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terça-feira, 21 de abril de 2015

Naturalmente mortos

“Mas, estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem perecerão na sua corrupção.” II Ped 2; 12

Depois de adjetivar alguns como falsos, dissolutos, avarentos, irreverentes, blasfemos, em sua dura diatribe Pedro os coloca no vale da irracionalidade; como animais, simplesmente; por fim, corruptos.

Antes de maior escrutínio cabe lembrar que, tais, circulam no meio cristão, como sendo dos tais, invés de uma postura de indiferença, oposição. Pode parecer insensato apreciar como mau, o domínio natural; afinal, acostumamos com expressões tipo: “A ordem natural das coisas”; “essa é a natureza do fulano”; “ Faz aquilo naturalmente”, etc. de modo que, seguir o curso da natureza parece ser a coisa certa. 

Entretanto, houve um “acidente” que trouxe  o homem, então, espiritual, ao domínio natural. Embora a primeira negociata corrupta feita no Éden prometera a divinização da espécie, na hora da “entrega” do que o homem comprara recebeu mera estatura animal, desprovido da vida espiritual, que tivera inicialmente, quando inda era “imagem e semelhança” de Deus. 

Salomão cogitou  do homem alienado de Deus, e chegou a conclusão semelhante; “Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, também sucede aos animais, a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro;  todos têm o mesmo fôlego; a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.” Ecl 3; 18 e 19 

Desse modo, agir “naturalmente” preserva o “status quo” pós queda, que não é o objetivo Divino, antes, regeneração. A “carne” forma que a Bíblia usa para descrever a inclinação natural tende sempre ao seu curso, que, naturalmente, se opõe a Deus. “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas, os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas, a inclinação do Espírito, vida e paz.” Rom 8; 5 e 6 

Vemos que, em oposição aos que são segundo a carne há outros,  segundo o Espírito. De onde vieram tais? “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito.” Jo 3; 5 e 6 

Só o novo nascimento faculta a vida espiritual; essa demanda submissão a Cristo para que sejamos guindados ao sobrenatural de Deus. Claro que andar contra a corrente requer uma constituição diversa da natural. Precisamente aí o Senhor começa o suprimento dos Seus. Digo, capacita-os a andarem segundo inclinação espiritual. “Mas, a todos quantos o receberam deu-lhes  poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas, de Deus.” Jo 1; 12 e 13 

Claro que nova natureza requer igualmente nova, mentalidade. “Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” I Cor 2; 16 Uma mentalidade de cunho espiritual, advinda de dimensão superior, necessariamente há de se opor à do mundo natural. “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rom 12; 2 

Vemos que o alvo dessa mente transformada pelo Espírito não mais é a “ordem natural das coisas,” antes, a Vontade de Deus.  Nele carecemos renovação de entendimento por que o jeito desse mundo entender as coisas está obsoleto, ultrapassado. 

Assim, o pretenso homem espiritual que transita  sem contradições, com “bom encaixe” entre os naturais, não passa de  fraude, engodo; longe está de ter renascido. Num prisma oposto à criação a teoria de Darwin é engano; mas, esses semoventes que gravitam no éter das paixões naturais não passam de “animais evoluídos”, alienados da regeneração anelada por Jesus Cristo. 

Em suma: Se, em face aos animais são “evoluídos”, ante O Espírito não passam de ignorantes. Pedro os apresenta “blasfemando do que não entendem.” 

Um bom entendimento do caminho Excelso, forçosamente há de ensejar um novo modo de ser, como ensinou Paulo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” II Cor 5; 17 

Não que um renascido não peque, não caia. Mas, quando isso acontecer, como o pródigo saberá a diferença de estar entre os porcos e a casa do Pai.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Embriagues espiritual

“Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” I Tim 4; 5 

Paulo está exortando ao jovem Timóteo a ser diferente de outros que mencionara antes. “Mas, tu sê sóbrio...” implica concluir que os tais, não eram. Assim como sobriedade, literalmente é oposta à embriaguez, também a figura, usada como símile da gravidade psíquica denuncia certo torpor dos sentidos dos que a evitam. 

