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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Com qual cor irei?


“Não removas os limites antigos nem entres nos campos dos órfãos” Prov 23; 10

Não raro tomamos divisões geográficas como divisoras de tempo. Por exemplo: “Até aqui nos ajudou o Senhor”; Vejamos: “Então tomou Samuel uma pedra, a pôs entre Mizpá e Sem, chamou-lhe Ebenézer; e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor” I Sam 7; 12 A perseguição vitoriosa contra os inimigos se estendera por vasta área; o profeta decidira celebrar isso com um marco, até aqui. 

Contudo, é lícito usarmos isso como um marco de tempo, no sentido de; até hoje nos ajudou o Senhor, pois, O Senhor é fiel, e ajuda mesmo, aos que O temem.

Mas, o texto primeiro, quando usado assim causa alguns problemas. Os que se apegam a usos e costumes citam o “não removas os limites antigos” num sentido de conservar o jeito de vestir, de ser, dos de antigamente. Basta lermos com atenção para ver que não é disso que o texto trata. Refere-se à preservação da herança, do direito de propriedade por seus legítimos donos. Não mude os marcos que definem as propriedades, sobretudo, dos órfãos, pois, Deus pelejaria por eles, contra quem o fizesse; essa é a ideia.

Todavia, se, a não remoção dos limites antigos for usado no sentido de não alteração da doutrina dos apóstolos, soará válido, pois, é algo a ser preservado imutável também.

Acontece que, uns, por desconhecimento, chamam os usos e costumes, de doutrina, aí, a confusão se estabelece. Paulo relegou essas coisas efêmeras à mera satisfação carnal dos que, zelosos disso, nem sempre o são, das coisas que importam deveras. “Ninguém vos julgue pelo comer, ou beber, ou por causa dos dias de festa, da lua nova, dos sábados... Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão... Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo preceitos e doutrinas dos homens; têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, em disciplina do corpo, mas, não são de valor algum senão para a satisfação da carne.” Col 2; 16, 18, 20 a 23

Assim, mantido o padrão da decência, da ordem, as demais coisas são irrelevantes, em face às “que são de cima” como disse o apóstolo.

Como hoje é o último dia do ano, portanto, um marco de tempo, me ocorre refletir sobre as coisas mutáveis, e as perenes, em face ao tempo. Se, para as coisas criadas, incluindo o homem, o tempo é um limite inelutável, ( Tudo tem seu tempo determinado, debaixo do Sol ), para o Eterno, o tempo se reporta como um filho, dado que É, “Pai da eternidade”.

A morte derivada da queda restringiu a humanidade a uma redoma de tempo, que se dimensiona conforme a consistência física de cada um. Podemos, claro! Em face de escolhas más, diminuirmos nosso tempo, invés de dispormos do que nos foi facultado por Deus. Nada de fatalismo, somos arbitrários; portanto, devemos ser consequentes.

Estamos retidos num nicho chamado, presente, e nele, devemos resolver questões pretéritas e futuras. A faceta racional, a inteligência nos permite o raciocínio abstrato; A Palavra de Deus, O Eterno, e Seu Espírito Santo, nos capacitam a viajarmos no tempo, ao passado e ao futuro, para bem gerirmos nossas vidas.

Ao passado só vamos para as necessárias correções. Embarcamos na nave mágica do arrependimento, aceleramos o motor da confissão, e acoplamos no seguro perdão Divino. Assim, nossos idos, por sujos que sejam, ficam limpos pelos Méritos Benditos de Jesus Cristo.

Ao futuro embarcamos nas promessas, movidos pelo combustível da fé, até repousarmos na Integridade do Caráter Santo de Deus.

Nosso tempo em particular, tenha a dimensão que tiver, é mero portal à eternidade; a Fonte da Eterna Juventude é Jesus, e a senha para chegar lá, conversão. Ele disse: “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” Jo ; 14

Assim, se cada ano vivido é um ano morrido, como disse Fernando Pessoa, poucas razões tem para comemorar o fim do ano, aquele que, ainda não encontrou a “senha” que o faz imune ao tempo.

Se, invés de cores “mágicas” escolhêssemos palavras sábias... O problema é que as Palavras demandam ação; as cores delegam à sorte, mudar nossa vida... é mais fácil o plano B; contudo, trocamos diamantes por bijuterias...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Pode o diabo curar um cego?

“... Pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?” Jo 10; 21 Uns, acusavam ao Senhor de possesso, outros, defendiam; alguém colocou a questão: Pode um demônio abrir os olhos de um cego? Uma boa pergunta.

O próprio cego que fora curado, fizera defesa de Jesus sobre o vácuo de testemunhos de cura atribuídas ao inimigo, disse: “Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.” Cap 9; 32 e 33

A Bíblia registra “milagres” satânicos, como a mediunidade da pitonisa ante Saul; tempestade, e “fogo do céu” destruindo bens de Jó; adivinhação em Filipos... O Mago Simão, nem demandava poder diabólico direto, mas, mero engano, ilusionismo. Os magos de faraó imitaram os três primeiros sinais de Moisés, contudo, assumiram, implicitamente, que foi obra de engano, pois, quando Moisés transformou pó em piolhos, eles disseram, “não brincamos mais”, noutras palavras: Não é magia, é Dedo de Deus.

Se, até os dias de Jesus faltava, tal cura, atribuída a satanás, depois, a ausência continua. Mas, diria alguém, omissão não é suficiente como prova. Assim sendo, olhemos para as ações do inimigo em busca de traços; de que calibre eram?

