazermos algo de menor monta, de peso temporal, inda que, importante. Estão escolham pessoas idôneas para suprimento dessa lacuna, enquanto seguimos priorizando o que tem relevância maior, foi a solução encontrada.

Nesses dias difíceis, onde se sabe o custo e tudo, e o valor de nada, digo, onde o interesse imediato, egoísta, suplanta os valores maiores, bem que poderíamos repensar sobre os valores que temos defendido, quando de nossas inserções na vida, tão interagente, como temos hoje.

Por exemplo: A equipe do Atlético Nacional de Medellin, Colômbia, ao abdicar da disputa e declarar a Chapecoense campeã, mais que isso, fazer uma solidária e bela homenagem como fez, no estádio Atanásio Girardot, deixou patente que, para eles, há bens superiores às disputas esportivas, simplesmente; a valia primaz da vida foi expressa de maneira mui bela, na grandeza abnegada de seu gesto.

Por outro lado, nossos deputados que, aproveitando o desvio do foco de atenção ensejado pela tragédia, “aprovaram” às dez medidas anticorrupção, para depois mutilarem uma por uma com artifícios cretinos chamados de “destaques”, patentearam de modo vergonhoso, sua culpa no cartório, sua traição à vontade popular, priorizando a sobrevivência do vício, dos interesses mesquinhos e ilícitos, na contramão de quem paga por seus salários, e os contratou como representantes, o povo.

O Presidente Rodrigo Maia disse que a decisão foi “democrática” afinal, contou com votos de 313 deputados. Interessante a sua “democracia”. Estão lá, porque os colocamos mediante votos; votos, esses, que conquistaram durante dispendiosas campanhas custeadas por nosso dinheiro, onde todos eles prometeram defender abnegadamente, nossos interesses, vontades. Afinal, precisamente isso, significa, Democracia. O povo no poder.

Entretanto, parece que aqueles “democratas” têm uma noção diversa disso; nossas vontades expressas contam apenas para suas campanhas ilusórias; findo isso, eleitos os “representantes” não importa mais que nossos anseios sejam mutilados, o que a maioria deles decidir, por contraproducente ou, imoral que for, será da democracia? Uma ova! Toma vergonha na cara, Rodrigo Maia!

Dois milhões de pessoas chancelaram as dez medidas, e elas representam, salvos, alguns ajustes, o anseio majoritário de todo o país. Pode ser alterada a coisa em seu texto, corrigindo imperfeições, mas, não em seu espírito, cujo alvo é reprimir a corrupção, punir exemplarmente, seus agentes.

Infelizmente, com o Congresso que temos, esperar medidas saneadoras nessa área equivale a desejarmos que vampiros doem sangue; suas naturezas e instinto de sobrevivência não permitem que aqueles bravos nos representem, malgrado, raras e honráveis exceções.

Falando em sangue, vampiros, no mesmo cenário, o da trágica sina da Chapecoense e demais vítimas que os acompanhavam, o STF, num extrapolo funcional vergonhoso, pois, sua função é fiscalizar o cumprimento da Constituição, não, legislar, com um canetaço do Ministro Luiz Roberto Barroso, aprovou o aborto até o terceiro mês de gestação, para “preservar o direito das mulheres”.

“Ah bom, então, assim sim”, como diria o Chaves. Em pleitos pretéritos quando se discutiu o tema, especialistas debatiam quando começa a vida humana, e, ninguém logrou demostrar que fosse noutro momento, que não, o da concepção. Pois, feito isso, basta o curso do tempo para que a semente se faça um adulto perfeito.

Porém, tivessem perguntado ao Dr. Barroso antes, ele nos teria ensinado que o barro começa a ter forma depois dos três meses apenas, antes não vale nada. Que vergonha alheia!! Os homens de “notório saber” que nos dirigem são dessa estirpe?

Isaías profetizou que os “grandes” seriam pequenos, sinal de maldição por violação da Lei de Deus. “A terra pranteia, se murcha; o mundo enfraquece, murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra. Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado estatutos, quebrado a aliança eterna.” Is 24;4 e 5

A desobediência civil está à porta, e não poucos, bradam abertamente por intervenção militar, dada a grande indignação que sentem ao serem governadas por gentalha dessa espécie. 