O texto sugere que uns se “embriagam” para fugir das aflições, uma vez que, propõe: “Sofre as aflições”. Assim, evocamos a figura vulgar do que bebe para esquecer algo que o incomoda. Incomodar-se, dado não ser refratário à dor é sinal de higidez psicológica, sanidade de alma. Agora, como lidamos com nossas dores determina, em última análise, se somos mesmo  sadios, ou, insanos.

Na verdade, seria negligente um que, podendo solver um problema que o aflige, se omitisse, ao preço das aflições. Entretanto, “esquecer” circunstancialmente algo dorido, apenas “varrendo pra debaixo do tapete” com a vassoura da embriaguez, não é resolver um problema, antes, fugir dele. E a fuga, nesses casos é covardia. 

O contexto sugere que as aflições aludidas por Paulo, das quais muitos fugiriam, derivam do preço de se preservar a pureza doutrinária, pois, os “ébrios,” “desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” Disse. V 4  Assim, se torna necessária a conclusão que, a verdade preservada nesse existenciário onde impera a mentira, dá origem a aflições. Afinal, Aquele que É a verdade disse: “No mundo tereis aflições; tende bom ânimo, eu venci o mundo.” 

Ocorre-me um filme com Jim Carrey, chamado, “O mentiroso”, onde, um advogado vivido pelo ator, em atenção a um pedido de aniversário de seu filho é “amaldiçoado” com o peso de passar 24 horas sendo incapaz de mentir. Sua vida que era edificada toda sobre a falsidade conheceu, então, aflições ímpares. 

Acontece que, a mentira está para a alma como as drogas para o corpo; uma “viagem” que salta sobre os problemas, ignorando-os, invés de os resolver. Cheia está a Bíblia das digitais de falsos profetas. Sempre se opondo aos verdadeiros. Não recordo nenhum exemplo onde apresentaram, os tais, vaticínios mais duros que a realidade; antes, invariavelmente eram mais brandos que ela. 

Acabe rumava a um combate onde seria morto, advertido por Micaías; os falsos diziam que voltaria vitorioso; ante o cativeiro babilônico, Jeremias advertia que seriam setenta anos, os falsos reduziam a dois. O mesmo Jeremias, aliás, dissera que a mensagem comum dos tais era: “Curam superficialmente a ferida do meu povo dizendo, paz, quando não há paz.”  

Aliás, o falso profeta mor,  pai de todos eles começou seu trabalho no Éden com uma mensagem muito “boa”. A advertência Divina preconizava a morte para a desobediência, mas, a nova mensagem foi: “Certamente não morrereis; sereis como Deus.” Em lugar de risco de morte foi proposta a divinização de espécie, muito “melhor” claro! 

Então, os signatários da verdade estão em aflições por que, desde que o “pai da mentira” entrou em cena, esse tem sido seu labor, diretamente, ou, mediante quem o serve. 

Paulo prescreveu sobriedade, Cristo, bom ânimo. Sobriedade é minha reação devida, à mentira; bom ânimo, meu antídoto para não fraquejar ante as aflições. Mas, meu ânimo seria por que Jesus Cristo venceu o mundo?  Okeko? Como diria o gaiato. Acontece que, Sua vitória é atribuía também, aos que são Seus. Os que Nele creem e obedecem. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.” I Jo 5; 4 

Um convidado das Bodas de Caná confessou que embriagava aos convivas para depois servir o vinho ordinário, e espantou-se de, o abençoado por Jesus ter deixado o melhor vinho para o final. E o melhor vinho tencionado pelo Santo é alegria verdadeira de vencer; não o simulacro pobre dos que se escondem temendo lutar. 

Assim, Paulo aconselha também aos crentes de Roma a suportarem a “fermentação” das aflições a espera do vinho excelso da vitória final. “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” Rom 8; 18 

Em suma, o que “resolve” seus medos embriagando-se, no fundo aumenta-os. Afinal, depois do pileque, os problemas seguem lá, com acréscimo da ressaca, dos custos, e, eventuais danos durante a bebedeira. 

Qualquer “facilidade” que evite as aflições da cruz não passa de uma droga ordinária, que, fingindo combater a dor, preserva seu drogado num rumo que conduz a tormentos eternos. 

