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domingo, 10 de dezembro de 2017

O Silêncio tem algo a dizer

“O coração do justo medita no que há de responder, mas, a boca dos ímpios jorra coisas más.” Prov 15;28

O justo e o ímpio. Dois tempos de reação; um espera, medita; outro, imediato. Duas fontes; o que medita pede assessoria ao coração; ao apressado basta ter boca.

Quem já sofreu incisões de palavras más, pelas próprias dores aprendeu a parcimônia no uso da fala, pois, teme causar males também. Todavia, o tagarela sem escrúpulos, sem valores está habituado a fazer das palavras a camuflagem do que pensa deveras, ou, apenas supre o lapso da incapacidade de meditar, com a frivolidade de falar sem sentido.

A síntese é que, desgraçadamente, quem mais tem o que dizer, geralmente é grave, moderado, quando não, cala. Por outro lado, os tolos, os imbecis, justo pela falta de noção que lhes é peculiar e os faz sábios aos próprios olhos, se esforçam em mostrar sua “sabedoria”, quando, calar seria o melhor.

Adiante Salomão reflete sobre isso outra vez; “O que possui conhecimento guarda suas palavras; o homem de entendimento é de precioso espírito. Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; o que cerra os seus lábios é tido por entendido.” Cap 17;27 e 28

Depois, chega às razões da tagarelice do estulto; “O tolo não tem prazer na sabedoria, mas, só em que se manifeste aquilo que agrada seu coração.” Cap 18;2 Seus motivos nada têm com o intelecto, a sabedoria; antes, são instintivos, emocionais; como é próprio dos tolos, aquilo que os alegra supõem que fará a alegria de outro também; pois, sua “sabedoria” não consegue imaginar que outros sejam diferentes deles.

Desse calibre muitos vizinhos sem noção, que se alegram ouvindo nojeiras de péssimo gosto que chamam de música, e colocam em alto volume, estupram nossos ouvidos destreinados para aquilo, pois, estando tão felizes no lixo supõem que devem compartilhar com a gente também. Desse modo, sua intenção não é má; a falta de noção, sim.

Um provérbio hindu ao qual recorro às vezes diz: “Quando falares cuida para que as tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio”. Mesmo que o falar seja verdadeiro, até, sábio; pode que não seja oportuno, como viu O Senhor sobre a capacidade dos discípulos de ouvirem, então, sobre agruras porvir; “Ainda tenho muito que vos dizer, mas, vós não podeis suportar agora.” Jo 16;12

Esse erro, aliás, de não considerar a repercussão das palavras do outro lado, o excesso de boca sem coração cometeram os amigos de Jó; dada a grandeza da desolação, mesmo não a podendo entender resolveram achar motivos “racionais” para aquilo tudo, e se tornaram um peso, invés de uma ajuda ao infeliz. Então, ele suspirou: “Vós, porém, sois inventores de mentiras; vós todos, médicos que não valem nada. Quem dera que vos calásseis de todo, pois, isso seria vossa sabedoria.” Jó 13;4 e 5

Para a percepção de Jó, um caso tão doloroso seria digno de compaixão mesmo que ele estivesse alienado de Deus, como o acusavam; “Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso.” Cap 6;14

Adiante expôs a razão da sua expectativa frustrada no tocante a eles; “Falaria eu também como vós falais, se a vossa alma estivesse em lugar da minha? Ou, amontoaria palavras contra vós e menearia contra vós a minha cabeça? Antes, vos fortaleceria com a minha boca; a consolação dos meus lábios abrandaria vossa dor.” Cap 16;4 e 5

Um sábio que temia a Deus como ele, assediado por paroleiros sem misericórdia nem entendimento era, como se diz alhures, gatos mijando em cachorro.