Se, como disse no princípio, há uma confusão entre preço e valor das coisas, cansamos de custear a tão alto preço, as mordomias dessa corja que não vale nada.

Na escuridão das luzes

“Temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, a estrela da alva apareça em vossos corações.” II Ped 1;19

Uma tríplice relação com a luz nesse verso de Pedro. Primeiro, as profecias, como luzes num cenário escuro. Depois, o dia, a luz chegada sobre todos, no devido tempo; por fim, a Estrela da Alva aparecendo em corações.

Como os profetas abordavam o porvir, acontecimentos futuros preditos aos seus coevos, eram luzes no escuro, pois, viam o que haveria de ser, com enorme antecedência, segundo a ação do Espírito de Deus que neles atuava.

A figura do dia, evoca um tempo de uma revelação especial e geral de Deus, onde todos podem ver, caso, desejem, malgrado, não sejam videntes, tampouco, profetas. Claro que, sendo esse dia, de caráter espiritual, concorre, nosso arbítrio, nossa vontade.

De modo geral, todos sabem do Evangelho, dos valores ensinados pelo Salvador para ingresso no Reino, arrependimento, perdão, conversão, novo nascimento, a prática da justiça, santidade... Esse conhecimento genérico já basta para que, de posse dele, cada um faça suas escolhas, seja na senda da justiça, seja, no caminho amplo da impiedade. 

Quem escolhe andar na luz, tem sua visão aumentada, por outro lado, os da escolha oposta acabam andando nesse “dia”, como, se noite fosse. Salomão ensinou: “O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam.” Prov 4;19 por outro lado, dos justos, dissera: “a vereda dos justos é como a luz da aurora; vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” V 18

Por fim, uma Luz, com a qual temos uma relação afetiva, algo mais que utilitária, nos permitindo ver. A Estrela da Alva nascendo em nossos corações. A Bíblia ensina qual Estrela é essa: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, resplandecente estrela da manhã.” Apoc 22;16

Então, os profetas no escuro do pretérito foram luzeiros apontando pra pessoa do Messias; vindo Ele, Expressa Imagem de Deus, o escuro se dissipou, para quem quis ver; nesses, que viram ao Senhor na “Beleza da Santidade”, além de iluminados foram capacitados pelo Espírito Santo, a corresponderem, inda que imperfeitamente, ao Amor de Deus.

A luz espiritual é muito mais que, possibilidade de ver; é um desafio a andar em novidade de vida, segundo essa nova visão, pois, assim, e só assim, andando de acordo com o que aprendemos do Senhor, nossa Luz, a eficácia do que Ele fez na Cruz, se imputa também a nós; João ensina: “Esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, não há nele trevas nenhumas. Se, dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” I Jo 1;5 a 7

O texto diz: “Deus é Luz...” depois, insta conosco para que, andemos na Luz, ou seja, em Deus. Esse glorioso fato vertical, andar em Deus, necessariamente tem consequências horizontais, sobre nossos semelhantes; no caso de irmãos, “comunhão uns com os outros,” em se tratando de pessoas de nosso convívio apenas, nosso modo de vida deve servir para que, os tais, ao apreciarem nosso bom porte em Cristo, inda que, de modo indireto, glorifiquem ao Pai das Luzes. Cristo disse: “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mat 5;14 a 16
Como, graciosamente recebemos, de graça, igualmente, comunicamos; esse feixe requer fé para que seja ampliado, pois, semear a incredulidade na escuridão, é prerrogativa do Inimigo, não dos servos de Deus. “...o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” II Cor 4;4
Nesse tempo de festejos onde luzes artificiais cobrem tudo como decoração, a vera Luz é negligenciada, Jesus é substituído por um fantoche, a necessária reflexão em Sua Palavra, tolhida pelo mercantilismo doentio, fugaz. 

Quem tem a Estrela da Alva no coração, prescinde de simulacros fúteis circunstantes; quem não A tem, mesmo que faça cascatas de luzes, segue no escuro.