No caso dos egípcios e Simão, magia, engano; no de Jó, poder para destruição; na pitonisa de Filipos que adivinhava, engano também. Um espírito maligno, por sua natureza, sabe coisas que escapam aos humanos, mas, quando as revela atribuindo o conhecimento à pessoa, mente; diferente de um profeta que revela o oculto, e tributa a revelação a quem de direito, O Senhor.

Certo que a Palavra adverte sobre sinais e prodígios de mentira. Contudo, esses, carecem da permissão Divina. O “poder” associado ao mau caráter, mentira, é aferidor de nossa fé. “Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor com todo o vosso coração, com toda a vossa alma.” Deut 13; 3

Essa advertência é contra um que operou um sinal genuíno, mas, a doutrina afrontava Deus. Assim, canalhas mercenários usando testemunhos de milagre pra ganhar dinheiro, invés de almas, deveriam angariar asco, repulsa, diatribe violenta, invés de seguidores, como tanto ocorre.

Os sinais falsos são juízo Divino aos que recusam a verdade; “segundo a eficácia de Satanás... poder, sinais e prodígios de mentira, ... engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.” II Tess 2; 9 e 10

A condição de criatura força satã a depender da permissão Divina pra seus “milagres” como foi no caso de Jó, onde derrubou sua casa com um vendaval, ou, queimou ovelhas com “fogo do céu”.

Aliás, quando do desafio do Carmelo, cujo sinal buscado era esse, não poderia ele, ter feito descer fogo aos sacerdotes de Baal que o representavam na arte de enganar? Poderia, mas, lá, não tinha permissão.

A cura via medicina, os transplantes de córneas, por exemplo, também devemos a Deus que nos dá inteligência. A “Árvore da Ciência” que foi vetada significava independência humana em relação ao Criador; a possibilidade de decidirmos por nós mesmos a questão moral do bem, e do mal.

A vera ciência aproxima de Deus, a falsa afasta. “...guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos, profanos, e às oposições da falsamente chamada ciência, a qual, professando-a alguns, se desviaram da fé.” I Tim 6; 20 e 21

Se, o maligno não pode curar a cegueira física, a espiritual, muito menos. Nesse prisma, até o canhoto carece luz, é cego. Não fosse, deixaria a obstinação de lutar uma batalha perdida d’antemão.

Não podendo nos curar, porém, pode fazer o contrário, e faz. “...o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” II Cor 4; 4 Vemos que a falta de luz espiritual se equaciona à falta de entendimento... essa é cegueira que mata a tantos.

E uma coisa vital que devemos entender é que Deus não lega dons com finalidades carnais, para promover, ou, enriquecer ímpios na Terra. “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” I Cor 12; 7


 Se diz que o pior cego é o que não quer ver; a cegueira espiritual é dessa estripe; tem mais a ver com vontade rebelde, que, com restrição. A capa de ignorância espiritual faculta seguir pedindo esmolas pra carne. Os que são curados têm responsabilidades no Reino; isso assusta alguns, menos que a morte; acabam escolhendo o “mal menor”, infelizmente.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Como Zaqueu

“Apressando-se, desceu e recebeu-o alegremente. Vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador.” Luc 19; 6 e 7

Todos que têm alguma noção do cristianismo já ouviram falar da conversão de Zaqueu, o publicano ladrão. Sem me deter, por ora, no fato dele ter recebido Jesus, quero tecer algumas considerações sobre a perspectiva dele ao fazer isso. “Apressando-se... recebeu-o alegremente.”

Quantos, dentre os que recebem ao Salvador, o fazem com essa visão, de urgência e alegria? Na verdade, considero muito pobre a abordagem comum dos pregadores que instam seus ouvintes a “aceitarem Jesus”; a imagem resultante é de um suplicante frágil em busca de nosso apoio, invés do Majestoso Salvador, acenando aos mortos com o dom da vida. Dada a urgência, o que está em jogo, talvez devêssemos aprender a abordagem dos anjos em Sodoma e Gomorra, falando a Ló: “Escapa por tua vida”! A Palavra, aliás, não apregoa que se rumine por algum tempo, e tome uma decisão futura; antes, exorta ao imediato inclinar do coração. “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais vossos corações...” Heb 3; 7 e 8

Na mesma epístola há o desafio a eventuais indecisos, que apresentem uma alternativa de fuga, um “Plano B”, que justifique ignorar ao Senhor. “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;” Heb 2; 3

Uma vez mais, a abordagem de escapar, fugir da morte, não “fazer um favor” ao Senhor. Um mensageiro fiel, pois, “tira o chão dos pecadores” deixa-os “no pincel”, e aponta para a “Escada de Jacó”, Cristo.

Os que buscam aceitação para si, tendem a agradar, e nunca apresentam O Evangelho da perspectiva correta; vital, urgente!

Mas, deixando o modo, olhemos um pouco o sentimento. A alegria. Por que não se vê a mensagem de salvação desse prisma? Porque perspectiva, amiúde, é ponto de vista; e esse, depende do mirante, do lugar em que se está. Quem sente-se confortável com o pecado, o prazer que ele dá, com razão vê O Senhor como desmancha-prazeres, pois, aos pecaminosos visa desfazer mesmo. Contudo, quem sabe-se morto, e divisa Nele um convite à vida, tem sobejas razões para recebe-lo em festa. Esse é o trabalho do Espírito Santo; situar pecadores, para que recebem ao Salvador na perspectiva correta. Dele, disse O Senhor: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.” Jo 16; 8

Conversão não é mudar de opinião, melhorar de vida, repensar; é novo nascimento, reconciliação. Sintetizando: Não é upgrade, é milagre!

