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domingo, 28 de junho de 2015

A cordilheira e a planície

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Pro 4; 23 

Dado ser o coração, centro da vida orgânica é usado como figura central da alma, mente, desejos, personalidade humana. Tudo isso faz parte do “coração” de uma pessoa. Quando queremos enfatizar a certeza, profundidade de uma resolução qualquer, dizemos que é de todo o coração, ou, do fundo do mesmo. 

Embora falte ao termo uma circunscrição mais precisa, o mais sábio dentre os homens, Salomão, o definiu como manancial das fontes da vida. 

Acontece que, após a queda caiu também a qualidade desse manancial, digo, a pureza. Desse modo, algo ser feito, desejado, de todo coração já não é certificado de puro, profundo, veraz... Jeremias advertiu, aliás, contra os produtos dessa fonte, ora, corrupta: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, provo os rins; isto para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo o fruto das suas ações.” Jr 17; 9 e 10 

Vemos que, as obras por si não bastam; Deus busca o coração, no caso, a intenção com as quais são feitas. O Salvador foi preciso em desvendar o “maravilhoso potencial humano” como dizem certos psicólogos; “O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração; o homem mau do mau tesouro tira coisas más.” Mat 12; 35 Não que o homem faça o coração ser bom; antes, o coração faz o homem, como a nascente faz o rio. 

Um coração insensível era a “doença” de seus ouvintes, acusou; “Porque o coração deste povo está endurecido; ouviram de mau grado, fecharam seus olhos para que não vejam; os ouvidos pra que não ouçam; compreendam com o coração, se convertam e eu os cure.” Mat 13; 15 Um coração endurecido, pois, enseja má vontade, tolhe a compreensão, veda a conversão e consequente cura das almas.

O Mestre disse mais: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem...” Cap 15; 19 e 20

Reitero, não basta que alguém busque determinadas coisas de todo o coração; antes, é preciso saber que tipo de coração anima tal pessoa. 

Nos cânticos hebraicos há bênção sobre o coração cuja nascente provém de Deus; “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.” Sal 84; 5 

Parece que a ideia de retidão, justiça, se figura por caminho plano; com o quê, concorda o texto de Isaías, pois, ao anunciar o ministério de João Batista usa a mesma figura. “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus.” Is 40; 3 

Então, quando se diz que a fé remove montanhas, grosso modo se pensa em bênçãos emocionais, materiais, não, em aperfeiçoamento do coração, regeneração do caráter segundo Deus. 

Antes de mais nada precisamos crer quando a Palavra de Deus denuncia que temos esses montes interiores; depois, aceitar Seus termos para a devida “terraplanagem”. Senão, seguirão no mesmo lugar; faltou fé e obediência para os remover. 

Quem crê em Deus e abraça Sua Palavra necessariamente separa-se do mundo. Então, nada mais natural que aqueles, cujos corações ainda são montanhosos estranhem a vastidão das planícies; noutras palavras: Acusam-nos de radicais, fundamentalistas, preconceituosos, etc. 

Ora, se do ponto de vista natural é possível a convivência, no espiritual é totalmente impraticável. Paulo ensina: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? Que comunhão tem a luz com as trevas? Que concórdia há entre Cristo e Belial? Que parte tem o fiel com o infiel? Que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, entre eles andarei; eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis nada imundo e eu vos receberei;” II Cr 6; 14 a 17 

Aos cristãos, mesmo devendo amar todos, não restam causas ímpias a defender; devem ser cumpridores, mensageiros da Vontade de Deus, o Único coração puro. 