Procura a satisfação de veres morrer os teus vícios antes de ti. ( Sêneca )

domingo, 12 de abril de 2015

Dá um tempo

“Os meus dias são como a sombra que declina; como a erva me vou secando. Mas tu, Senhor, permanecerás para sempre; tua memória de geração em geração.” Sal 102; 11 e 12


Alguns servos de Deus cogitaram as suas relações com o tempo em contraste com o Eterno; a desvantagem humana, óbvio, resultou imensa. 

Moisés: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, como a vigília da noite... Os dias da nossa vida chegam a setenta anos; se, alguns, pela sua robustez chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.” Sal 90; 4 e 10 

Pedro: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa; que, um dia para o Senhor é como mil anos, mil anos como um dia. O Senhor não retarda  sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para conosco, não querendo que alguns se percam, senão, que todos venham a arrepender-se.” II Ped 3; 8 e 9 

Tiago: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco,  depois se desvanece.” Tg 4; 14 

Em Hebreus encontramos o que segue: “Jesus Cristo é o mesmo; ontem, hoje e eternamente.” Heb 13; 8 Muitos exemplos mais, há; contudo, por ora, esses bastam. 

Acontece que, se as coisas criadas estão sujeitas ao tempo, Aquele que é Pai da Eternidade possui o tempo em Suas mãos. Por isso, a Dádiva Maior de Seu amor, Jesus Cristo, visa guindar aos que Lhe ouvem e obedecem, a uma dimensão onde o tempo não conta mais. “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna; não entrará em condenação, mas, passou da morte para a vida” Jo 5; 24 

Sim, a morte tem seu consórcio com o tempo, onde, ceifa a torto e a direito como lhe apraz. A vida eterna, porém, livra aos filhos das garras da morte. 

Então, lermos o tempo com a lupa humana vale para as nossas coisas, não, para as que são eternas. Nesse quesito fracassaram os opositores de Jesus. Quando Ele disse: “Antes que Abrão existisse, Eu Sou” soou blasfemo, pois, lhe davam pouco mais de trinta anos, sua saga humana. Entretanto, quando desafiou à lógica ao ressuscitar um morto de quatro dias demonstrou cabalmente que, Seu postulado de imunidade ao tempo é veraz. 

Como vive num eterno presente, incita-nos a uma decisão no mesmo prisma: “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje sua voz, não endureçais  vossos corações...” Heb 3; 7 e 8 

A urgência não é por que o tempo em si seja exíguo; antes, porque o nosso em particular pode findar a qualquer momento. Todos os dias milhares de vidas adentram à eternidade órfãs de uma decisão séria no âmbito espiritual, pois, mesmo ante inúmeras oportunidades postergaram; findou seu tempo e não buscaram a Salvação, como disse Jeremias, noutro contexto: “Passou a sega, findou o verão e nós não estamos salvos.” Jr 8; 20 

É próprio de Um Ser Amoroso, que possui todo o tempo, ser longânime, como Deus é; entretanto, descansarmos nisso como se a Santa paciência fosse cumplicidade com nossos descaminhos soa à blasfêmia; Ele diz: “Estas coisas tens feito, ( ver contexto ) eu me calei; pensavas que era tal como tu, mas eu te argüirei, as porei por ordem diante dos teus olhos.” Sal 50; 21 

Que dizer ainda dos, que, de posse de menos de um século de vida contraditam ao Eterno com  teorias biodegradáveis? Essas poses de super-homens valem para discursos inflamados, teses doentias; contudo, a “Kriptonita” do tempo basta para verter em vermes a tais “homens de aço.” 

O precursor do Salvador, aliás, também anunciou essa mensagem: “Uma voz diz: Clama; alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, toda a sua beleza como a flor do campo. Seca-se a erva e cai a flor, soprando nela o Espírito do Senhor. Na verdade o povo é erva. Seca-se a erva cai a flor, porém, a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.” Is 40; 6 e 7 

Não é pequena a insensatez de quem cambia a segurança de Diretrizes Eternas pelo pólen fugaz de flores enfermiças. 

É próprio de nossa sociedade apodrecer moralmente e filosofar: Os tempos são outros! Isso mascara que os humanos são outros, cada vez piores. Ignoram deliberadamente que, sua falta de tempo para Deus rouba a todo tempo de si. 