Ainda é preferível o silêncio quando, falar, não “infrói nem diminói”, e, em nada vai alterar a situação, pelo menos, para melhor. O Senhor preso foi enviado a Herodes, o vice-treco da sub-coisa; não apitava nada, mas, queria se divertir demandando de Jesus algum prodígio; nenhuma palavra. Como se diz, o silêncio também é uma resposta. Porém, bem mais eloquente que as palavras, dado que, diverso delas, consegue expressar o inexprimível.

“Quando palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar.” Eduardo Galeano

Claro que há momentos em que silenciar é covardia, omissão; devemos mesmo “botar a boca no trombone”.

Então, antes que alguém conclua que esse escrito é uma apologia do silêncio, ressalvo que, defendo apenas o falar com senso de ocasião, proveito, empatia. Como disse alguém: “É melhor ficar calado mesmo que todos pensem que você é um idiota, que, abrir a boca e lhes dar certeza.”

Ou, como sentenciou o mesmo Salomão: “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” Prov 25;11

sábado, 9 de dezembro de 2017

Deus está com fome

“De manhã (Jesus) voltando para a cidade, teve fome.” Mat 21;18

O Senhor tinha dupla natureza; por esvaziamento da Sua Glória, fez-se semelhante a nós; contudo, “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” disse; também É Deus; sem O Qual, “nada do que foi feito se fez.”

Assim, em sua forma humana sofreu as mesmas necessidades e tentações que nós. Seu corpo, como o nosso, de tempo em tempo sentia fome. Porém, em seu aspecto Divino tinha fome de quê? Ou, noutras palavras, Deus tem fome de quê?

Quando Ele fala: “Tive fome e me deste de comer...” atina a Sua identificação com os desvalidos, não, Sua fome estritamente.

Os nossos manjares, parece que não lhes interessam nenhum pouco; “Se eu tivesse fome, não te diria, pois, meu é o mundo e toda sua plenitude. Comerei carne de touros? ou beberei sangue de bodes?” Sal 50;12 e 13 A resposta óbvia é não.

Quando os discípulos foram à cidade em busca de suprimento para as demandas do corpo, na volta flagram ao Mestre se alimentando na dimensão espiritual; “...seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis... Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? Jesus disse-lhes: Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, realizar sua obra.” Jo 4;31 a 34

No mesmo contexto em que disse não comer carne de touros ou, sangue de bodes, O Eterno falou: “Oferece a Deus sacrifício de louvor, paga ao Altíssimo os teus votos. Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.” Sal 50;14 e 15

Todavia, isso pode ser entendido de maneira superficial, como se, meros votos, ofertas, alguns louvores da boca pra fora bastassem para alegrar Aquele que sonda os corações e conhece o oculto. Antes de aceitar nossas oferendas precisa aceitar nossas pessoas, como diz adiante: “Aquele que oferece sacrifício de louvor me glorificará; e àquele que bem ordena seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus.” V 23

Qual seria o critério aceitável diante Dele para bem ordenarmos nossos caminhos? Essa pergunta já foi feita e respondida; “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme tua palavra. Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.” Sal 119;9 a 11

Afinal, a Glória que O Santo busca não é a expressão verbal, “Glória a Deus” como devaneiam alguns; antes, a expressão do Seu Ser, em nosso agir; para espanto e iluminação daqueles que ainda não O conhecem; “Não se acende a candeia e coloca debaixo do alqueire, mas, no velador; dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está nos céus.” Mat 5;15 e 16

Jesus chamou os Seus a “ser” testemunhas Dele, não, a apenas ter um testemunho para contar. Isso demanda uma transformação tal que nossa antiga maneira de viver desaparece, pois, “...se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo.” II Cor 5;17

Se, a fé vem pelo ouvir, o testemunho veraz é ainda mais eloquente; salta aos olhos; “...muitos verão, temerão e confiarão no Senhor.” Sal 40;3

Então, agradaremos a Deus, na dimensão espiritual, na exata medida que sentirmos em nós, a fome e a sede que Ele Sente; “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;” Mat 5;6

O mundo vive sua síndrome de Nicodemos; O Senhor falou em “nascer de novo” ele cogitou entrar de volta no ventre materno, levou ao pé da letra. Assim, Jesus veio com A Luz do Mundo; Capacitou o entendimento espiritual da essência das coisas; Sua Doutrina; porém, o mundo dá as costas a isso, colocando um fantoche em Seu Lugar para que O Senhor seja esquecido. Faz diuturnamente sua homenagem às trevas nas má obras que abraça e reveste esplendorosamente às fachadas e praças de luzes que espiritualmente servem para distrair, invés de iluminar.