Moradores de Jericó pediram ajuda a Eliseu, pois, as águas de sua terra eram ruins; ele lançou sal na fonte e purificou em nome do Senhor. Aquelas fontes tipificam todos os corações após a queda; o intento Divino é purificar via Seus servos, dos quais disse: “Vós sois o sal da Terra...” Se a carne viva acusa a ardência do sal, a que foi crucificada não se incomoda com ele.

sábado, 27 de junho de 2015

A busca inglória por um petista honesto

“E tu, Esdras, conforme a sabedoria do teu Deus, que possuis, nomeia magistrados e juízes, que julguem a todo o povo que está dalém do rio, a todos os que sabem as leis do teu Deus; ao que não as sabe, lhe ensinarás.” Ed 7; 25
Sempre que, determinado projeto de lei ancorado em valores cristãos é defendido por um congressista qualquer, opositores se dão pressa em lembrar que somos um estado laico; política e religião não se misturam, blá, blá, blá...
Acima temos trecho de um Edito Real de Artaxerxes, rei persa, instando a Esdras, sacerdote judeu, a escolher magistrados conhecedores da Lei de Deus, ou, dispostos a aprendê-la. Afinal, diverso do que se pensa, a Lei de Deus não produz religião, antes, justiça, como disse Isaías: “Com minha alma te desejei de noite, com o meu espírito, que está dentro de mim madrugarei a buscar-te; porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.” Is 26; 9
Qual projeto de lei que vise a justiça social, se pode construir totalmente à parte dos valores cristãos...? Mesmo aqueles que regulamentam práticas contrarias aos preceitos bíblicos, ainda se harmonizam com A Palavra, na irrestrita preservação do livre arbítrio. Então, evocar a laicidade, nesse caso, não passa de preconceito disfarçado de argumento.
Se, não se pode impor a crença em Deus a ninguém, não é sábio ignorar que Ele, a despeito de nossas escolhas governa tudo. Muitas coisas atribuídas ao acaso, ou, determinados agentes humanos são, na verdade, as digitais de Deus trazendo à luz Seu juízo.
Diverso do imediatismo humano, O Eterno se cala, dada Sua longanimidade; mas, quando age, desmascara. Depois de falar contra a mentira, o engano, o roubo, o adultério, sentenciou: “Estas coisas tens feito, eu me calei; pensavas que era tal qual tu, mas, te arguirei, as porei por ordem diante dos teus olhos:” Sal 50; 21 Será que isso vale apenas para os Judeus de então, ou, para todos os rincões da Terra? Deus não muda.
Por muito tempo calei, mas, abrirei agora as cortinas diz O Senhor. Isso lembra algo? Será coincidência que, no ano treze de governo da “Estrela” as coisas ocultas comecem a vir à luz? Depois de ladrõezinhos de periferia, enfim, as investigações estão apontando o poderoso chefão, o “Brahma”. O palestrante mais caro do mundo, posto que analfabeto, será convocado a palestrar na Papuda.
Outro dia arranjei certas hostilidades ao defender num texto, que é impossível ser petista e honesto, ao mesmo tempo. Contudo, à luz dos fatos, o mais bem intencionado entre eles, caso haja, terá que se posicionar.
Se disser: “É mentira! Intriga da veja”; é desonesto intelectual. Basta processar à Revista o que ameaçaram e não fizeram, pois, sabem que é verdade.
Quem sabe diga: “Tá bom, a casa caiu, mas, pelo menos levei o meu; minha concessão, meu benefício pessoal.” Aí, é desonesto social, ao presumir que a política existe para benefícios particulares de apadrinhados, invés, da promoção justa do bem comum.
Quiçá, use o jargão que muitos usam: “O PT não está sozinho, pois, certos de outros partidos roubam também”; aí, temos um desonesto conformado com a parceria no lixão. Pinguim moral que carece de outros para o mútuo aquecimento no gelado polo da safadeza. Quem disse que os de outras bandeiras podem roubar também? Danem-se! Comprovadas suas falcatruas, sejam companheiros de cela dos Petralhas.
Quem sabe, exista uns que digam: “E daí, a coisa é mesmo assim, quem pode mais chora menos. Se ficar na reta afano de novo”. Esse é o desonesto engajado, convicto, o “melhor” de todos.
Contudo, diria alguém, mas, e um vereador ou prefeito distantes de Brasília, alheios à roubalheira toda, que desonestidade cometeriam? Ao receberem ajudas polpudas para suas campanhas, e conhecendo a origem corrupta das tais, no mínimo, são cúmplices de corrupção.
E pensar que ouvi imbecis comemorando o “carão” que nossos Senadores levaram do Maduro. Disseram que foi interferência indevida numa “Democracia” amiga. Essa é a sua noção de honestidade; Petistas presos cá, porque ladrões, são “presos políticos”; políticos presos na Venezuela porque oposição, são bandidos incomunicáveis.
Felizmente Deus resolveu entrar em cena, uma vez que o eleitorado é facilmente manipulável via frutos da corrupção.
Que todos sejam livres para crerem no que desejarem, mas, não tenham medo dos bons valores apenas porque derivam da Bíblia. Que minorias tenham preservados seus direitos, mas, não confundam com privilégios, imposições às maiorias.
Por fim, cabe lembrar que uns honestos vermelhos mudaram de cor, quando viram a feiura do bicho, como Fernando Gabeira e Hélio Bicudo, por exemplo. O honesto deveras, não precisa que a casa caia para sair fora, basta vê-la suja.