Se, “há alegria no Céu por um pecador que se arrepende”, como não haveria o mesmo júbilo no que sente o suave perdão Divino trazendo-o de volta ao regaço do Pai? Acontece que, poucos pecadores triunfam quando instados pelo Espírito Santo e A Palavra, a deixarem os prazeres pecaminosos e conhecerem a alegria espiritual. Daqueles possuem experiência; dessa, lhes falta, e não ousam “pagar pra ver”.

Onde se deu a faísca, voltando a Zaqueu, que acendeu nele a alegria ao receber Jesus? Bem, podemos conjecturar apenas. No aspecto social era um rejeito, alguém que desempenhava uma profissão de má fama; cobrava impostos, até mesmo, roubando, a serviço dos romanos, então, opressores de seu povo. Como dizemos hoje, era o “cocô do cavalo do bandido”. Assim, receber pública honraria da “Celebridade” Mor do momento, tinha para ele um quê de desagravo, reparo, que pode tê-lo alegrado.

No Prisma espiritual, Israel vivera um deserto profético de 400 anos, de Malaquias a João Batista. Quem sabe, em seu subconsciente, ficou a ideia que Deus desistira deles, e, daquele modo, a boa vida, a riqueza era o alvo melhor que se podia atingir, ainda que, usando meios ilícitos. Se Deus não nos quer mais, e dinheiro é o “que tem pra hoje”, mãos à obra!

Claro que estava ciente dos feitos de Cristo, tanto que subiu numa árvore para vê-lo, mas, com certeza, ia ver de longe, pois, estava desqualificado para Deus, pelas escolhas que fizera.

Contudo, à abordagem do Mestre, a esperança reacendeu, havia mais que dinheiro em jogo, havia vida outra vez! Como evitar a alegria e a urgência? Assim, se víssemos Jesus como É, e entendêssemos o que Seu convite significa, como Paulo, consideraríamos esterco, nossas melhores coisas, como Zaqueu, teríamos pressa e alegria em recebe-lo.


Todos estamos desqualificados, ante Deus, por isso, resta-nos o desapego ao pecado que desqualifica, e apelar urgente ao Único que pode nos reconduzir à vida. “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” Luc 19; 10

sábado, 26 de dezembro de 2015

Santificação, o nome dos bois

“O mar estava posto sobre doze bois; três que olhavam para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente; o mar estava posto sobre eles; suas partes posteriores estavam todas para o lado de dentro... era para que os sacerdotes se lavassem nele.” II Cron 4; 4 e 6 Um dos utensílios do Templo de Salomão, o “mar”, na verdade uma grande banheira esculpida sobre doze bois.

Muitas coisas daquela época, além de sua utilidade imediata, traziam mensagens futuras. Para a teologia, são os “Tipos Proféticos”, ou, as “sombras dos bens futuros”, como alegorizado em Hebreus. Assim, o Cordeiro da Páscoa era um Tipo de Cristo; a água da rocha, Tipo de Sua Palavra; o maná, idem, símbolo do Pão do Céu; etc.

O aludido mar, sobre doze bois apontava profeticamente para algo, também? Ora, o próprio Salvador comparou Sua Palavra como “uma fonte que salta pra vida eterna”; “Água da Vida”; ou, um lavatório, quando disse: “Vós já estais limpos pela Palavra que vos tenho pregado.” Esse, aliás, é o “nascer da água e do Espírito” dito pelo Senhor. Da Palavra e do Espírito. Nada a ver com batismo que é mero testemunho público, a salvação se dá na conversão.

Paulo ensina: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo”. Tt 3; 5 “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra.” Ef 5; 26

Vemos então, o concurso do Espírito e da Palavra, como agentes purificadores. Sendo a água, a Doutrina de Cristo, Seu corpo espiritual, a Igreja, todos os que O servem em Espírito e verdade formam o “Mar” que contém a água. Os doze bois que sustentam isso, óbvio, os doze apóstolos, iniciadores da obra e difusores da Doutrina. Se, Judas extraviou-se dada sua escolha, Matias foi posto em seu lugar, o “pedestal” foi refeito.

O fato de que cada grupo de três animais olhava numa direção tipifica o propósito universal, “toda criatura”. Todavia, aspecto mais relevante desse Tipo era que os sacerdotes deveriam se lavar antes de ministrarem. Isso não aponta para outra coisa, senão, para a necessária santificação dos que pretendem exercer o Ministério. 

Paulo foi didático: “Todo aquele que luta de tudo se abstém; eles fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Assim corro, não como a coisa incerta; combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo meu corpo, o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.” I Cor 9; 25 a 27

Três coisas são necessárias pra se lavar; primeira: Identificar a sujeira; segunda; querer; terceira, dispor dos meios. A Palavra mostra o pecado, insta ao arrependimento, e purifica com a Água da Vida, o perdão de Cristo.

Tiago alude a uns que, vendo-se sujos, recusam a se lavar; “E sede cumpridores da palavra, não, somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque contempla a si mesmo, vai-se, logo se esquece de como era.” Tg 1; 22 a 24

Pedro, por sua vez, a outros que, tendo se lavado uma vez, sentiram saudade da antiga sujeira e voltaram; “Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao próprio vômito, a porca lavada, ao espojadouro de lama.” II Ped, 2; 22

O Senhor, quando lavou os pés dos discípulos, disse que deveriam, eles, lavar uns aos outros. Claro que, num sentido espiritual de corrigir, advertir, exortar, afinal, estavam em pé de igualdade; se, alguém quisesse ser o maior, deveria se fazer menor ainda.