O hipócrita “feliz natal” é banal, sem Cristo; o sujeito manda um cartão assim para sua amante; os corruptos igualmente o fazem, para suas vítimas; os devassos o desejam aos colegas de devassidão; somos maus o ano todo, mas, nesse tempo anexamos à maldade costumeira o verniz religioso na pretensão de lavar almas encardidas de pecados, (o que demanda o Sangue Santo e arrependimento) dando migalhas.

Certamente essa excitação hipócrita aumenta a fome de Deus: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas, justiça, paz, e alegria no Espírito Santo.” Rom 14;17

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Jeito Divino de Abençoar

“Os (membros) que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; os que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas, Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela;” I Cor 12;23 e 24

Eis a Divina justiça e Sua parcimônia em abençoar conforme as carências, não, os desejos! Totalmente na contramão do mundo que costuma cobrir de ouro que já possui mais que o necessário e deixar padecer na miséria os desvalidos.

Certa vez lembro-me de ter ouvido uma conversa de passagem diante de um bar; “-Fulano acertou no bicho; na cabeça. – Eita, o diabo caga sempre no monte maior!” Tive que rir. Isso, porque o sujeito que acertara era um endinheirado, não precisava. Pois, que o Capiroto faça o que quiser do seu estrume, mas, estamos meditando na Bondade Sábia de Deus.

Antes que algum canhoto pense que estou falando de sistemas políticos lembro: Os “socialistas” onde dominaram, apenas mudaram a opressão e a riqueza, dos capitalistas para os próceres do partido e os miseráveis seguiram como eram, e com menos direitos, liberdades; portanto, desprezo-os por sua injustiça e hipocrisia; estou falando é do egoísmo mesmo.

Os que ganham pouco mais de um salário mínimo pagam por uma casa financiada durante mais de 20 anos; os que ganham salários acima de 30 mil por mês recebem “auxílio moradia” superior a quatro mil reais mensais, por exemplo. Um cidadão comum se quiser comparecer a determinado evento arcará com transporte, estadia, ingresso; um famoso e endinheirado receberá “cachê” para comparecer, pois, sua presença “promove” ao dito evento. Isso do jeito de “abençoar” do mundo, em oposição ao modo Divino que supre onde falta, invés de desperdiçar onde sobra.

Ninguém maior em honra na Igreja primitiva que os apóstolos; entretanto, “... Deus a nós, apóstolos pôs por últimos, como condenados à morte; pois, somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, vós, sábios em Cristo; nós fracos, vós, fortes; vós, ilustres, nós, vis.” I Cor 4;9 e 10

Os “apóstolos” do ar condicionado atuais e muitas “estrelas” góspeis deveriam refletir sobre isso antes de fazer suas listas de exigências de super stars do mundo para darem seus “Shows”.

Paulo aprendeu que o Poder Divino se aperfeiçoa na fraqueza; mesmo seu incômodo “espinho na carne” não foi removido. Disse mais: “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; Deus escolheu as coisas vis deste mundo, as desprezíveis, as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.” I Cor 1;27 a 29

A Bíblia ensina que não sabemos orar como convém. Quando Deus “apareceu” em sonho a Salomão e franqueou: “Pede-me o que queres”. O Rei invés de pedir vingança contra inimigos, ou, tesouros terrenos pediu sabedoria para reinar; noutras palavras: invés de pedir facilidades na vida pediu ferramentas para trabalhar.