domingo, 21 de junho de 2015

Jean Willis, o "Notável"

“Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa... se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, da cidade santa, das coisas que estão escritas neste livro.” Apoc 22; 19

Não é coincidência que tal advertência esteja justo no Apocalipse, o último livro da Bíblia. Deus dá Sua Revelação como acabada, e veta omissões, acréscimos. Assim, qualquer um pode nela crer, ou, duvidar; contudo, alterar não se faculta a ninguém. 

Acontece que o Deputado Federal pelo PSOL Jean Willis pretende “emendar” à Bíblia removendo trechos "homofóbicos". Ele disse que pretende convocar uma “comissão de notáveis”, para promover as mudanças. 

Ora, qualquer que a isso se proponha, comissionado ou não, é já um “notável” por sua estupidez. Quantos milhares de Bíblias arderam ao fogo, na idade média, sobretudo, e mais recentemente nos países comunistas na tentativa inglória de extirpar esse “mal”, e a difusão da Palavra só fez crescer? 

Bem ou mal, de modo professo, muitos hipócritas, outros tantos, reais, a imensa maioria da população professa crer em Deus e Sua Palavra. Mesmo muitos homossexuais. Acontece que, textos que denunciam como réproba tal prática os incomoda. Nasci assim, dizem, como eu mudaria agora? 

Acontece que todos nascemos “assim” de costas para Deus e Sua Vontade, vejamos: “O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é espírito.” Jo 3; 6  “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” Jo 6; 63 “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito... Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito, vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois, não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, pode ser.” Rom 8; 3, 4, 6 e 7 

Assim, a natureza caída que a Bíblia chama carne, na qual todos nascemos, é nosso obstáculo rumo à Salvação, sejamos gays ou héteros, tanto faz. O preceito é o mesmo para todos. “...Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Jo 3; 3 

Desse modo, não podemos, à força, cristianizar os gays, tampouco, eles, “engayzarem” o cristianismo. Cada um na sua.

Acontece que a coisa é tida como “opção” sexual, o que demanda escolha; se fosse determinismo biológico Deus seria injusto em pleitear que fossem diferentes. Ele não viola nossa liberdade de escolha, porém, não permite que escolhamos deturpar aos Seus valores, Sua Palavra. “Passarão céus e Terra, mas, minhas palavras não hão de passar”. 

Não omitiu que chegaria o tempo de inversão de valores, apenas lamentou com um “ai”. “Ai dos que ao mal chamam bem, ao bem mal; que fazem das trevas luz, da luz trevas; fazem do amargo doce, do doce amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, prudentes diante de si mesmos!” Is 5; 20 e 21 

A identificação cabal com Cristo e Sua obra demanda séria renúncia, que ora se alegoriza como cruz, ora, de modo inda mais sombrio, ouçamos: “...Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.” Jo 6;53 

Uma entrega assim é para gente ousada, corajosa, não para melindrosos suscetíveis, dados à certas frescuras, gays ou não. 

Enfim, enquanto democracia for a preponderância da vontade majoritária, que se faculte às minorias seu direito de serem o que são, bem como sua cidadania; não, de legislarem contra interesses da maioria.

Pois, se Deus não conta, tanto faz; no fim tudo acabará em nada; porém, se conta e vai julgar, como diz, só um completo imbecil ousaria “medir forças” contra O Todo Poderoso. 