Seja nossa, pois, a oração de Moisés: “Ensina-nos a contar nossos dias, de tal maneira, que alcancemos corações sábios.” Sal 90; 12

sábado, 11 de abril de 2015

Coração transplantado

“Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe, o homem. Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio,  repudiá-la? Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.” Mat 19; 6 a 8 

Ele e Moisés estariam prescrevendo coisas diferentes, uma vez que o Mestre propunha a indissolubilidade do matrimônio, enquanto, Moisés aceitava o divórcio. 

Então explicou que, a permissão atinava às possibilidades do homem, ( por causa da dureza dos vossos corações ) não da Vontade perfeita de Deus. ( Mas, ao princípio, não foi assim ) 

Mas, se em Moisés o coração duro “abonava” certos pecados, em Cristo, não mais? A transição do Velho para o Novo Testamento enseja um upgrade fantástico. “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda.” Heb 8; 6 e 7 Então, embora a graça de Deus esteja em plena vigência para com os que se arrependem, os reclames da Santidade são altos, sublimes, aos moldes de Cristo. 

O cumprimento formal da Lei, mesmo os Fariseus conseguiam, mas, o Salvador advertiu: “Porque vos digo que, se vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” Mat 5; 20 

Claro que, imitar a Cristo demanda, antes de tudo, conhecer Seu caráter, Sua mente, como disse Paulo: “Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” I Cor 2; 16  Só pode dizer isso, contudo, aquele que está espiritualmente edificado, tanto no conhecimento, quanto, na prática da Doutrina; os demais, devem seguir buscando, pelos caminhos propostos. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguem à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo...” Ef 4; 11 a 13 

Quem logra atingir estatura, pelo menos, aproximada, já não busca “brechas” para pecar, antes, identificando uma, repara-a.  “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém, ninguém achei.” Ez 22; 30

Afinal, o coração duro, posto que seja herança inevitável após a queda do Éden, (Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Rom 8; 6 e 7 ) Ainda assim, segue sendo consequência de nossas escolhas, pois, bem podemos dar ouvidos ao que amolece. “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes sua voz, não endureçais os vossos corações...” Heb 3; 15 

Assim, o mero sair em busca de justificativas, invés de buscar o perdão do que justifica é já em si, um diáfano atestado de coração endurecido; qualquer que seja o “álibi”  encontrado, servirá apenas como conservante de sua rigidez, seu medo da “cirurgia” tencionada pelo Pai. “Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei um coração novo, porei dentro de vós um espírito novo; tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne.” Ez; 36; 25 e 26  

Vemos que a “anestesia” que antecede ao transplante de órgãos é feita com “água pura”. Paulo ensina: “Para santificá-la, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra...” Ef 5; 26 

Concluindo; se, havia uma discrepância entre a possibilidade humana e a Vontade Divina, O Salvador começou Sua obra por aí: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;” Jo 1; 12 

Desse modo, em Cristo podemos buscar a santificação. Mais; devemos. Senão, o upgrade de bênçãos propiciado pelo Sacrifício Perfeito subirá noutro gráfico, o do juízo. “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas, três testemunhas. De quanto maior castigo, cuidais, será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, fizer agravo ao Espírito da graça?” Heb 10; 28 e 29 

Em suma: A única coisa que um coração duro prova é que, a cirurgia tencionada pelo Eterno ainda carece ser feita.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Meus castanhos olhos azuis

“Todo prudente procede com conhecimento, mas, o insensato espraia a sua loucura.” Prov 13; 16 

Nesse breve provérbio antitético temos dois sujeitos e seus predicados. Prudente x insensato; conhecimento x loucura. 

Embora a loucura, vulgarmente conhecida atine à privação das faculdades mentais, psíquicas, de sua vítima, temos outro exemplar que esposa a defesa apaixonada de algo, privado de conhecimento. Faceta, aliás, própria da paixão. Essa, como o nome sugere faz seu hospedeiro passivo, paciente, invés de ativo,  como seria o racional  que orbitasse fora de seus domínios voando na nave do conhecimento. 

O exemplo mais clássico dos danos da paixão se verifica nos torcedores de futebol; o mesmo lance que seria pênalty a favor é repudiado como roubo, se igualmente aquilatado quando, contra. Certas cores, uma bandeira, um nome, fomentaram a paixão num hospedeiro qualquer, e nessas coisas, a razão foi defenestrada. 