Isso agradou tanto ao Eterno que fez mui além do pedido. “Porquanto pediste isso, não pediste para ti muitos dias, nem pediste para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos; mas, pediste para ti entendimento, para discernires o que é justo; eis que fiz segundo tuas palavras; eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti igual não houve e depois de ti igual não se levantará. Também até o que não pediste te dei, assim riquezas como glória; de modo que não haverá um igual entre os reis, por todos os teus dias.” I Re 2;11 a 13

A maioria da geração atual, não apenas não sabe o quê, pedir, como, sequer, pede; ela faz “melhor”; “Ordena, determina, decreta” a “Bênção de Deus”.

Natural que nos inquietemos por coisas que supomos necessitar; porém, se Deus demora em nos dá-las, certamente está cuidando de outras que, aos Seus Olhos necessitamos mais, ou, primeiro. Daí, “Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele e tudo Ele fará.” O “tudo” que interessa no tocante aos Seus não inclui fama, riquezas terrenas, antes, atina, sobretudo, à justiça; “Ele fará sobressair tua justiça como a luz, e teu juízo como o meio-dia.” Sal 37 5 e 6

Desse modo, quando insto, oro, peço e não recebo o que pedi convém atentar bem para o que recebi oculto atrás desse, não. Como dizia Spurgeon, “Deus nos abençoa muitas vezes cada vez que nos abençoa.”

Minhas petições desnudam apenas meus desejos; a Divina Onisciência conhece minhas necessidades. Obrigado Pai por tantos nãos! Perdoa minhas orações.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Meu bem, meu mal e a besta

“Se estiver embotado o ferro e não se afiar o corte, então, se deve redobrar a força; mas, a sabedoria é excelente para dirigir.” Ecl 10;10

Pensando bem, em alguns momentos me vejo bem pior do que penso; então, urge que eu aprenda pensar melhor. A honestidade moral e intelectual são as lentes da alma que corrigem seu grau de miopia.

Somos mui espontâneos em “assumir” pretensas virtudes, receber elogios; muitos correm em busca disso como um viciado buscando drogas.

Todavia, um garimpeiro a laborar no rio lida com lama, água suja, areia; eventualmente, sua persistência é premiada com algo de valor. Assim somos em nossas almas impuras; mas, dada a vaidade exibimos nossas “pepitas”, apenas, malgrado, tenhamos muita impureza oculta...

Nossa enfermidade é tão “normal” que sequer notamos. Desde que nos foi “legada” a autonomia em relação a Deus, que nós mesmos mensuramos bem e mal ao nosso alvitre, o bem deixou de ser uma coisa derivada de valores e passou a ser fruto de sentimentos, emoções. Assim, aquilo que eu gosto, por insano que seja será meu, “bem”; o que desgosto, não obstante tenha seus méritos, virtudes, será o mal.

Dizem que mente vazia é oficina do Tinhoso; n’outras palavras quem está a esmo tende mais a fazer porcarias que a tomar boas decisões.

Bem, sempre ouvi isso por alto sem me ocupar de pensar a respeito; parecia um dito sábio. Contudo, pensando melhor, se não houver um adjetivo producente ao conteúdo da mente, talvez seja melhor que esteja mesmo baldia.

Como assim? Todos filosofam sobre a superioridade da qualidade ante a quantidade; assim, uma mente cheia de maus intentos, pensamentos viciosos seria melhor que uma vazia? Mudando a figura; seria preferível um vaso cheio de lixo a outro, vazio?

Talvez o que se queira dizer é que o envolvimento em alguma ocupação virtuosa tende a tolher nossa inclinação natural pelo mal; nisso estou de acordo.