Todavia, o Papa Francisco disse que todas as religiões são boas, mesmo os ateus “temem a Deus” quando fazem o bem. Assim, estão todos limpos, pra quê água ainda? Se é mesmo sucessor de Pedro, como pretende, deveria atentar ao que o Senhor falou àquele: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo”.

O Senhor nunca pretendeu vistas grossas ante a sujeira, antes, que cada um, aprofunde suas escolhas, sejam virtuosas, sejam, viciosas; “Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo, suje-se ainda; quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.” Apoc 22; 11

Sem santificação ninguém verá a Deus. Ele define o que é santo. Podemos até “decretar” que escórias e prata são a mesma coisa, mas, O Eterno tem métodos próprios de refino. “As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes.” Sal 12; 6

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A culpa deles; a culpa nossa

“Então falou o copeiro-mor a Faraó: Das minhas ofensas me lembro hoje... Estava conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda; contamos-lhe nossos sonhos e ele interpretou... como ele nos interpretou, aconteceu; a mim me foi restituído o cargo; ele foi enforcado.” Gên 41; 9, 12 e 13

O contexto era a necessidade de um homem hábil para interpretar sonhos, na corte de Faraó. Verificada a ausência, o copeiro lembrou, enfim, de José.

Não me aterei à sua saga, por ora, antes, a uma faceta especial que dela assoma: Que, quando Deus quer exaltar algo, ou, alguém, o torna necessário. Era Seu plano fazer assim com José. Igualmente, com Mardoqueu, no Reino de Assuero; Deus o fez necessário para descobrir uma conspiração contra o Rei, para exaltá-lo oportunamente. Ver, livro de Ester.

Durante o ministério de Elias, Israel estava tomada pelo baalismo; culto a Baal, do qual diziam vir a fertilidade, as chuvas. Então, o profeta do Senhor disse em Seu Nome, que chuva não mais haveria, senão, segundo Sua Palavra. A seca durou três anos e meio.

Deus não estava tentando demonstrar o valor da água, coisa que todos sabem, mas, que Baal não passava de um fantoche humano, e Ele, apenas, é Deus, que preside sobre tudo o que criou. A carência era de luz, quanto a isso; o santo os entregou às trevas, para que soubessem valorizá-la.

Se, O Eterno domina a essência das coisas, seu valor em si, o mesmo não se dá conosco. Nossa insipiência nos faz tributários de certo utilitarismo, para, enfim, detectarmos o ser. “A necessidade determina o valor”, como dizia Platão. Sendo assim, o Pai carece desse doída didática, para abrir nossos olhos.

Proferindo Suas bênçãos no Sermão do Monte, O Salvador, entre outras coisas, disse: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça; porque eles serão fartos.” Ora, fome e sede, outra coisa não são, senão, duras necessidades.

Se, meu raciocínio procede, Deus permite grandes injustiças, para potencializar o valor excelso da justiça. Aliás, não é essa afirmação uma foto vívida do Calvário? Da maior de todas as injustiças, o testemunho da Majestosa Justiça Divina? “A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus.” Sal  85; 11

Embora alguns papagaios repitam alhures que religião e política não se discute, Deus promete abençoar toda uma nação, onde Seu povo se portar com fidelidade. Ainda que minoritário esse plantel, transmitiria suas bênçãos aos infiéis, como diz em Jó. “livrará até ao que não é inocente; porque será libertado pela pureza das tuas mãos.” Jó 22 ; 30

Entretanto, onde a verdade não é abraçada com amor, invés do mesquinho interesse, Deus permite que essa falte, para que, quem sabe, alguns aprendam seu valor. 

Paulo ensina que o desprezo à verdade conduzirá, enfim, a humanidade ao domínio do expoente mor da injustiça: “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, sinais e prodígios de mentira, com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. Por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes, tiveram prazer na iniquidade.” II Tess 2; 9 a 12

Onde quero chegar, enfim? À vergonhosa conclusão que a humilhante situação que se encontra nosso país é por nossa culpa, da igreja, digo.

Invés de uma geração de santos, cujas virtudes cobririam até certas faltas alheias, via intercessão, temos um amontoado de mercenários, cujo “Sal” tem sido  tempero fácil de escarnecedores e humoristas.

É uma horda de “artistas góspeis” que fazem “shows” com onerosos cachês, invés de humildes adoradores. Um fogueira de vaidades para ver quem tem o templo mais pomposo, como se fosse esse o alvo, não os Templos do Espírito, as almas.

Então, se podemos, no âmbito da igreja, cultuarmos a safadeza, a mesquinhez, os interesses vis invés da santidade, verdade, do amor, por quê, não pode, O Soberano, fazer com que sejamos, na política, governados pelos mesmo “valores” que esposamos em nosso “cristianismo”?

A maioria dos que se dizem cristãos, sequer, autoridade moral têm, para criticar aos grandes corruptos da vez; pois, o são também. Autoridade moral, espiritual, é um perfume fino que não se deposita em recipientes sujos.


Temo que, a faceta mais dolorosa do Juízo Divino, ainda não incidiu sobre nós, a coisa vai piorar. Não que os corruptos sejam inocentes; são o deserto de justiça que temos feito por merecer. 