Igualmente ocorre nos meandros da política. Primeiro, que é um erro nela se engajar com uma doentia paixão por uma sigla e defendê-la a todo custo, contra fatos cristalinos usar a fumaça dos sofismas. Entretanto, isso ocorre a não mais poder. 

Se determinado prócer do partido A foi flagrado em roubo, corrupção presto, seus defensores querem achar acusação semelhante no signatário do B. Ora, não quero nem defendo corruptos de sigla nenhuma, pois, malgrado sua ideologia, discurso, bandeira, se, rouba, rouba a mim, e aos meus semelhantes, trabalhadores, pagadores de impostos como eu. 

Portanto, não me venham torrar o saco “limpando” um corrupto com outro; comprovada a culpa de ambos, cadeia neles! Sequestro de bens, banimento da política.  Sejam de quais partidos forem. 

Não torço por uma sigla, antes, pleiteio um país decente, será que é muito entender isso? Claro que a roubalheira escandalosa da vez é a do Petrolão. O quê têm feito seus “defensores” a respeito? Têm espalhado que os protestos do povo são por ódio ao PT; mais, que esse ódio deriva de vermos negros em aeroportos, pobres tomando avião, filhos de pobres estudando nos Estados Unidos, etc.

Gozado, mas, nas muitas faixas que li na última manifestação, nenhuma aludia contra presumidos méritos do PT; antes, todas bradavam contra a corrupção. 

Embora haja eventuais resquícios de racismo ainda no país, são coisas pontuais, não, de partidos quaisquer que sejam. Pobres tomam aviões, não por que o PT possibilitou; antes, o sistema capitalista que os “bolivarianos” odeiam enseja a competição entre as empresas aéreas, barateando o custo dos vôos, a ponte de, alguns, serem mais em conta que tomarmos ônibus. O sonho socialista do PT tolheria a competição e entregaria os céus do país a uma “Aerobrás da vida, sob a tutela do Estado.

Filhos dos pobres indo para os States? Por causa do PT? Não deveriam ir para Cuba, invés dos domínios dos “malditos imperialistas”. Isso não deve ser contado como vantagem, antes, desvio de rota.

Vemos que tais argumentos fracos não passam de marketing de sobrevivência, praticado por um partido “Walkin dead” que não “zumbizou” por culpa da oposição, tampouco, da “zelite”, mas apodreceu por seus próprios “méritos”.

Ademais, suponhamos que, aumentar o Bolsa Família fosse um “upgrade” invés de sinal de falência desenvolvimentista como é; mais, que os presumidos méritos econômicos do partido fossem verazes, invés de falácia, como eu deveria ler tal defesa? “O PT fez muito bem à economia, aos pobres, avançou nas conquistas sociais, portanto, dever ter carta branca, apoio, mesmo que perpetre mediante suas mãos, a maior roubalheira da história.” Essa é a leitura esperada? 

Ora, cara pálida, essa lógica tipo: “Rouba mas faz”, pra cima de mim, não! Tenho procurado gente que, como eu, abandonou o barco quando viu a infiltração das águas da mentira, engano, corrupção; mas, tenho me deparado com defesas apaixonadas, cegas, diatribes ocas, como se eu fosse um capitalista de “olhos azuis” que gratuitamente odeia aos pobres.

Meus olhos são castanhos sou trabalhador braçal, meus “defeitos”, pois, não são aqueles, antes, ouso pensar, tenho vergonha na cara, coragem de dizer o que penso, simples assim. 

Sei que sou bem incisivo, talvez até magoe pessoas em minha ousadia; Mas, as patranhas repetidas há mais de uma década pelo PT me magoaram muito também, pois, um dia acreditei neles. Então, não venham sofismar pra cima de mim. Apresentem argumentos verossímeis, defesas plausíveis, ou, recolham-se ao silêncio. 