Henry Ford dizia: “Pensar é o trabalho mais duro que há; e essa, talvez, seja a razão para que tão poucos se ocupem nele.” Alguns, presto discordarão, pois, acham que maliciar, desejar, maquinar embustes, são sinônimos de pensar. Não senhores! Pensar deveras requer uma alma filosófica que tenta entender as coisas e seus porquês; que abstraia o fenômeno, a aparência e tente tocar o motivo, o alvo.
Dizemos que as aparências enganam, quando o engano é filho de nossa percepção destreinada.

Um exemplo de vero pensar: “Quando penso nas coisas como são, pergunto: por quê? Quando as analiso como não são, questiono: Por que não?” George Bernard Shaw

A geração atual pelo seu espírito praticamente proíbe o livre pensamento. As coisas são devidamente encaixadas em seus moldes “politicamente corretos” e somos patrulhados para não sairmos da caixa. Quem deu autoridade absoluta a esses embusteiros que tentam implantar as coisas ao seu gosto? O que está vigente é abolição do cérebro cuja carta de alforria foi assinada com uma putrefata pena ideológica que está suja de muito sangue e já fez correr rios de lágrimas.

Escandalizamos-nos ao ver universitários enfiando velas acesas no rabo como sendo uma forma de “arte”; porém, no tempo que os animais falavam, digo, quando os cérebros ainda funcionavam, a arte era a expressão do belo, do criativo, seu desfile dava azo à sublimação, ao enlevo; ah, e havia diferença entre o ridículo, o abjeto, o obsceno, e ela.

Platão definiu o homem como sendo um invólucro de pele contendo dentro uma besta policéfala (de muitas cabeças) e no alto um homenzinho; segundo ele, a besta representa os instintos bárbaros, incivilizados; e, cada cabeça tipifica uma má inclinação, uma paixão doentia; o homenzinho seria nossa parte superior, a razão. Assim, o filósofo seria aquele cujo homem interior teria domínio sobre o monstro; os demais, o oposto.

Pois bem, alugando essa figura por um pouco, nossa geração tem alimentado a besta com a carne do finado homenzinho racional. Gente de renome, professores de faculdade, artistas, jornalistas, pessoas que deveriam ser os nossos luminares exibem sintomas pujantes de desonestidade intelectual e moral, e subserviência ao monstro das paixões triturador da razão, dos fatos, da história, da verdade...

O sistema facilita a indigência mental; basta compartilhar algo do qual se gostou, mesmo sem entender direito e o sujeito já será “racional” profundo.

Claro que frases feitas têm seu valor, sempre recorro a elas quando parecem oportunas, mas, se nosso “pensar” se resumir a isso não passaremos de robôs programados, mentecaptos, que literalmente significa capado da mente, castrado.

Pensar não é decorar as ideias alheias, antes, usar a massa intracraniana para gestar as nossas. “A mente não é um vaso para ser cheio; é um fogo a ser aceso” Plutarco.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Humanidade Pródiga

“... tudo que Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar e nada tirar; isto faz Deus para que haja temor diante dele.” Ecl 3;14

Ele mesmo encerra o Cânon reiterando isso: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas; se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará sua parte do livro da vida, da Cidade Santa e das coisas que estão escritas neste livro.” Apoc 22;18 e 19

Inicialmente O Santo tolerou guerras, escravidão, poligamia, coisas que, Paulo disse, eram segundo “os rudimentos do mundo, não segundo Cristo,” não significa que O Todo Poderoso esteja se aperfeiçoando ao longo do tempo; antes, que Sua Misericórdia perfeita lidou em amor com nossas imperfeições.

Tampouco, O Novo Testamento é um aperfeiçoamento do Velho; antes, o cumprimento dos vaticínios, demandas e tipos proféticos nele contidos. Se, em certos aspectos a Revelação de Deus e Seu Reino, vieram de modo progressivo, isso atina à humana capacidade de entendimento, não a alguma “evolução” Daquele no qual não há mudança nem sombra de variação; “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje, e eternamente.” Heb 13;8

Isaías situou aos replicantes: “Ai daquele que contende com seu Criador! caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos? Ai daquele que diz ao pai: Que é que geras? E à mulher: Que dás tu à luz?” Is 45;9 e 10

O fato de estarmos diante do Eterno deveria ensejar temor em nós; entretanto, nem sempre é assim.