Não sei qual argumento o nobre parlamentar usará na tribuna; se anulação de Deus ou a glorificação dos imbecis; qualquer das alternativas me parece “notável” como disse no começo, dado o lapso de neurônios, o imenso baldio do cérebro. 

Contudo, se existe um adversário à altura, O Eterno deseja duelar com ele: “Quem poria sarças e espinheiros diante de mim na guerra? Eu iria contra eles e juntamente os queimaria. Ou, que se apodere da minha força, faça paz comigo; sim, que faça paz comigo.” Is 27; 4 e 5

sábado, 20 de junho de 2015

Porque se lavar faz bem

“E destruirá neste monte a face da cobertura, com que todos os povos andam cobertos; o véu com que todas as nações se cobrem. Aniquilará a morte para sempre; enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra...” Is 25; 7 e 8 

Quatro coisas saltam nesse texto: A destruição da cobertura da face, ou, máscara dos povos; aniquilação do poder da morte; extinção da tristeza e remoção do opróbrio, ou, vergonha do povo de Deus. 

Essa ordem posta em outras palavras é de uma coerência cristalina. Primeiro Deus expõe o pecador, desmascara; depois salva, vivifica, resgata da morte; a seguir, dá alegria espiritual, remove as lágrimas; por fim, glorifica trocando vergonha por honra.

Atrevo-me a dizer que, se a ordem fosse inversa muito mais gente acetaria ao “Evangelho”, mas, de que valeria se, no último capítulo os “abençoados” terminassem, enfim, desmascarados apenas? 

A Palavra de Deus nunca teve trânsito fácil, pois, sendo o que É, Luz, expõe todos por belos que pareçam, sujos e feios, tais quais são; Sabedores disso, muitos mascarados preferem guardar distância “segura”.

O Salvador denunciou: “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, mas, os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz; não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas.” Jo 3; 19 e 20 

A reprovação da impiedade, pois, os nomes aos bois, rasga as máscaras da presunção hipócrita, das religiões humanistas e da pretensa justificação via obras. A dupla identidade do “herói” é revelada; abdica de seus “superpoderes” abrigando-se sob as asas do Todo Poderoso, ou, segue sua fuga inglória, forjando novas máscaras com folhas, como Adão. 

Porém, quem se deixa conduzir pela Palavra, já não carece cobertura estranha, uma vez que recebe outra superior. Cobertura, aliás, que o mesmo profeta denunciou sua nação de ter abandonado. “Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de mim; que se cobrem, com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado;” Is 30; 1 

Dos crentes se diz diferente: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” Ef 1; 13 

Assim, os mortos deixam suas máscaras e passam para nova vida mediante Jesus Cristo; ainda recebem a cobertura do Espírito Santo para os consolar e fortalecer. 

A extinção das lágrimas não deve ser tomada literalmente; uma vez que, até de alegria, gozo, é possível chorar. Então, a lágrimas no texto figuram a tristeza. Embora a remoção cabal só seja possível no porvir, dado que o Reino de Deus, de justiça e paz, ainda concorre com o mundo de mentira, violência, corrupção... ainda assim, os salvos desfrutam alegria espiritual como antegozo do virá na restauração final. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Rom 14; 17

Finalmente, a remoção do opróbrio, a glorificação. Nem mesmo as competições humanas premiam no início, antes, ao cabo; afinal, como identificar os vencedores antes do jogo acabar? Como premiar quem não venceu sem cometer injustiça? 

Então, somos peregrinos em plagas inóspitas, plenas de adversidades, tentações, provações, calúnias, privações, injustiças... Na corrida espiritual não são premiados os que chegam primeiro, mas, os que chegam. Paulo alegorizou usando nosso modo de prática esportiva para exortar à perseverança: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.” I Cor 9; 24 

Concluindo; quem equaciona amor com mero sentimentalismo nunca entenderá ao Amor de Deus. Diverso de certa marca de sabão em pó que diz; “Porque se sujar faz bem”, o Senhor depois de rasgar as máscaras dos sujos os manda a Siloé, O Enviado, para que se lavem. Se o orgulho “santo” não se submete ao que lava, sentencia: “Se eu não te lavar não tens parte comigo”. 