Não tentem rebaixar a grave senhora razão aos porões úmidos e doentios da escura paixão. Se sua sede de se manter no poder é tão ávida que produz miragens, a minha pela verdade é sisuda, estoica, capaz de suportar o deserto da decência que passamos, sem lançar mão ao cantil da mentira. Ou encontro o sonhado oásis, ou, morro seco, mas, disso não abro mão, preciso desenhar?

domingo, 5 de abril de 2015

Abelhas e zangões

“E vi aquele que me dizia:  sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão teu testemunho acerca de mim. Eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em ti. E quando o sangue de Estevão, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente; consentia na sua morte, guardava as capas dos que o matavam. E disse-me: Vai...” Atos 22; 18 a 21 

Temos nesse recorte o vacilante Paulo vivendo seus remorsos, os motivos de sua rejeição, entre duas ordens do Senhor. “Sai depressa... Vai...” 

Essa nuance é comum a toda a espécie humana. O Eterno ordena a ação, o homem propõe  discussão. Ocorre-me um fragmento de Platão onde ele identifica o ser, do filósofo. Um meio termo entre o sábio e o tolo, disse. Pois, - concluiu - o tolo não pretende filosofar, sente seguro com o que “sabe”;  o  sábio não precisa. Assim, a discussão, a busca de setas que indiquem razões, caminhos é comum, em seres imperfeitos, jamais, em Deus. Daí, que precisa ser obedecido, não contestado. 

Vários profetas discutiram com o Altíssimo, digo, opuseram motivos para se evadirem ao chamado. Lembro Moisés, Jeremias, Isaías... A um faltava eloquência; a outro, experiência; ao último, santidade. Com todos o Senhor foi categórico: Vai. Quando Deus chama alguém, Onisciente que É conhece já as circunstâncias e as limitações do tal. Mas, se, mesmo assim o faz, as consequências são responsabilidade Dele. 

Ademais, se quisesse  fazer Sua obra com seres perfeitos teria  feito outra escolha. “Porque, na verdade, ele não tomou  anjos, mas, tomou a descendência de Abraão.” Heb 2; 16 

Claro que se requer dos mensageiros do Senhor que sejam pessoas idôneas, de bom testemunho. Entretanto, não esperem a perfeição de  frágeis, pecadores. Acontece que, através desses fracos, Deus fala de Sua vontade, pois, ainda que pecadores, se esforçam por conhecer à Palavra de Deus, obedecer e ensinar retamente. 

Aquele ( a ) que sai catando um motivo aqui, outro ali para rejeitar a um dos tais, no fundo, apenas tergiversa, disfarça sua rejeição a uma ordem de Deus. Falo dos ministros fiéis, não dos falsificadores da Palavra, óbvio. “Quem vos recebe, a mim  recebe;  quem recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta;  quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo.” Mat 10; 40 e 41 

Assim, muitos que se propõem a discutir, acusar, caluniar eventuais mensageiros do Eterno, no fundo, não passam de mascarados fugindo apavorados da cruz, e tentando transferir a culpa de sua omissão. 

Nos dias dos Juízes, Deus deu grande livramento sob a liderança de Débora. Em seu canto exaltou a valentia de certas tribos, denunciou a omissão de outras;  sobre a tribo de Rúben disse  algo interessante: “...nas divisões de Rúben foram grandes as resoluções do coração. Por que ficaste tu entre os currais para ouvires os balidos dos rebanhos? Nas divisões de Rúben tiveram grandes esquadrinhações do coração.” Jz 5; 15 e 16

Noutras palavras, a guerra comendo, vidas sendo arriscadas para salvar a nação; os anciãos de Rúben divididos, discutindo se deveriam mandar soldados ou não. A vitória veio sem sua ajuda, para vergonha dos tais.

Não é diferente  agora. O inimigo com toda sua artilharia bombardeia às casamatas da verdade, da decência, dos valores eternos; de muitos, o máximo que se consegue é  discussão, jamais, obediência, entrega, submissão. 

O nome, Débora significa abelha; de carona nessa figura  podemos dizer que os servos fiéis laboram quais abelhas, enquanto outros “servos”, os da discussão sem submissão não passam de zangões inúteis para o labor. 

Pior, quando se engajam em desqualificar  pregadores de Deus, gostando ou não, alistam-se no exército do inimigo, pois, obrar tal feito é seu prazer. Contudo, diga alguém tal verdade! Logo se ofenderão muito, pois, apesar da sua oposição aberta, afirmam ser “servos de Deus”. 