O Eterno vetou hibridismos de plantas e animais, contudo, cheia deles está a Terra; “Não semearás a tua vinha com diferentes espécies de semente, para que não se degenere o fruto... Com boi e com jumento não lavrarás juntamente.” Deut 22;9 e 10 etc.

Há um determinismo biológico bem claro quando da formação dos seres vivos; tanto plantas, quanto, animais. “... Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra... Produza a terra alma vivente conforme sua espécie; gado, répteis e feras da terra conforme sua espécie...” Gên 1;11 e 24

As expressões, segundo sua espécie, ou, conforme sua espécie se repetem, à exaustão. Porém, não satisfeitos de alterar o que O Eterno disse, alguns ousaram negar frontalmente Sua Palavra. Desses veio a famigerada Teoria da Evolução, segundo a qual tudo teria se originado de modo casual, fortuito; evoluído ao longo de eras de modo que, as miríades de espécies existentes seriam variações evolutivas de uma apenas.

Contudo, com a descoberta do código genético, o DNA, ficou estabelecido cientificamente que cada espécie é distinta e preserva sua distinção, invés de se tornar outra. Então, descoberto e comprovado isso, o “homo sapiens” honesto que é presto assumiu que estava errado, abdicou de suas falsas afirmações, refez todos os livros didáticos que abordavam o tema e passou a ensinar ciência pelo viés criacionista; só que não.

Após esbanjar sua vasta herança, intelectual, experimental, teórica; e, como o pródigo gastar tudo no meretrício da falsa ciência, e acabar errante entre porcos, o obstinado e resiliente pecador finge que seus postulados ímpios inda estão em pé e parte para novos ataques contra O Criador; agora, com alteração da Palavra para que não mais condene ao homossexualismo, e, a nojenta e abjeta ideologia de gênero. Deus não teria criado macho e fêmea, mas, andróginos; a sociedade teria imposto isso aos pobres infantes, que deveriam se portar conforme seu gênero.

Eis a maldição de se por voluntariamente sob o domínio do deus desse século! Cegueira. “O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” II Cor 4;4 Desafiados a mudar de postura e corresponder ao Divino Amor, endurecem seus corações; mostram, como os coevos do Senhor, amar mais as trevas que a Luz.

A humanidade mudou “para baixo” após a queda; alienada do Criador e Seus valores degenerou. O desafio da Cruz é para que neguemos essa fraude que nos tornamos, e sejamos regenerados segundo Deus. A imensa maioria, infelizmente, gosta demais da sugestão de decidir por conta acerca do bem e do mal; acaba trocando um pelo outro, pois, cega, e aprendendo “Braille” com um mestre que odeia a Deus, herda como seu o ódio daquele.

Os que temem ao Santo não mudam Seus conceitos de bem e mal; são capacitados pela misericórdia Dele a mudar de vida.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A Pedra Rejeitada

“Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os edificadores rejeitaram foi posta por cabeça de esquina; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” Mc 12;10 e 11

Jesus altercando com “edificadores”, os religiosos, que O rejeitavam. Disse que Sua rejeição estava prevista nas escrituras já; ironicamente perguntou se eles jamais tinham lido.

Não só tinham, como, muitas vezes, cantado; pois, estava no seu hinário; Salmo 118;22. Nós outros também, quantas vezes lemos, ou, cantamos coisas apenas da boca pra fora, cujo conteúdo não nos toca?