Como a carne sem sal apodrece, uma nação sem os valores de Deus. E faz tempo que a “igreja” escolheu outros valore$...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Em Braille, a Leonardo Boff

Acabo de ler um texto de Leonardo Boff “analisando” as razões do ódio ao PT. Segundo ele, elites dominantes manipulam a imprensa, pois, não aceitam a revolução que se fez, colocando a classe dos pobres no poder. Quando foi que ouvi algo assim?

Mas, voltando, disse que houve uma ruptura histórica; as tais elites dominaram desde sempre; agora, o PT virou o jogo, tornando-se alvo do ódio daqueles preteridos nos escalões do Poder. Fez ressalvas tênues, quanto à corrupção no “Mensalão” e “Petrolão” dizendo que não concorda com os feitos de alguns que estão envolvidos, mas, que nos municípios, na base, o PT é sadio, exemplar.

Vamos por partes: Para 70% da população que deprecia o Governo atual, a oposição é fraca demais, quase inexistente, e a imprensa, salvas raríssimas exceções, é vendida veiculando apenas o que interessa à “Casa Grande”.
Então, se a imprensa está conspirando contra o PT, esqueceram de combinar com ela. Ademais, elite, por sua natureza, trata sempre de uma minoria; porém, são dois terços da população que estão indignados, que “elite” mais vasta!! Ah, mas esse povo é massa de manobra, foi manipulado pela imprensa, golpista, sei...

Não fosse a imprensa alternativa, as redes sociais, e estaríamos no mato sem cachorro, dada a “marronzice” da maioria de “la prensa”. Contudo, se os grandes são corruptos, como até ele admite, mas, na base a coisa é boa, como faremos?

Poderíamos cortar a cabeça do PT, como faz o Estado Islâmico, mas, será que o corpo sobreviveria? Caso se desse tal milagre, como se poria freios nessa Mula-sem-cabeça?

Ora, todos os que chegaram ao topo vieram da base, não é essa sua glória? Mas, como enriqueceram também, via pixuleco, terão sido absorvidos pela dita “Elite dominante”, e precisam ser descartados para que novos pobres cheguem ao poder? Meu cavalo pensa que não; que os lobos são iguais, a quantidade de ovelhas que cada um pode matar é diferente.

Crescendo os da base, imitarão aos líderes, os quais, defendem com unhas e dentes. Ademais, o que há de mais podre no coronelismo elitista desde sempre, Barbalhos, Sarneys, Renans, Temers, Malufs, et caterva, sempre foram aliados do PT, não, destronados com a ascensão daquele.

Poderia o ilustre Filósofo dar nomes aos bois? Quem são os expoentes da Elite da “Direita conspiradora” que incita o ódio ao PT? Um nomezinho, um boi só. Sequer oposição temos, um amontoado de fracos sobre os quais o PT deita e rola desde que chegou ao poder.
Quais as razões do ódio ao PT, então? Bem, filósofo é ele, sou apenas um construtor, logo, não sei.

Mas, há um método de escrita, Braille, que propicia “visão” aos cegos. Como tudo o que saltita diuturna e noturnamente, ( em Dilmês ) não basta, acho que alguns estão cegos; então, vamos tentar essa escrita?

Já lhe ocorreu, Senhor Boff, que a irrelevância enseja desprezo apenas, e ódio nasce da revolta por se sentir Traído?

Que, as fabulosas promessas de campanha as quais, não seriam revistas “nem que a vaca tussa” sendo “cumpridas” ao avesso caracterizam traição de uma nação?

Que, apesar do lixo moral que se potencializou ao cubo, nos últimos anos, alguns ainda cultivam bons valores?

Que, não obstante o direito à liberdade individual, nem todos são favoráveis à descriminação das drogas?

Que, para muitos, vida ainda em início de gestação é já uma vida com dignidade e todos os direitos decorrentes, de modo que abominam ao aborto?

Que, embora seja admissível a plena liberdade sexual de cada um, a família tradicional ainda é ampla maioria, e, incentivar a “desconstrução” disso, fere valores, crenças, suscetibilidades, afronta a muitos?

Que, assistir a portentosa corrupção descendo mais volumosa e destruidora que a represa de Mariana, concomitante ao aumento da gasolina, energia, e demais coisas necessárias para “patrocinar” ao roubo, tira qualquer um do sério, exceto um completo imbecil, sangue de barata?

Que, ter visto os Petralhas combativos pedindo os impeachments de Collor, FHC, Sarney, em nome da “democracia” a bradando que é golpe contra Dilma, plasma uma imagem de abjeção, vilania, desonestidade intelectual e moral sem precedentes?

E o senhor vem com suas elucubrações doentias, mentecaptas, tentando culpar a minissaia pelo feito do estuprador? O senhor é doente, mal intencionado, ou só um imbecil com pose de intelectual?

Já votei no PT, com seu discurso bonito da “Inclusão social” da “ética na política”. Pelas razões supra alistadas, bem podes ver quanto me sinto traído. Não odeio o PT, em si, antes, o que representa.

Todo homem decente, aliás, deveria abominar à corrupção; o PT está de tal forma amalgamado com ela, que não dá pra leva-la à cadeira elétrica sem eletrocutá-lo junto. Necessário, assim.

Embalagens feias

“Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios, andam com falsidade, fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, os seus moradores como Gomorra.” Jr 23; 14

Interessante essa “qualidade” dos falsos profetas, denunciada por Jeremias; “... fortalecem as mãos dos malfeitores...” Vemos aqui uma faceta do poder das palavras a serviço do mal. Sim, profetas usam palavras. O “fortalecem as mãos dos malfeitores” é uma metáfora que significa: Corroboram as más escolhas, confirmam, fazem-nas, parecer boas.