Contrarie o “Vai” Divino aos seus anseios naturais perversos, porém, e logo mostram as garras ocultas como fazem os gatos. 

Em suma: A Obra de Deus não é  pesquisa filosófica; um chamamento à discussão. Antes, a “aspersão do Sangue de Cristo”, o anúncio de Sua Palavra é o último apelo de amor Divino, enquanto retarda o Juízo.  Um ultimato como a Ló em Sodoma; “Escapa por tua vida”! 

Você me viu pecar? Pode ter visto. Mas, já viu me arrepender? Ser perdoado e retomar o caminho? Pois é, cada um costuma ver, enfatizar o aspecto com o qual mais se identifica. 

Você não quer a Jesus por que eu não sou perfeito? Irônico, Ele me quer, mesmo assim, portanto, você, caro zangão, deve ser melhor que Ele. 

sábado, 4 de abril de 2015

O "argumento" da calúnia

“O sábio teme, e desvia-se do mal, mas o tolo se encoleriza, e dá-se por seguro.” Prov 14; 16 

Temos duas reações ante o mal; uma do que evita desvia-se; outra, do que se irrita com a correção e se sente seguro. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que, o uso da violência, da agressão onde deveríamos usar argumentos, é admissão de culpa, ou, de falta de argumentos. 

O senhor sofreu na face um “argumento” assim. “E, tendo dito isto, um dos servidores que ali estavam, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao sumo sacerdote? Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; e, se bem, por que me feres?” Jo 18; 22 e 23  Vemos que, o uso da violência, da agressão onde faltam argumentos é um mal bem idoso. 

O medíocre discute pessoas. O comum discute fatos. O sábio discute idéias.” Pv chinês. O que Salomão achara tolo, para os chineses é um medíocre, o que não melhora em nada. 

Tais pecadores tentam se lavar com água suja; digo, justificarem eventuais erros ancorados em presumidos erros alheios. Assim, os corruptos do PT caçam desesperadamente corruptos de outras siglas, como se, achando-os, lhes justificasse. 

Não que sejamos perfeitos, mas, nos apedrejam de longe, desqualificando via textos, imputando-nos coisas que desconhecem, frutos de sua maldade, não, de fatos. Sentem “nojo” de quem ensina; se, tal, em algum aspecto os contrariar. 

Paulo, o grande apóstolo passou por algo semelhante. Cara a cara o temiam, mas, de longe o acusavam. “Porque, ainda que eu me glorie mais alguma coisa do nosso poder, o qual o Senhor nos deu para edificação, e não para vossa destruição, não me envergonharei. Para que não pareça como se quisera intimidar-vos por cartas. Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra desprezível. Pense o tal isto, que, quais somos na palavra por cartas, estando ausentes, tais, seremos também por obra, estando presentes. Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento.” II Cor 10; 8 a 12 

Então, quando a santidade é tanta que chega a sentir nojo de nossos pecados, é hora de conhecermos pessoalmente esses poços de virtude; entregar-lhes o púlpito e nos assentarmos para o devido banho de sabedoria e santidade. 

Duros tempos vivemos; onde o respeito sumiu, e a calúnia parece se equiparar aos fatos. Longe de mim esteja a presunção de não ter erros; mas, igualmente distante fique a ideia de hipocrisia, falta de caráter. 

Mas, Paulo, o mesmo que era valentão só por cartas vaticinou esses dias: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” II Tim 3; 1 a 5 

Sim, embora se diga por aí que são todos iguais, para Deus existem diferenças, “os bons”, na verdade, pecadores que se arrependem, e os réprobos que seguem agarrados aos seus erros; esses merecem desprezo enquanto não se arrependerem. “A cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao Senhor;...” Sal 15; 4 

Vemos que, o mesmo que despreza aos réprobos honra aos servos de Deus, não emparelha tudo como se fosse um balaio de gatos. Um servo de Deus não é dono da Verdade; mas, tem compromisso com ela, não com fingir hipocritamente visando agradar homens, como disse Pedro: “...Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido.” Atos 4; 19 e 20

Vivemos a geração sem noção, que foi descrita nos provérbios. “Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas, que nunca foi lavada da sua imundícia.” Prov 30; 12 

O triste disso tudo é que, quem ensina visando afastar do erro o faz por amor, mirando edificação e é tratado como arrogante, presunçoso, hipócrita.