Tiago aludiu aos que olham no espelho, mas, não se lavam; “Porque, se alguém é ouvinte da palavra, não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho seu rosto natural; contempla a si mesmo e vai-se; logo se esquece de como era.” Tg 1; 23 e 24 

Deus fez o que prometeu; o homem recusa-se a fazer o que precisa. A esbórnia do pródigo acaba ao findarem seus bens; porém, nesse caso é a vida; finda esta, já não dá pra voltar à casa do Pai.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Livremente algemados

“... Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, nunca servimos a ninguém; como dizes: Sereis livres?” Jo cap 8

Apesar de categórico quanto às consequências, O Senhor as proferiu prefaciadas dum “se”, mantendo inviolável o direito de escolha. 

A permanência em Sua Palavra era o “sine qua non” para que se tornassem Seus discípulos, cujo alvo seria atingir o conhecimento da Verdade e seu efeito colateral mais visível, a liberdade. 

Eis um conceito, cujos louvores que recebe em muito excede ao entendimento dos que o proferem! Liberdade. 

A História da nação Israelita é plena de cativeiros, desde o Êxodo, quando foram libertos do Egito, até ao momento de então, quando eram vassalos dos romanos, contudo, disseram: “Nunca servimos ninguém”. Facilmente os identificamos privados da verdade, o que implica, servos da mentira; não, livres como se supunham. 

Quando O Salvador empregou a expressão, “verdadeiramente” temos aí uma censura tênue ao falso conceito de liberdade. Muitos associam-na a circunstâncias, fatores externos, quando, amiúde, vai mui além disso. É questão de consciência. 

Na cidade de Não me Toque, RS, onde trabalho atualmente, há uma pequena placa à entrada que diz: “Velocidade controlada pela sua inteligência”. Achei genial. Nenhuma placa delimitando, 30, 40, 50, 60 km p/hora, com tanto se vê. Aquilo, para uma pessoa inteligente, consciente, séria, é muito mais persuasivo que qualquer proibição. Delega total liberdade apostando na sapiência, na sensatez, no equilíbrio de quem lê. 

Desse modo Deus almeja que Seus filhos sejam livres. Se há todo um aglomerado de ritos, mandamentos, restrições, isso se dá em face à nossa insipiência, não, à perfeita Vontade de Deus. Como criança precisa de amparo de um adulto, ou, andador para ensaiar os primeiros passos, nós carecemos desses arranjos durante a infância espiritual. 

Quando, no célebre capítulo 13 de I Coríntios, Paulo sobrepôs o amor a todos os demais dons equacionou tal exercício com maturidade espiritual; disse: “Quando eu era menino falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” V 11 

Se, fôssemos atribuir um predicado coerente ao amor cristão, certamente, ficaria bem, o altruísmo. Isto é: Deixar de se inquietar tanto pelas coisas próprias para se ocupar das necessidades alheias. Ora, Aquele que disse que sendo Seus alunos os ouvintes aprenderiam a Verdade desafiou-os precisamente a isso: “Negue a si mesmo...”

Mas, diria alguém, o que tem a ver a liberdade com o amor ao próximo? Bem, gostando ou não, egoísmo é um filho de nossas inseguranças, nossos medos; quem o vencer acaba livre desses monstrinhos também, como ensina João: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” I Jo 4; 18 

Assim, o legalismo e suas implicações foi mero “andador” esboço, tipo profético, ou, sombras, como ensina a Palavra: “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado.” Heb 10; 1 e 2 

Vemos, pois, que o pecado é uma questão de consciência; não, a demanda de cumprir determinados rituais, que aplacavam as coisas externas, visíveis, mas, eram ineptas para a real purificação. De Cristo, contudo, se disse algo melhor: “...o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo.” Heb 9; 14 

Quem tem a consciência aperfeiçoada por Jesus e Seu Espírito, não carece de placas limitando nada, pois, a própria consciência se encarrega de desafiá-lo a “dirigir com prudência”. 