“Edificadores”, não deve ser entendido literalmente; nem mesmo, Pedra. A edificação em apreço era O Reino de Deus; o trabalho, o devido cuidado com Suas ovelhas. E, nessa linguagem foi predito também: “Assim diz o Senhor Deus: Estou contra os pastores; das suas mãos demandarei minhas ovelhas; eles deixarão de apascentá-las; os pastores não apascentarão mais a si mesmos; livrarei minhas ovelhas da sua boca, não lhes servirão mais de pasto. Porque assim diz o Senhor Deus: Eu mesmo procurarei pelas minhas ovelhas e as buscarei.” Ez 34;10 e 11

“Isto foi feito pelo Senhor...” Ele disse que começaria algo novo; “Pois, também te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” Mat 16 18 Para a teologia católica essa passagem refere-se ao “Primado de Pedro” onde ele teria sido escolhido para chefe, ou, Papa.

Entretanto, como ensina a boa regra de hermenêutica, quando um texto parecer dúbio, polêmico e difícil de interpretar recorre-se a outros paralelos para chegar a uma solução segura; pois, a Bíblia interpreta a Bíblia, a Palavra não é de escopo individual; “...nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas, homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” II Ped 1;20 e 21

Pois, mesmo Pedro, face a face com o Senhor ouviu: “O que faço agora não o sabes; entenderás depois” isto é, depois de iluminado pelo Espírito Santo.

A questão da Pedra, malgrado, a coincidência com seu nome, não pensava ser ele; nunca referiu-se a si mesmo como Papa, antes, Presbítero; e invés de pretender que seus escritos fossem o supra-sumo da fé, as “encíclicas eclesiásticas”, confessou sua dificuldade de entender escritos mais profundos, como os de Paulo, por exemplo; “Tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também nosso amado irmão Paulo escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender...” II Ped 3;15 e 16

Sobre a “Pedra”, voltando, disse: “Chegando-vos para ele, (Cristo) pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e preciosa; vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; quem nela crer não será confundido. Assim para vós que credes é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram foi a principal da esquina...” I Ped 2;4 a 7


Noutra parte, quando O Senhor lhe disse que daria as chaves do Reino estava falava da honra de ser o precursor dos pregadores, o que abriria a Porta, que, como dissera O Senhor, “Eu Sou a porta...” Assim, as primeiras pregações da igreja foram dele; cinco mil almas se converteram ouvindo; desde então, a Porta foi aberta.

Todavia o fundamento sempre foi o Ensino de Cristo e a Autoridade maior, O Espírito Santo, não, um homem. “...disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13;2 O mesmo Pedro foi curado pelo Espírito do excesso de judaísmo e enviado ao encontro do romano Cornélio, etc.

Noutra parte, quando o “Papa” falhou foi corrigido por Paulo; “chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando; se apartou deles temendo os que eram da circuncisão.” Gál 2;11 e 12

Enfim, quem se preocupa mais com aceitação humana que Divina corre o risco de cometer o mesmo erro dos que condenaram ao Senhor. Rejeitar ao que Deus aprova e aprovar ao que Ele despreza. Pois, como ensina Salomão; “O que justifica o ímpio e o que condena o justo, tanto um quanto outro são abomináveis ao Senhor.” Prov 17;15

Tendemos a concordar com o que d’antemão concordamos; somos refratários a refazer ideias; mas, precisamente isso, requer a conversão...

domingo, 3 de dezembro de 2017

Diamantes em risco

“Acabando tudo isto, todos os israelitas que ali se achavam saíram às cidades de Judá e quebraram estátuas, cortaram bosques e derrubaram os altos e altares por toda Judá e Benjamim, como também, em Efraim e Manassés, tudo destruíram;” II Crôn 31;1

Ezequias subira ao trono com 25 anos e herdara um cenário de apostasia. O templo em ruínas, dezenas de cultos alternativos, idólatras, espalhados por Israel; uma verdadeira desolação.

Seus primeiros atos foram na direção de restauração do relacionamento com Deus. Recuperação do Templo em seus estragos, santificação das coisas sagradas que foram profanadas, celebração da páscoa, restabelecimento da ordem sacerdotal, culto e louvores ao Senhor.