Certas coisas, só  notamos o real valor quando faltam, como viu a beleza da casa paterna, o pródigo, só depois que estava entre os porcos. 

“O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao Senhor.” Prov 17; 15 Quem tem compromisso com a verdade não faz uma coisa, nem outra, antes, enxerga a diferença entre ambos.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sobre fé e cruz

“Mas, um só, o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.” I Cor 12; 11 

Embora o contexto atine aos dons espirituais, também enfatiza a Soberania do Espírito Santo. “... repartindo... a cada um, como quer.” Sem dúvida alguma, nossa maior dificuldade é cooperar para que nossas vidas sejam amoldadas à Vontade de Deus. 

A ideia vulgar da fé é que se trata de um poder dado aos cristãos mediante o qual conquistarão o que desejam. Embora obre essa, no sentido de produzir resultados palpáveis, sua essência é invisível; seu alvo  destronar nosso ego, entronizando  Cristo. 

Escrevendo aos efésios Paulo  ensinou: “Ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas,  outros para evangelistas,  outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé,  ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo...” Ef 4; 11 a 13 

Assim, de modo superficial parece que a fé nos deve engrandecer muito, dado que, seu alvo é nos igualar a Cristo. Entretanto, Ele, quando de Seu maior e mais doloroso conflito submeteu-se cabalmente à Vontade do Pai. “...Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas, como tu queres.” Mat 26; 39 

Acontece que, se, estatura natural se mede por grandeza, renome, posses... a espiritual tem seu consórcio com a humildade; assim, os maiores se fazem menores. “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas, cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas,  esvaziou  a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;  achado na forma de homem, humilhou a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente; lhe deu um nome que é sobre todo o nome;”  Fp 2; 4 a 9 

Embora a palavra original foi traduzida por “sentimento”, o contexto demanda que seja um pouco mais que isso. Motivação, inclinação, disposição interior.  Assim, nossa parte é esvaziamento.  A exaltação não atende ao concurso de nossa vontade, antes, é totalmente tributária à Vontade de Deus.  “... Deus o exaltou soberanamente...”  

O que quero dizer, enfim, é que, essa “fé” que “compartilha”, “toma posse”, “decreta”, “determina” o que deseja, mora a anos luz da Fé ensinada na Bíblia que, descansa confiada no caráter e soberania de Deus, invés de nossos anseios ignorantes e malsãos.

A fé hígida não faz acontecer; antes, amolda-se ao que Deus escolhe soberanamente para seu filho.  Não que ela não remova montanhas; apenas, que é Deus quem escolhe, quais montes devem mudar de lugar. 

Salomão alistou alguns que incomodam ao Santo: “Estas seis coisas o Senhor odeia; a sétima a sua alma abomina:  Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.” Prov 6; 16 a 19 

Claro que, remover montes assim demanda algo mais que fé; digo, seu efeito colateral mais valioso, obediência. Sempre que cogitamos a remoção de algum monte, porém, geralmente o vemos como pedra no caminho, nunca, como doença moral, espiritual, no caminhante.

A Palavra opera para aplanar os caminhos do coração, não, dos pés, estritamente falando. “Bem aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.” Sal 84; 5 Vemos que, esse ditoso ser,  tem sua força em Deus; Na vontade Dele.  

A cruz já fez seu trabalho de crucificar às paixões naturais; o Espírito Santo pode investir Seus dons com fito de edificar ao Corpo de Cristo. Claro que a negação de minha vontade necessariamente me faz como que nulo; como se fosse de outro; essa é a ideia, ser de Cristo. “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões, concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” Gál 5; 24 e 25

Em espírito, vontades naturais não fazem sentido; as espirituais aceitam de bom grado a Vontade e Deus. Em suma: A fé não atua para mudar circunstâncias, ainda que o possa fazer; antes, tem como alvo mudar caracteres, o que carece nossa cooperação e obediência.

Crer no que me agrada pode parecer fé, contudo, não passa de bisonho simulacro. A fé Bíblica tem alvo melhor: “... Sem fé é impossível agradar a Deus...”