Engana-se quem pensa no Evangelho como um desafio de Cristo tipo: Creia e obedeça senão morrerás. O Salvador deixou claro que falava para mortos já, e lamentava a falta de interesse em mudar tal quadro; “E não quereis vir a mim para terdes vida.” 

Que todos herdamos a morte espiritual após a queda, esse é, talvez, o aspecto mais importante da Verdade que devemos conhecer. Quem não se souber perdido nunca buscará a salvação. 

Podemos sair da prisão com um tesouro, como Edmond Dante em “O conde de Monte Cristo”, ou, cavarmos o túnel da presunção que só leva de uma cela a outra, e nos faz perecer na ilha da justiça própria. 

Um falso conceito de liberdade é a mais fatal de todas as prisões. 

domingo, 14 de junho de 2015

Questão de vida ou morte

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, pelo pecado a morte; assim, também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” Rom 5; 12 

Então, Adão morreu porque pecou; sua descendência pecou porque estava morta. “... a morte passou para todos os homens, por isso que todos pecaram.” 

Se, no estado original pecar era mera possibilidade para preservação do arbítrio do homem perfeito, após a queda, passou a ser a ordem “natural” das coisas. Não sem motivo, pois, a desobediência primeira é chamada de queda do homem. Caiu de uma posição excelsa de comunhão com Deus, onde podia fazer escolhas, para um patamar amaldiçoado, no qual, mesmo que tencionasse a escolha virtuosa da obediência, não era suficientemente forte para fugir do pecado.

Adiante Paulo descreve o conflito desse “puro impuro”; “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas, eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois, o que quero não faço, mas, o que aborreço faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas, o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer está em mim, mas, não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.” Rom 7; 14 a 21 

Desse modo, o apóstolo distingue o vero “eu” doutro bastardo que nos habita; “... agora já não sou eu que faço isso, mas, o pecado que habita em mim.” Esse eu carnal, inferior é meu inimigo quanto às coisas espirituais. “Porque a inclinação da carne é morte; mas, a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois, não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” Cap 8; 6 e 7 

Tanto a queda matou o homem espiritual, quanto, deu origem a esse suicida que peleja por manter-se alienado de Deus. Para o primeiro caso o Senhor faculta nascer de novo. “Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Jo 3; 3 Porém, isso está condicionado à crucificação do assassino; a inclinação natural, a carne. 

Se, o eu verdadeiro foi tido na análise de Paulo como a essência espiritual, a consciência que denuncia às más inclinações, o “si mesmo” no desafio do Mestre é a natureza pecaminosa alienada, o ego. Do tal disse: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará”.  Luc 9; 23 e 24 

Assim, se estabelece a minha vida, como a concebo e vivo, x o amor a Cristo, que nos insta a vivermos como Ele preceitua. 

Então, embora muitos simplistas apregoem que a coisa trata-se apenas de opção psíquica, tipo, mudar de religião, a Bíblia não disfarça nem omite a seriedade do que está em jogo. É questão de vida ou morte, assim, tratada. “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim, andemos nós também em novidade de vida.” Rom 6; 3 e 4

Como após a queda ficamos ineptos para a boa escolha, O Salvador enviou ao Espírito Santo para porfiar juto aos que ouvem à Palavra da Vida, no sentido de os persuadir a abraçarem a salvação. 

Essa persuasão interior é chamada de, “ouvir a voz de Deus”, sem, contudo, tolher a liberdade de escolha. “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto.” Heb 3; 7 e 8 

Por isso o Senhor nem entra em minúcias de pecados antes de tratar do essencial, a vida. Primeiro o arrependimento, confissão, conversão; depois, o andar segundo a nova vida; “vá e não peques mais.” 

As boas obras, justiça própria, etc. antes da conversão não passam de belas roupas enfeitando a cadáveres. 

domingo, 7 de junho de 2015

O Face de Jesus

“Vós mandastes mensageiros a João... Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis. Ele era a candeia que ardia, alumiava; vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com  sua luz.” Jo 5; 33 a 35  

Jesus evocou o testemunho de João Batista como sendo a Verdade, depois, disse: Eu não recebo testemunho de homem. Não significa, isso, que estivesse se contradizendo; ora, autorizando, outra, negando o testemunho do Batista. Antes, colocando os pingos no is. 