Houve duas “quebras de protocolo” que O Eterno permitiu, dadas as circunstâncias. A páscoa deveria ser celebrada no primeiro mês; todavia, “O rei tivera conselho com os seus príncipes e toda a congregação em Jerusalém, para celebrarem a páscoa no segundo mês. Porquanto não a puderam celebrar no tempo próprio, porque não se tinham santificado sacerdotes em número suficiente e o povo não se tinha ajuntado em Jerusalém.” Cap 30;2 e 3

Depois, “havia muitos na congregação que não se tinham santificado... Ezequias orou por eles, dizendo: O Senhor, que é bom perdoa todo aquele que tem preparado seu coração para buscar o Deus de seus pais, ainda que não esteja purificado segundo a purificação do santuário. Ouviu o Senhor a Ezequias e sarou o povo.” VS 17;a 20

Vemos, pois, que arrependimento, contrição valem mais diante de Deus que outras coisas, que, mesmo tendo sido ordenadas como necessárias, em circunstâncias especiais tornam-se assessórias, desde que, o vital, o Temor do Senhor seja preservado.

Entretanto, é o Temor do Senhor que leva Seus servos a banirem a ideia de cultos híbridos; isto é; misturados com crenças, imagens, ritos que O Eterno não ordenou. Por isso, uma vez sarados por Deus, perdoados e aceitos, os hebreus arrependidos voltaram às suas terras e quebraram estátuas, destruíram altares que usavam quando estavam alienados do Santo.

Já li diatribes de vários padres contra protestantes no que tange ao culto de imagens dizendo em sua defesa que Deus mandou fazer dois querubins sobre a Arca da Aliança, e uma serpente de bronze. Portanto, segundo eles, o culto de imagens é válido desde que seja para O Senhor. É verdade; Ele mandou fazer isso e foi obedecido.

Porém, também mandou o seguinte: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque Eu, o Senhor teu Deus, sou zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.” Ex 20;4 e 5

Quer dizer que segundo a hermenêutica desses sacerdotes, o que Deus mandou fazer vale, mas, o que mandou NÃO FAZER, aí não precisa ser obedecido?

Note no texto acima que O Senhor equaciona o culto às imagens com odiá-lO. “visito a iniquidade... daqueles que me odeiam.” Mesmo que as pessoas digam que suas imagens são para cultuar a Deus Ele interpreta isso como ódio, pois, são deuses alternativos que acabam tomando um lugar que é exclusivo, Dele. “Eu Sou o Senhor; este é Meu Nome; minha glória, pois, a outrem não darei, nem meu louvor às imagens de escultura.” Is 42;8 “...nada sabem os que conduzem em procissão suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar.” Is 45;20

Não se trata de competição religiosa, isso não leva a lugar nenhum. Antes, tem ver com luz x trevas; verdade x mentira; salvação x perdição; vida ou morte.

Sem essa que todos os caminhos levam a Deus, que cada um O ama do seu jeito. Ele só reconhece um jeito de ser amado: “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” Jo 14;15

É certo que os dez mandamentos nos ensinos de Cristo foram reduzidos a dois; amar a Deus sobre tudo, e ao próximo. Todavia, como amaremos a Deus colocando entre nós e Ele algo que Ele odeia?

A idolatria não se restringe ao culto de imagens; avareza, ídolos humanos; qualquer coisa que usurpe o lugar exclusivo do Senhor. A sentença do Apocalipse é categórica: “Ficarão de fora... os idólatras...” Apoc 22;15

Meu alvo não é ferir suscetibilidades, antes, iluminar; não é competir, mas, exortar para que você não fique de fora.

Aos erros pretéritos Deus perdoa, apaga; desde que haja uma mudança como nos dias de Ezequias. Senão, aqueles que se apegam mais à religião que à vida jogam no lixo o que é precioso, como um louco usando diamantes numa funda.