A Palavra não diz que criam a maldade, antes, fortalecem. Ela está já no coração humano; o mesmo Jeremias denunciara: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” cap 17; 9

Vejamos alguns detalhes de seu modo de agir: “Dizem continuamente aos que me desprezam: O Senhor disse: Paz tereis; a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós.” V 17 Faziam parecer que, os desprezadores do Eterno, de corações duros, estavam em paz com Ele.

A questão sempre foi um conflito entre verdade e mentira, não, entre, algo ser bom ou mau. Paz é uma coisa boa, claro! Mas, quando existe apenas o rótulo sem o produto, esse bem é pervertido, torna-se mal; mentira.

Jeremias, ainda: “Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade. E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.” Cap 6; 13 e 14

Assim, embora os profetas possam ver nuances do futuro quando Deus quer, seu ofício mas importante é conhecer o Caráter de Deus, e denunciar os desvios dos que pretendem pertencer a Ele. “Não mandei esses profetas, contudo foram correndo; não lhes falei, contudo, profetizaram. Mas, se tivessem estado no meu conselho, então, teriam feito meu povo ouvir as minhas palavras; o teriam feito voltar do seu mau caminho, da maldade das suas ações.” Vs 21 e 22

Vemos aqui que seu labor era, antes, de aferidores morais, que, adivinhadores do futuro. Falar a Palavra e instar as pessoas a reverem seus caminhos segundo Deus; eis, o labor sadio de um profeta!

Embora, após o advento de Cristo e Sua majestosa Vitória, seja possível a comunhão de cada um com Deus, sem carecer intermediários, a imensa maioria depende do ouve, não, do que está escrito. Não investigam. O missionário fulano, o bispo sicrano, o apóstolo beltrano disse, tomam como verdade. Dada essa dependência preguiçosa, quase suicida, a idoneidade do profeta torna-se mais que necessária, vital.

A “ungidolatria” que grassa deriva da ignorância de uma geração a imaginar que, abençoar seja prerrogativa humana. Não é. No sentido de orar, desejar o bem até aos inimigos, sim; mas, estritamente falando, apenas Deus pode abençoar, coisa que, até o mercenário do Balaão sabia; disse: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? Como denunciarei, quando o Senhor não denuncia?... Eis que recebi mandado de abençoar; pois, ele tem abençoado, eu não posso revogar.” Num 23, 8 e 20

Então, essa doença de pensar que o “ungido” é um Midas da mitologia grega, o qual, tudo o que tocava transformava em ouro, tem feito a fortuna de salafrários, e perdição de muitos incautos. Quando o ministro não tem caráter, não honra a Deus em seu ministério, o que toca vira bosta, vira maldição.

Deixemos O Santo falar: “Se não ouvirdes, e não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração.” Mal 2; 2

Ninguém pode honrar ao Nome de Deus, senão, nos Seus termos, segundo Sua Palavra. Assim, além de viver os preceitos, deve, o profeta, ensinar retamente, por antipático, desmancha-prazeres, que pareça. Não é para dar prazer, antes, ser medicinal. “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos.” Mal 2; 7

Assim, embora não acho pecado aplaudir, desconfio de profetas cujas mensagens colhem aplausos. Um pecador ante um profeta veraz deve sentir ameaça de morte, não identificação aprazível. Tal ameaça é a bênção de Deus, mediante seu servo, visando a preservação do bem maior, a vida.

Em suma, os que fortalecem às mãos dos maus ouvem aplausos mais fortes, óbvio; os que falam segundo Deus, têm mais chance de ser vaiados. Mas, suas soturnas mensagens são embalagens feias, contendo a valiosa pérola da Vida Eterna.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Pau que nasce torto pode renascer

“Atentei para todas as obras que se faz debaixo do sol, tudo era vaidade e aflição de espírito. Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular.” Ecl 1; 14 e 15

Devemos ler o Eclesiastes como ele se propõe; um compêndio de reflexões filosóficas de um homem que foi feito sábio, por Deus, Salomão. Contudo, não é a “Palavra de Deus” estritamente.

Quero dizer: Quando um profeta falava em Nome do Santo dizia: “Assim diz o Senhor!” Ou, se o evento fosse narrado “à posteriori”, quiçá, por terceiros, “Veio a ele a Palavra do Senhor...” etc. Em suma, o anúncio subsequente requeria o status de Palavra de Deus.

Contudo, o livro em apreço se introduz pretendendo ser mera reflexão humana, dado que sábia; sua inserção nas Escrituras, certamente é inspirada; ainda assim, restringia-se a uma visão, “debaixo do céu”. “Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. Apliquei meu coração a esquadrinhar, a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.” Vs 12 e 13

Vemos que o sábio começa seus escritos como frutos de reflexões pessoais, não de revelação; no fim, meio que se desculpando por sua insipiência remete os pleitos mais difíceis a um Tribunal Superior, diz: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, guarda seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, até o que está encoberto, quer seja bom, quer, mau.” Cap 12; vs 13 e 14

Assim, quando postula “inverdades” tipo: “Os mortos não sabem coisa alguma” ou, “aquilo que é torto não se pode endireitar” como acima, refere-se às coisas vistas de um mirante humano. Afinal se após nossa passagem, nada mais sabem os mortos, ou, durante ela, os “tortos” não têm conserto, no primeiro caso, o inferno não faria sentido; no segundo, a Obra de Cristo também não.