Quando afirmou não receber testemunho humano, não se tratava de rejeitar eventuais; antes, de ter um testemunho mais excelente. Tanto por palavras do Pai, quando da ocasião de Seu batismo, quanto, pelas obras que realizava. “Eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou.” V 36. 

O testemunho de João, dissera, é algo que a nós compete receber. “... digo isto para que vos salveis.” Longe de “legislar em causa própria”, pois, seu alvo era sempre o bem dos pecadores. 

Entretanto, esses, reféns das paixões eram muito volúveis; desafiados a mudarem, mudavam para pior, como, não raro, acontece conosco. “Ele ( João Batista ) era a candeia que ardia, alumiava, e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.” Tendo João surgido depois de largo hiato profético, o período inter-bíblico que vinha desde Malaquias, o último profeta do Velho Testamento, em tal contexto se encontraram água e sede. 

Rapidamente agregou em torno de si multidões famintas da Palavra de Deus, embora, parece que, o fato de Deus estar falando outra vez fosse mais importante que ouvir, o quê, Ele estava falando. 

João jamais pretendeu ser algo além da “Voz do que clama no deserto” o precursor do Salvador; fez questão de deixar claro isso. Contudo, os que se aglomeravam em torno dele não levavam a sério suas palavras, apenas exultavam com sua presença. Esse vício de, uma emoção favorável vendar os olhos da razão, tanto nos priva de ouvirmos à Vontade de Deus, quanto, nos permite orbitarmos felizes ao redor de falsos profetas. 

Tanto quanto, ao acender uma luz mais intensa a de menor fulgor “desaparece” do ambiente, assim deveria se dar com o ministério de João, após a chegada do Messias. “Convém que Ele cresça e eu diminua.” Afinal, tendo as obras milagrosas seu papel testemunhal também, em momento algum,  testificaram de João. “E muitos iam ter com ele e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas, tudo quanto João disse deste era verdade.” Jo 10; 41 Isso de alguns que deixaram de seguir João e creram no Salvador. 

Porém, o que nos leva a nos alegrarmos um pouco com algo e depois abandonarmos? Há decisões que seguem aos ditames da razão; outras, da emoção. Aquelas perseveram em atenção ao alvo, malgrado o preço; essas, cambiam sempre que muda o estado emocional.

Assim, O Salvador era muito “bom” quando operava milagres, e “mau” quando denunciava a hipocrisia, demandava obediência, santidade dos seus. Essa segunda parte não enseja emoções agradáveis, mas, deveria desafiar aos dois neurônios. Algo tipo: Se esse homem tem poder para realizar obras dessa monta, deve ter motivo para requerer o que requer; por difícil que seja, vale à pena, tô dentro.

Mas, qual, posto que alguns pequenos lhe davam ouvidos, o “establishment” religioso acusava de sedição, oposição a Deus que derivaria da religião. 

Essa doença ainda é pujante em nossos dias; as pessoas não querem ser iluminadas, antes, “curtidas”. E o Face de Jesus era parcimonioso em “curtidas”. Parece que uma vez ou duas curtiu o “post” de um centurião que se disse indigno de Sua presença; ou, de uma mulher siro fenícia que afirmou se contentar com migalhas pela cura da filha; no demais, o Mestre era Grave, Verdadeiro, Justo. 

Estamos acostumados ao viés psicologizado que considera sentimentalismo como amor; pode ser gerador de emoções agradáveis esse engano, contudo, com Deus não cola. “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.” Apoc 3; 19 

Outro lapso do emocional no controle é seu imediatismo; Deus mira o depois, ainda que o imediato seja doído. “Toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” Heb 12; 11 

O construtor prudente, pois, não usa a “Colher Ungida” do Waldemiro Santiago; antes, começa e acaba sua obra, se deixando edificar nos bons e nos maus dias. Emoções boas estimulam; más, desafiam. Vençamos os desafios com Cristo, e veremos as más vertidas em gozo.