Quando se diz: “Pau que nasce torto morre torto”, é vero, se, levado ao pé da letra; digo, analisando a evolução de uma árvore mesmo. Contudo, como metáfora atinente ao caráter humano, não se firma, pois, o Salvador veio fazer precisamente isso. “Não vim chamar os justos, ( retos ) – disse – antes, os pecadores.” ( tortos )

Vaticinando a vinda do Seu precursor, João Batista, a “Voz que clama no deserto”, Isaías, adiantou parte de sua mensagem, dizendo: “Todo o vale será exaltado, todo o monte e outeiro serão abatidos; o que é torcido se endireitará, o que é áspero se aplainará.” Is 40; 4 O mesmo Salomão dissera, aliás: “Tira da prata as escórias, sairá vaso para o fundidor” Prov 25; 4

Os que adotam comportamento homossexual, por exemplo, usam em sua defesa o argumento que “nasceram assim”; portanto, teriam direito de assim permanecer. Contudo, a vida sexual começa aflorar na juventude, não na idade infante e um jovem é já apto a fazer escolhas. Todos nascemos inclinados ao pecado, o que pode diferir é a manifestação; assim é, a natureza caída que a Bíblia chama “carne”; vejamos: “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas, os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas, a do Espírito, vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois, não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, pode ser.” Rom 8; 5 a 7

Essa “ambiguidade” de inclinações, contudo, só é possível aos que “nasceram de novo”. “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” Jo 6; 63 Assim, os que são vivificados Em Cristo, Pelo Seu Espírito, passam a ter possibilidade de escolha, entre agir segundo o Espírito, ou, segundo a carne. Os demais estão espiritualmente mortos, malgrado, sua existência natural; nesse caso se aplica a sentença aquela: “Os mortos não sabem coisa nenhuma.”

Embora os feitos humanos no mundo material possam ser portentosos, no prisma espiritual a humanidade sem Deus habita sepulcros. O Senhor nos mencionou como mortos que podem ouvir; “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.” Jo 5; 25

Em suma: Em Cristo a retidão é possível; sem ela, o Céu é inatingível. “Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá.” Sal 101; 6

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Votos em branco

“O mal perseguirá os pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem” Prov13; 21

Dada essa sentença é lícito concluir que, os maus são fugitivos, enquanto os justos, esperançosos. Há uma “mesma moeda” no encalço de cada um. É necessária ao arbítrio a consequência. Noutras palavras: Somos livres para escolher, não para determinar o resultado das escolhas. Essa pasta não nos pertence.Assim, se miramos determinadas coisas, o que podemos, é buscar suas causas, se, o bom siso ocupa espaço em nós.

Grosso modo somos superficiais, inconsequentes nas palavras e ações. Basta-nos um verniz nobre pintando uma estátua vil. Não buscamos a nobreza; a “pintura” é o alvo.

No meio evangélico, dizemos ser, “servos de Deus”; contudo, quantos oram “determinando, decretando, ordenando” algo. Onde um servo tem permissão pra fazer isso? Ou, chamamos a vida eclesiástica e ministerial de “Obra de Deus”; mas, qualquer nuance que, eventualmente, fira meus gostos, visão, anseios, presto me revolto, decido sair da igreja, como se, obra fosse sinônimo de lazer, invés de, trabalho.

As palavras ocas da moda são o surrado “Feliz Natal!” Que mal há nisso? Nenhum. O problema é que acenamos com um “produto acabado”, de plástico, invés de dar sementes vivas.

O Salvador também desejou que fôssemos felizes, contudo, não embalou a felicidade em vistoso papel e nos deu de bandeja; deu sementes, e condições favoráveis ao “cultivo”. Enquanto nosso Feliz desejo é vasto, incondicional, abrangendo todos os caracteres, mesmo, a total falta de caráter, o Dele é preciso, sóbrio, pontual, condicional.

Ouçamos: “Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;” Mat 5; 3 O que é um pobre, senão, carente, que tem necessidades? Quem reconhece sua carência de Deus, há de ser humilde para busca-lo; dado que não será jornada prazerosa, há adversidades, o resultado final será feliz.

“Felizes os que choram, porque eles serão consolados;” v 4 Uma vez que atrairá o consolo de Deus, forçoso é concluir que as razões do choro são motivos justos; “tristeza segundo Deus”, como ensina Paulo. O mero choro por deleites malsãos não conta com a empatia Divina.

Felizes os mansos, porque eles herdarão a terra;” v 5 Não sem razão, os servos de Deus são chamados, ovelhas, símbolo da docilidade, mansidão. Assim, embora possam ser leões em combates espirituais, no âmbito humano não devem fazer uso da violência, jamais.

“Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;” v 6 Padecer fome e sede assim se faz necessário dado o que o mundo se tornou após a queda; mas, a fartura é prometida para o além, após vencermos a peregrinação. Aqui nos esperam aflições, combates.

“Felizes os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;” v 7 A misericórdia, diverso do egoísmo, ocupa-se da dor alheia, invés da sua. Quem fizer isso em relação ao próximo, receberá multiplicado da parte do Senhor.

“Felizes os limpos de coração, porque eles verão a Deus;” v 8 Aqui podemos contemplar a diferença entre “verniz” e essência. É fácil parecer limpo superficialmente, via encenação, mas, para Deus só vale a limpeza interior, os motivos e as ações retas.

“Felizes os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;” v 9 Uma distinção: Pacifistas são meros filósofos da paz; pacíficos, gente que tenta viver em paz; pacificador é um promotor da paz; entra num ambiente onde ela falta, arrisca-se na busca desse valioso bem. O maior feito nessa área é o dos que laboram pela reconciliação dos pecadores com Deus, embora valha muito, a pacificação entre iguais.

"Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;” v 10 Notemos que tais venturosos são perseguidos “por causa” da justiça, não, pela justiça. O fato de serem justos num mundo que cultua a injustiça é que os indispõe com o sistema.

Como vimos, o “Feliz Natal” do Senhor é um pouco mais difícil que o que se apregoa por aí. Contudo, tendemos ao conforto preguiçoso do lugar comum, invés da busca esforçada por uma mecha de saber. Não queremos ser sábios; queremos nos sentir alegres.

Só que essa “alegria” que não se incomoda com o fantoche que faz tudo para ocultar Aquele que sofreu dores inauditas e ignomínia para nos possibilitar a felicidade, ( cultua ao fantoche aliás ) no fundo é maldade, indiferença ao Amor de Deus.

Se, nas circunstâncias, foi nobre, a orquestra afundar tocando, no Titanc, é estúpido rumar ao inferno dançando, desprezando o Salva-vidas no qual se finge embarcar.

Para viver com esperança não carecemos felizes, votos, antes, sábias escolhas. Mas, se eu desejar isso, não agrado; melhor que cada um deseje a si mesmo, e vá em busca...

domingo, 20 de dezembro de 2015

Quem é intolerante?

“Porque, assim como o corpo é um, tendo muitos membros, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, gregos, servos, quer livres, todos temos bebido de um Espírito.” I Cor 12; 12 e 13

Esse aspecto, a unidade, embora, expresso na Palavra, nem sempre, é devidamente compreendido. Muitos convertem a ideia de unidade em união, como se fossem, ambas, a mesma coisa.

Ora, unidade, aprendemos em matemática, é a menor quantidade possível dos números inteiros; é ímpar. União é um aglomerado múltiplo, indefinido numericamente.

Se, a unidade do “Corpo de Cristo” a Igreja, é múltipla, o é, à medida que, agrega uma imensa gama de membros; contudo, o liame que a faz é de coisas ímpares também, ouçamos; “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo, um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus, Pai de todos, o qual é sobre todos, por todos e em todos vós. Mas, a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.” Ef 4; 3 a 7  Uma vez mais, unidade do Corpo, e diversidade de membros, na medida da Graça de Cristo.

Então, é balela essa história que todas as religiões são boas, todos os caminhos levam a Deus; e, mortal o alvo final dessa filosofia, o ecumenismo. Isso, seria, mero acordo político onde, os diferentes concedem-se mutuamente o direito de seguirem sendo o que são, sob o pacto comum que, todos concordam em não discordar.

Chamam tolerância, uma ova! Convivemos com qualquer tipo de crença, mesmo, a descrença do ateísmo; não seremos violentos, agressivos, deseducados com eles, por que, espiritualmente são diferentes. Mas, concordar com o que defendem significaria a anulação de nossa fé; somos  tolerantes, não, suicidas.

Cremos que a Vida Eterna se encontra conforme as diretrizes da Palavra, qualquer concessão a outra crença que a afronte, é-nos um risco mortal. Embora o amor de Jesus busque a todos, a salvação é restritiva, seletiva; mostra sua eficácia apenas aos que tomam a cruz; seguem Cristo em Seus termos, não, tentando pacificar diferenças mediante arranjos humanos.

Vimos que “há um só Senhor”; Assim sendo, só faz parte da unidade do Corpo, quem o reconhece e obedece, não quem cria alternativas profanas, como se, a Deus interessasse mais, quantidade, que, qualidade. Se, Seu amor é inclusivo, busca “toda criatura”, seu juízo é seletivo; só uma resposta objetiva tal, que nos coloque sob o signo de “fiéis” interessa. “Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; quem anda num caminho reto, esse, me servirá.” Sal 101; 6

Entretanto, está na moda perverter o sentido das palavras; rejeitar comportamentos imorais é “preconceito”; Crer incondicionalmente na Palavra de Deus é “Radicalismo, fundamentalismo”; denunciar desvios doutrinários de outras crenças, “intolerância”; assim, não vai longe, rejeitar ao arranjo humano do ecumenismo, será tachado de “ódio contra humanidade”, ou, coisa que o valha.

Em momento algum o Salvador tencionou, tampouco, prometeu unir pessoas, antes, comparou Sua doutrina com uma espada, e ampliou: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, antes, dissensão; porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, o filho contra o pai; a mãe contra a filha, a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, a nora contra sua sogra.” Luc 12; 51 a 53

Muitos idolatram ao Papa Francisco que é um conciliador bajulando a todas as religiões da Terra buscando união. Concedo que seja competente nisso, mas, não que essa seja a Vontade do Senhor. O Senhor levanta profetas, não políticos, e profeta não é uma cana agitada pelo vento, antes, adversário do sistema que se opõe a Deus.

Atentemos pra chamada de Jeremias: “Porque, eis que hoje te ponho por cidade forte, por coluna de ferro, muros de bronze, contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra seus príncipes, contra seus sacerdotes, e contra o povo da terra. Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar.” Jr 1; 18 e 19 Sete vezes, a palavra “Contra”. Que intolerância!!


Já que a Vida Eterna é dom de Deus, reservou para Si o direito de dar a quem quiser, nos termos que quiser; Em Cristo, na Unidade; sem Ele, por pomposa que seja a “união”, não passa de motim. Em suma, antes de nos acusarem de intolerantes perguntem-se, por que não conseguem tolerar à verdade?